Em breve, 230 quilos de tampinhas plásticas serão transformados em ração, cirurgias e consultas veterinárias para animais de rua ou animais de tutores de baixa renda em Torres.  A metamorfose não será resultado de nenhuma mágica, mas de aproximadamente 350 horas de dedicação da voluntária da Associação Torrense de Proteção aos Animais (ATPA), Ana Telles. Desde o dia 1º de julho, quando enviou uma remessa de 165 quilos para o Tampinha Legal, em Porto Alegre, ela recomeçou a coleta, seleção, limpeza e armazenamento de mais tampinhas, num trabalho que realiza há quatro anos.

Adotada no canil, a cadela Amora inspeciona o carregamento de 46 sacos com tampinhas, no dia 23 de setembro

Ana lembra que ficou sabendo sobre a criação do programa socioambiental em 2017 graças ao hábito de ler jornais todos os dias. A partir daí, buscou informações, participou das reuniões e conseguiu cadastrar a ATPA. “No início era bem pouquinho, eles pagavam acho que R$ 1,80 (o quilo da tampinha). Mesmo assim foi um dinheirão! Juntamos mais de 80 sacos. Eu não tinha mais lugar pra colocar”.

Para conseguir o material, ela conta com o apoio do marido, de pessoas que guardam tampinhas e de empreendimentos locais. “Pego na Padaria Vosso Pão, as tampas usadas no café . Também pego no Grill Brasília as de uso do restaurante e de alguns funcionários, no Monsieur Café. Coleto muito na Jaqueline Lima – um salão de beleza-, na Peg Pag, Casa do Agricultor e na Ecotorres”.

Em geral, nestes locais, as funcionárias e funcionários apoiam a causa animal e por isso reservam algum lugar e tempo para as tampinhas. Na Casa do Agricultor, Alessandra Pedroso conta que as pessoas deixam as doações e, num espaço que não é assim tão amplo, os funcionários as guardam até sexta-feira ou sábado. “Quando a Ana não pode vir buscar o Paulo (Oliveira) entrega na casa dela, porque às vezes tem muita quantidade”.

A Cooperativa de Consumidores Ecotorres também não dispõe de espaço extra, mesmo assim, guarda as tampinhas.  “A cooperativa é apenas um ponto de coleta. “Aí claro, eu junto na minha casa, coloco aqui, porque apoio a causa”, explica Dauane Scheffer. A funcionária destaca ainda o apoio a outras ações da ATPA para levantar recursos: venda de calendários, copos e o que mais for preciso para colaborar.

Esse trabalho que cada pessoa tem, juntando as tampinhas é, segundo a presidente da ATPA, Maria da Graça Scherer Nogueira, fundamental para manter os projetos da entidade. ”É a vontade de ajudar os animais e a preocupação com o meio ambiente. Livrar a natureza de tanto plástico. Eu acho isso muito legal!! E sou agradecida a todas elas. Sozinhos somos fracos, mas quando nos juntamos, em qualquer luta, ficamos fortes”.

 O caminho das tampinhas

As tampinhas são separadas por cores e lavadas

Depois de buscar as tampas plásticas nos pontos de coleta, Ana as separa por cor: pretas, azuis, verdes, laranjas e amarelas, vermelhas, brancas, marrons e transparentes. Ela explica que essa separação é muito importante, porque quando vai para a recicladora, são transformados em pellets destas mesmas cores, que outras empresas vão comprar para fazer diferentes produtos.

As tampinhas são higienizadas. Algumas precisam ficar de molho na água com água sanitária e escovadas. Quando estão secas, são colocadas em sacos que comportam em média 5 quilos. Quando consegue juntar pelo menos 30 sacos, a voluntária informa a Ambientuus Tecnologia Ambiental.

Esta empresa que recolhe resíduos da área da saúde foi acionada pelo próprio Tampinha Legal, porque Ana não estava conseguindo transporte. “Muita gente dizia que ia ajudar, mas chegava na hora e não podia. Teve uma empresa de mudanças que me deixou esperando várias vezes”.

Assim, a Ambientuus assumiu a tarefa de levar, de Torres, as tampinhas da ATPA e da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). A empresa recolhe de outras entidades assistenciais cadastradas no litoral e as armazena até encher um contêiner em sua planta em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Só então as leva para o posto de entrega Porto Alegre, junto à Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), na Capital.

Ali, as tampinhas são novamente pesadas e na conta de cada uma das entidades é depositado o valor correspondente à quantidade de material enviada. O Tampinha Legal vende para recicladoras que transformam as tampinhas em pellets. “Os valores obtidos são destinados integralmente para as entidades assistenciais participantes sem rateios ou repasses e sem que o programa receba comissões e/ou gratificações sobre o material coletado”, informa o relise do programa.

 O Tampinha Legal

Iniciativa do Instituto SustenPlást, o Tampinha Legal é, segundo sua assessoria de imprensa, o maior programa socioambiental de caráter educativo em economia circular da indústria de transformação do plástico da América Latina. Em quatro anos, já recolheu mais de 390 milhões de tampas plásticas que foram revertidas em mais de R$ 1,4 milhão em recursos destinados integralmente às 339 entidades assistenciais participantes.

Além do Rio Grande do Sul, o programa atua em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Goiás e no Distrito Federal. Em Porto Alegre, conta com o apoio da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). No site e no aplicativo é possível localizar pontos de coleta, entidades cadastradas e empresas participantes. O Tampinha Legal está também no YouTube, Instagram e Facebook.

Por que o Centro Ecológico contou essa história?

Por considerar o trabalho voluntário com os animais e esta ação com as tampinhas 100% alinhadas às propostas da campanha Compartilhar é Cuidar, o Centro Ecológico quis registrar e contar essa história. A campanha Compartilhar é Cuidar é desde 2018 realizada em outubro, durante a Semana da Ação Verde (Green Action Week), coordenada pela Sociedade Sueca de Proteção à Natureza em mais de 30 países e  aproximadamente 40 organizações.

Fonte: AFolha Torres