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Réveillon de festas grandiosas no Litoral Norte gaúcho contrasta com praias tomadas pelo lixo

por Melissa Maciel
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Grandes eventos exigem responsabilidade coletiva para preservar a praia e o turismo
| FOTO: DANIEL LUMMERTZ/ASCOM PMT

Entre fogos que iluminaram o céu, abraços apertados, brindes à meia-noite e a tradição da roupa branca carregada de pedidos por um ano melhor, cidades do Litoral Norte gaúcho celebraram a chegada de 2026 em clima de alegria e segurança. Em cidades como Torres, a virada transcorreu sem registros de ocorrências graves, resultado da atuação integrada das forças de segurança, da saúde e dos serviços públicos. Mas, quando o som cessou e a multidão se dispersou, outro cenário emergiu nas orlas de Torres, Capão da Canoa e de outros municípios, inclusive onde as festas reuniram menor público: toneladas de lixo espalhadas pela areia escancararam o contraste entre a celebração vivida e o rastro deixado para trás, impondo às administrações municipais o desafio imediato da limpeza e, sobretudo, da conscientização coletiva.

Em Torres, a programação distribuída ao longo dos dias e o show nacional do Jeito Moleque, na Praia Grande, reuniram grande público sem registros relevantes de violência. A principal demanda do pós-evento concentrou-se na limpeza da orla. Ainda nas primeiras horas do dia 1º de janeiro, por volta das 3h da manhã, equipes da Prefeitura realizaram uma ampla operação para remover resíduos deixados na faixa de areia da Praia Grande e de Praias do Sul do município, permitindo que as praias estivessem limpas no amanhecer, em uma ação considerada essencial para a imagem turística do município.

Já em Capão da Canoa, o cenário após a virada evidenciou de forma mais contundente o problema recorrente do descarte irregular de resíduos em eventos de grande público. Garrafas, embalagens plásticas, latas e outros detritos ocuparam a faixa de areia e o calçadão, configurando um quadro de impacto ambiental e desordem no espaço público. Diante da permanência de grupos na orla após o encerramento dos shows, a Brigada Militar, por meio do Batalhão de Choque, foi mobilizada no amanhecer do dia 1º para dispersar as aglomerações e garantir condições seguras para o início dos trabalhos de limpeza.

A conscientização sobre o descarte correto do lixo é decisiva em eventos de grande público
| FOTO: ASCOM PMCC

A ação foi considerada necessária devido à presença de garrafas de vidro, objetos cortantes, som alto e concentração de pessoas na beira da praia. As equipes de limpeza atuaram durante a madrugada e ao longo da manhã, retirando toneladas de lixo da areia e de áreas públicas, com apoio de caminhões coletores e destinação dos resíduos ao aterro sanitário.

Para Alexis Sanson, idealizador e coordenador do Projeto Praia Limpa Torres, que desde 2013 atua na limpeza das praias e em ações de educação ambiental no município, a responsabilidade pela gestão dos resíduos gerados em eventos na Beira-Mar é dos organizadores. Segundo ele, assim como há organização e planejamento para áreas como segurança e mobilidade urbana, é indispensável que haja estrutura adequada para o descarte de resíduos, com lixeiras em número suficiente, coleta eficiente e destinação correta de todo o material gerado em eventos de pequeno, médio e grande porte. O objetivo, destaca, é reduzir ao máximo o impacto ambiental sobre os ambientes naturais, especialmente as praias, que abrigam uma rica biodiversidade.

O contraste entre a celebração do Ano Novo e a poluição das praias voltou a ser apontado como uma incoerência por gestores públicos. Apesar dos investimentos em estrutura, segurança e campanhas educativas, o acúmulo de lixo segue como um dos principais desafios das administrações municipais em Réveillons realizados nas areias das praias.