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As ondas de calor registradas com maior frequência no Brasil têm impacto direto na saúde da população, sobretudo entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. O alerta é da médica clínica geral, Loreci Durgante, que explica a necessidade de cuidados preventivos durante o período de altas temperaturas, quando cresce a incidência de atendimentos relacionados à desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças pré-existentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), temperaturas extremas estão associadas ao aumento de internações por causas cardiovasculares, respiratórias e metabólicas. No verão, esse cenário se intensifica em regiões turísticas, como o Litoral Norte, onde a população flutuante amplia a demanda por serviços de saúde.
A médica clínica geral, especialista em homeopatia, explica que o organismo humano tem capacidade de adaptação ao calor, mas que exposições intensas e prolongadas provocam o chamado estresse térmico. “Para tentar regular a temperatura, o corpo ativa mecanismos como vasodilatação e sudorese. Quando isso ocorre por muitos dias seguidos, há sobrecarga do organismo, especialmente em pessoas mais vulneráveis”, destaca.
Entre os grupos de maior risco estão idosos, crianças pequenas, trabalhadores expostos ao sol, pessoas obesas e pacientes com doenças crônicas, como problemas cardíacos, diabetes, doenças pulmonares e renais. No caso dos idosos, a médica ressalta que a percepção de sede é reduzida e a capacidade fisiológica de adaptação ao calor é menor. “Além disso, muitos fazem uso de diuréticos e outros medicamentos que potencializam a perda de líquidos e eletrólitos, aumentando o risco de desidratação, queda de pressão e confusão mental”, explica.
As crianças, especialmente até os três anos de idade, também exigem atenção constante. Segundo a especialista, elas perdem líquidos mais rapidamente e dependem dos adultos para manter a hidratação adequada. “A proporção corporal da criança favorece a perda de água, principalmente pela cabeça. Por isso, hidratação frequente, uso de bonés e roupas leves fazem toda a diferença”, orienta.
Em pessoas com doenças crônicas, o calor pode agravar quadros clínicos já existentes. Pacientes cardíacos podem apresentar arritmias e quedas abruptas de pressão; diabéticos ficam mais suscetíveis ao aumento da viscosidade do sangue, elevando o risco de trombose; e pessoas com doenças respiratórias podem ter piora dos sintomas devido à hiperventilação e à qualidade do ar.
PREVENÇÃO
A prevenção, segundo a médica, passa por medidas simples, mas fundamentais. “Hidratação constante é a principal delas, mesmo sem sensação de sede. Além da água, alimentos ricos em líquidos, como frutas, verduras e legumes, ajudam muito. Água de coco é uma boa alternativa, especialmente para idosos e crianças”, afirma. Ela também orienta o uso de roupas leves, de tecidos naturais como algodão e linho, além de evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
Outro ponto de atenção é o consumo de bebidas alcoólicas, que favorecem a desidratação. “O ideal é evitar o excesso e sempre intercalar com água. Ao perceber sinais como tontura, fraqueza, sonolência, confusão mental ou mal-estar, a orientação é hidratar imediatamente e procurar um serviço de saúde”, reforça.
Sinais como desorientação, desmaios, falta de ar, febre persistente, vômitos frequentes ou incapacidade de ingerir líquidos exigem atendimento médico imediato. A recomendação é não subestimar os efeitos do calor e adotar cuidados contínuos ao longo de toda a temporada.

