A cidade de Torres integra o roteiro do Projeto Encarcerarte em presídios femininos do Rio Grande do Sul. No dia 26 de novembro, a palhaça Ciska pega a estrada para levar a sua arte a quem não pode ir até os teatros e outros espaços de apresentação. Idealizado para ser apresentado para mulheres privadas de liberdade, o espetáculo Na Linha precisou estrear online, em julho deste ano, devido à pandemia da Covid-19. Porém, nunca saiu do horizonte das produtoras que ele cumprisse o seu principal objetivo.

Executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas e realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/20, o roteiro do projeto inclui cinco penitenciárias femininas neste ano, cumprindo com um propósito da atriz Ariane Vizzoto. “Faz seis anos que eu levo a minha arte para pessoas que estão em situação de acolhimento, lares de idosos, hospitais e nas ruas. A democratização do acesso à arte é um dos grandes motivos de realizar o projeto Encarcerarte”. O espetáculo Na linha, criado através do projeto, foi pensado desde o começo para se adaptar ao espaço das penitenciárias e para dialogar com as mulheres reclusas. O processo de criação contou com a colaboração de uma ex-agente carcerária, já aposentada e também artista, que orientou o trabalho.

Na Linha é um espetáculo de palhaçaria autoral que aborda temas como solidão, tradição, prisões, rotina e invenção. Em um cenário pequeno e limitado, a palhaça Ciska vive sua rotina apertada e peculiar acompanhada de sua única amiga: Chica, um girassol. “A escolha da palhaçaria se deve ao fato da palhaça ter uma lógica própria, diferente da usual e com uma maneira diferente de ver o mundo e as coisas que estão nele”. O espetáculo incentiva a criatividade e a reflexão através de uma experiência de lazer.

A produtora cultural do Encarcerarte, Juliana Gedoz Tieppo, entende que o contato com uma experiência artística, como a peça Na Linha, pode contribuir para a reinserção dessas mulheres na sociedade. Tanto ela quanto Ariane acreditam ser importante que a sociedade dialogue a respeito do sistema prisional. “Esse sistema é parte da nossa realidade e não pode ser tratado como um mundo paralelo. Ele influencia no bem estar social e precisa fazer parte dos diálogos que precisamos fazer como sociedade. Por esse e outros motivos, vamos até lá”, ressalta Juliana.

Em Torres, será apresentada uma sessão. “O objetivo é nos adaptarmos ao espaço de convivência dos presídios, por isso faremos as apresentações em pátios e salões”, reforça a produtora. O espetáculo tem 40 minutos de duração e é encenado apenas por Ariane.