Na última terça-feira, 26 de outubro, foi registrada uma ocorrência de agressão à equipe de profissionais do posto de Saúde do bairro Curtume, a Unidade Básica de Saúde Sadi Pipet de Oliveira.

Segundo uma servidora que estava no local no momento da agressão, um homem chegou ao posto para atendimento, e quando uma servidora pediu seu comprovante de residência para realizar uma atualização cadastral, este teria então se exaltado, deferindo xingamentos e ameaças aos funcionários. Um paciente, que estava em atendimento na parte interna da unidade, se deslocou para a recepção pedindo para que o homem se acalmasse, em defesa da equipe do posto, o que acarretou em um briga, com troca de socos na recepção da unidade. A Brigada Militar precisou ser acionada.

Ainda de acordo com a servidora, que preferiu não se identificar, a equipe já havia solicitado a presença da guarda municipal no posto, mas de acordo com ela a prefeitura alegou não possuir funcionários suficientes para suprir essa demanda. “A gente trabalha com medo, as agressões verbais a gente passa quase que diariamente. As pessoas já vem com problemas pessoas, e acabam descontando na gente, ou querem exame na hora, atendimento na hora, mas nem sempre depende da gente (da equipe que atua no posto) para ser na hora” explicou.

Esta não é a primeira vez que funcionários de um posto de saúde de Torres sofrem agressões. Em abril deste ano, uma mulher invadiu o Posto de Saúde (ESF) no bairro São Francisco, e agrediu e ameaçou funcionários que estavam no local. A ocupação foi motivada pelo fato da invasora reclamar sobre a falta de serviço pela equipe da ESF. Atualmente, o Posto de Saúde do bairro São Francisco é a única unidade de saúde do município que conta com a presença da guarda municipal em tempo integral. As demais contam apenas com rondas, que, segundo funcionários, duram em média 10 minutos por dia.

A falta de segurança de equipes nos postos de saúde do município acarretou em um pedido de indicação na Câmara de Vereadores de Torres, de autoria do vereador Igor Beretta (MDB), no qual o mesmo indica ao poder executivo a instalação de guarda municipal de Patrimônio em postos de saúde da cidade, afim de garantir segurança no ambiente de trabalho aos profissionais da saúde e usuários.

Procurado pela central de jornalismo da rádio Maristela, o secretário municipal da saúde, Claudio Paranhos, apontou que a prefeitura busca soluções para o problema: “Vamos realizar processo de contratação temporária de seguranças para as unidades, até provermos através de chamamento via concurso público o preenchimento de vagas da guarda municipal que serão destinadas a secretaria de saúde” explicou.

O secretário pediu a colaboração por parte da população: “Não há segurança 100% garantida se a população não colaborar, porque uma vez que o médico vá embora (da Unidade de Saúde) por medo, isso se espalha entre a classe médica e ficará difícil encontrar profissionais interessados em vir pra Torres” apontou.

Foto: Maria Stolting

Após o episódio, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RS) emitiu nota, manifestando apoio e repudiando a violência. Confirma a nota completa:

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS) manifesta seu total apoio e solidariedade a colegas da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Curtume, de Torres. Profissionais da unidade foram vítimas de agressão na terça-feira, 26 de outubro. A presidente do Coren-RS, enfermeira Rosangela Gomes Schneider, e a conselheira e enfermeira Fernanda Borkhardt, estiveram no serviço de saúde, conversando, acolhendo e prestando total apoio às(aos) profissionais, que estavam abalados emocionalmente com a situação. O Conselho reforça, também, seu repúdio a atos de violência nos serviços de saúde e enfatiza a necessidade de que a comunidade respeite a Enfermagem e demais trabalhadoras(es) da saúde, que estão 24 horas por dia na luta para cuidar da população.

Após ter conhecimento do episódio, as dirigentes do Coren-RS foram até a Secretaria Municipal de Saúde de Torres e reforçaram junto à diretora de Atenção Básica, Natália Oliveira, a necessidade de garantir condições de trabalho e segurança para as equipes. 

O Coren-RS enaltece o empenho de colegas enfermeiras(os), técnicas(os) e auxiliares no dia a dia, em especial na pandemia, em que foram, são e serão fundamentais para salvar vidas. Somente no Rio Grande do Sul, são quase 138 mil profissionais da categoria que estão trabalhando arduamente, todos os dias, e que lutam pela valorização e reconhecimento. Cabe também à sociedade ajudar neste processo, respeitando a categoria e entendendo a importância destas(es) profissionais na saúde.

O Conselho está sempre ao lado das(os) profissionais! Não à violência! 

Foto: Divulgação Coren-RS