O Museu de Ciências e Arte do GEMARS – Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, abre oficialmente as portas ao público neste domingo (1º), em Torres, transformando décadas de pesquisa científica em uma experiência acessível, educativa e profundamente conectada ao território costeiro do Litoral Norte gaúcho. O espaço inicia suas atividades em caráter experimental durante o mês de fevereiro, com a expectativa de se tornar permanente. Mais do que um ambiente expositivo, o museu se apresenta como um convite à aproximação com o oceano, conhecer para preservar, sentir para cuidar do mar não apenas como cenário, mas como parte essencial da vida presente e futura.

Instalado na sede do GEMARS, na Rua Saldanha da Gama, nº 937, no bairro Praia Grande, o museu marca uma virada institucional do grupo. Após mais de 30 anos com atuação fortemente voltada à pesquisa científica, o GEMARS amplia, de forma estratégica, sua presença junto à sociedade, apostando na educação ambiental e na comunicação como ferramentas fundamentais para a conservação marinha.
A abertura oficial ocorre no domingo (1º/02), a partir das 9h, com visitação durante todo o dia e entrada gratuita. A partir da semana seguinte, o museu estará aberto ao público todas as quintas e sextas-feiras, das 9h ao meio-dia e das 16h às 19h. Já as segundas, terças e quartas-feiras serão destinadas exclusivamente ao agendamento de visitas guiadas, especialmente para escolas e grupos educativos, mediante contato pelas redes sociais do GEMARS, no perfil @gemars1991.
O GEMARS
Fundado em 1991 por estudantes de Biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em um período em que praticamente não havia especialistas em mamíferos marinhos no Estado, o GEMARS nasceu do esforço coletivo de jovens pesquisadores que decidiram aprender fazendo. O primeiro trabalho desenvolvido foi o monitoramento sistemático da faixa de praia, com registros de golfinhos, baleias e outras espécies encontradas no litoral. A partir dessa iniciativa, começou a ser formado um acervo científico que, por muitos anos, foi considerado o maior da América Latina na área de mamíferos aquáticos.
Atualmente, o grupo reúne mais de 1.300 exemplares coletados ao longo de três décadas de atuação, abrangendo mais de 30 espécies. Parte desse patrimônio científico passa, agora, a integrar a exposição do museu, aproximando o público de um universo que, embora presente no cotidiano de quem vive ou frequenta o litoral, ainda é pouco conhecido em sua diversidade e complexidade.
EXPOSIÇÃO E ACERVO MARINHO
“O que a gente não conhece, não consegue cuidar”, resume a bióloga marinha Caroline Portal, pesquisadora colaboradora do GEMARS e uma das responsáveis pela concepção educativa do museu. Segundo ela, a proposta é revelar a riqueza da biodiversidade marinha da região, como baleias, golfinhos, pinípedes, tartarugas, invertebrados, e provocar um novo olhar sobre o oceano como patrimônio natural, científico e cultural.
O público poderá conhecer desde crânios de golfinhos e tartarugas até estruturas pouco conhecidas, como as cerdas das baleias, frequentemente confundidas com dentes. A exposição inclui ainda exemplares curiosos, como o piolho da baleia-franca, além de materiais que permitem uma interação direta e sensorial com a ciência. Complementando o acervo científico, o espaço abriga obras de arte de artistas locais e regionais, como Jorge Hermann e Lilian Maus, em uma curadoria que integra ciência e arte como linguagens complementares de sensibilização ambiental.
Para o biólogo marinho Federico Sucunza, pesquisador e coordenador de projetos do GEMARS, essa integração é estratégica. “Os mamíferos marinhos são sentinelas ambientais. Eles refletem a qualidade do nosso mar e evidenciam, de forma muito clara, os impactos das ações humanas”, destaca. De acordo com ele, questões como o descarte inadequado de lixo e o consumo inconsciente seguem sendo desafios centrais, e o museu surge como um espaço de transformação da informação em responsabilidade coletiva.
Entre os destaques da exposição está um protótipo de toninha em tamanho real, espécie símbolo da conservação marinha no Litoral Norte e tema de uma lei municipal em Torres, resultado direto de ações de divulgação científica promovidas pelo próprio GEMARS. Para os pesquisadores, o museu representa a consolidação de um processo contínuo: transformar pesquisa em política pública, ciência em cultura oceânica e conhecimento em pertencimento social.


Fotos: Divulgação/GEMARS

