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O município de Torres promove, na próxima sexta-feira (30), uma Blitz de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. A ação ocorre a partir das 10h, no Parque do Balonismo, e integra uma mobilização conjunta da rede de proteção e segurança pública, com foco na conscientização, orientação e prevenção da violência doméstica e do feminicídio.
A iniciativa é realizada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, por meio da Patrulha Maria da Penha, com apoio da Polícia Civil, do Centro de Referência da Mulher Pricila Selau, da Frente Parlamentar da Mulher de Torres, do Poder Judiciário, do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Defensoria Pública. Durante a blitz, equipes farão abordagens educativas, com distribuição de material informativo e divulgação dos canais de denúncia e acolhimento disponíveis no município.
A importância da ação foi destacada durante entrevista concedida à Rádio Maristela, na terça-feira (27), por representantes das forças de segurança e da rede de atendimento. A comandante do destacamento da Operação Golfinho em Torres e Arroio do Sal, major Michele Vargas, ressaltou que a blitz ocorre em um contexto preocupante, diante do aumento dos casos de feminicídio no Estado. Segundo ela, antes mesmo do fechamento do primeiro mês do ano, o Rio Grande do Sul já registra dez feminicídios, incluindo ocorrências no litoral e em Santa Cruz do Sul.
SINAIS GRAVES
A major chamou atenção para o perfil das vítimas e dos agressores, destacando que, em muitos casos, as mulheres não possuíam medida protetiva e sequer haviam registrado ocorrência. “São relacionamentos cada vez mais curtos, mas que já apresentam sinais graves de agressividade, culminando em violência extrema. A brutalidade desses crimes e a presença de filhos durante as agressões nos impõem uma reflexão profunda sobre prevenção e abordagem”, afirmou.
Ela também defendeu a ampliação de ações voltadas ao agressor, destacando que apenas o aumento de penas não tem sido suficiente para frear a violência. Nesse contexto, a Brigada Militar vem investindo na capacitação de policiais, inclusive homens, para qualificar a abordagem e fortalecer ações de conscientização.
A integrante da Patrulha Maria da Penha de Torres, a Soldado Cimara Carpes Obem Grundle, explicou que atualmente o município atende 299 vítimas cadastradas. O trabalho inicia após o deferimento da medida protetiva, com visitas, acompanhamento e encaminhamentos à rede de apoio, que envolve assistência social, Centro de Referência da Mulher, Defensoria Pública e demais órgãos. “O mais importante é que a vítima se sinta acolhida e compreenda que não está sozinha. Quebrar o silêncio é fundamental para interromper o ciclo da violência”, destacou.
Durante a entrevista, também foi ressaltada a necessidade de maior envolvimento dos homens no enfrentamento à violência doméstica. O Soldado Roger de Castro Lemes, que também integra a Patrulha Maria da Penha de Torres, enfatizou que a conscientização não pode se restringir às vítimas. “O homem precisa assumir responsabilidade, compreender que a Lei Maria da Penha abrange diferentes relações e que nenhuma forma de violência é aceitável”, afirmou.
A Blitz de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres integra as ações da Rede Lilás e busca aproximar a comunidade dos serviços de proteção. Além do número de emergência 190, a população poderá acessar contatos diretos da Brigada Militar, Polícia Civil, Centro de Referência da Mulher e Defensoria Pública, ampliando as possibilidades de pedido de ajuda.
Os organizadores afirmam que a violência doméstica é um problema coletivo e que a omissão também contribui para sua perpetuação. A orientação é para que familiares, vizinhos e amigos não se afastem diante de sinais de agressão e acionem os órgãos competentes sempre que necessário. A participação da comunidade na blitz é considerada fundamental para fortalecer a cultura de prevenção, acolhimento e respeito às mulheres.

