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Atualizado às 13h30, de 26-01-2026.
Um barco pesqueiro encalhou na madrugada do último domingo (25), por volta das 2h, na barra do Rio Mampituba, entre os municípios de Torres (RS) e Passo de Torres (SC). A embarcação, de propriedade de um pescador local, foi empurrada pela mudança repentina da maré e acabou batendo em um banco de areia durante a entrada no canal, sofrendo danos no casco.
Após o incidente, foi organizada uma força-tarefa entre pescadores da região, que possibilitou o resgate da embarcação ainda no domingo. O barco foi rebocado com segurança até o ancoradouro do proprietário e não chegou a afundar. Apesar dos danos, a situação foi controlada e não houve registro de feridos. Agora, serão realizadas vistorias para apurar as circunstâncias do encalhe e avaliar os prejuízos causados.
MARINHA DO BRASIL
De acordo com o Capitão-Tenente (AA) Jorge Luiz da Silva Panphirio, agente da Capitania dos Portos em Tramandaí, a Marinha do Brasil, por meio da Agência da Capitania dos Portos em Tramandaí, notificou ainda no domingo os responsáveis pela embarcação e dará início ao Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).
“O procedimento tem como objetivo apurar a causa determinante do encalhe, caracterizado pelo contato das obras vivas da embarcação com o fundo, o que gera resistências externas capazes de dificultar ou até impedir a sua movimentação. O inquérito deverá ser concluído no prazo de até 90 dias, podendo esse período ser prorrogado, conforme a complexidade da apuração”, afirmou o agente.
COLÔNIA DE PESCADORES E AQUICULTORES Z-7
O presidente da Colônia de Pescadores e Aquicultores Z-7, Osvaldo Alves da Siqueira, explicou que o local apresenta alto grau de complexidade devido ao assoreamento constante e à falta de ampliação equilibrada dos molhes nos dois estados. Segundo ele, mesmo com a experiência do marinheiro, a mudança repentina da maré acabou empurrando o barco para o banco de areia, provocando o impacto e a rachadura no fundo do casco.
O incidente ocorreu durante a madrugada, em um momento de visibilidade reduzida, agravada pelo farol de Torres estar apagado, o que dificulta a referência visual para quem navega pela barra. Apesar disso, Osvaldo reforça que a principal causa foi a força e a instabilidade da maré, comum naquele trecho do rio.
A ocorrência mobilizou diversas embarcações da região, que se uniram de forma solidária para auxiliar no resgate. Ao todo, cerca de seis barcos participaram da operação. A Marinha do Brasil acompanha o caso e os procedimentos seguem em andamento.
ENCALHES RECORRENTES
De acordo com o presidente da Colônia, situações como essa são recorrentes e evidenciam a necessidade de uma solução estrutural definitiva para a barra do Rio Mampituba. Ele destaca que ações pontuais, como dragagens, não resolvem o problema a longo prazo e defende a retomada e conclusão do projeto original de ampliação dos molhes, o que depende de articulação em nível federal.
O caso demonstra os riscos enfrentados diariamente por pescadores e a urgência de investimentos em infraestrutura para garantir segurança na navegação.


