Gestão apresenta crescimento da demanda, dificuldades na área da saúde e esclarece o uso dos recursos públicos.
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A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Torres inicia uma nova etapa administrativa com a posse de Terezinha Borba de Quadros como presidente. Com uma relação histórica com a entidade e ampla experiência na área educacional, ela retorna ao comando da instituição em um contexto marcado pelo aumento da demanda por atendimentos e por limitações estruturais, sobretudo no campo da saúde. A nova gestão foi apresentada em entrevista à Rádio Maristela, na terça-feira, 03 de fevereiro, com a participação da diretora administrativa da APAE Torres, Inajara Daitx.
Durante a entrevista, Terezinha relembrou que ingressou no APAE em 1981, integrando a diretoria e passando por funções como presidente, tesoureira e secretária. Em 1987, assumiu a direção da escola da APAE, função que exerceu até 2013. Mesmo nos períodos em que esteve à frente das secretarias municipais de Educação e de Saúde, manteve vínculo permanente com a entidade. “Sempre estive ligada à APAE. É uma trajetória construída com dedicação e compromisso”, afirmou.
EXPANSÃO DO ATENDIMENTO
Ao longo de mais de 40 anos, a APAE Torres passou por profundas transformações. No início da atuação de Terezinha, a instituição atendia nove educandos. Atualmente, são 283 pessoas assistidas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, exclusivamente do município de Torres. Em décadas anteriores, a entidade chegou a atender municípios vizinhos, mas hoje concentra suas atividades no território local.
Inajara, que atua na APAE há 35 anos, destacou que iniciou sua carreira profissional na instituição ainda adolescente, como secretária, e percorreu diferentes funções até assumir a gestão administrativa. “É uma vida inteira dedicada à APAE. Quem trabalha aqui cria um vínculo muito forte com a causa”, relatou.
DESAFIOS NA ÁREA DA SAÚDE
A APAE Torres desenvolve suas ações nas áreas de assistência social, educação e saúde. Segundo a gestão, a assistência social e a educação apresentam organização financeira e operacional estáveis. Já a área da saúde enfrenta dificuldades recorrentes, principalmente pela falta de profissionais como terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, o que impacta diretamente o atendimento e gera uma fila de espera superior a cem pessoas.
Conforme explicaram Terezinha e Inajara, a limitação não está apenas nos recursos financeiros, mas na escassez desses profissionais no mercado regional. Muitos atuam exclusivamente no setor privado, com alta demanda, e não demonstram interesse em vínculos formais com carga horária fixa. “A contratação não acontece por ausência de profissionais disponíveis, não por falta de interesse da entidade”, esclareceu Inajara.
CONVÊNIO COM O MUNICÍPIO
Para manter os serviços na área da saúde, a APAE possui convênio com a Prefeitura de Torres. Em 2026, o repasse mensal definido é de R$ 50 mil, valor inferior ao praticado no ano anterior. Mesmo com esse apoio, a entidade projeta um déficit mensal aproximado de R$ 10 mil, que deverá ser coberto por meio de ações como eventos beneficentes, rifas e promoções comunitárias.
A direção também esclareceu informações divulgadas de forma imprecisa sobre devolução de recursos públicos. Segundo Terezinha, o valor devolvido foi de R$ 23 mil, exclusivamente em razão da impossibilidade de contratação de profissionais inexistentes na região, e não valores superiores que chegaram a ser mencionados publicamente.
PERFIL DO PÚBLICO ATENDIDO
Atualmente, a APAE Torres conta com cerca de 30 profissionais e funciona nos turnos da manhã e da tarde. Na área educacional, o atendimento ocorre até os 40 anos, conforme normas do convênio com o Governo do Estado do RS e regras do Fundeb. A partir dessa idade, os usuários passam a ser acompanhados pela assistência social. A instituição também mantém vínculo com pessoas idosas que fazem parte de sua história desde os primeiros anos de funcionamento.
A maior demanda atual está relacionada a crianças com transtorno do espectro autista, especialmente em faixas etárias iniciais, o que amplia a procura por atendimentos terapêuticos especializados.
EMENDAS PARLAMENTARES
A gestão dedicou parte da entrevista a esclarecer o funcionamento das emendas parlamentares. A APAE recebeu o anúncio de uma emenda de R$ 100 mil, indicada por um deputado, destinada à área da assistência social. No entanto, a direção explicou que se trata de uma indicação formal, e não de um recurso já depositado em conta. O repasse pode ocorrer ao longo do ano, após a apresentação e aprovação do plano de trabalho.
Situações semelhantes ocorrem com outras emendas anunciadas anteriormente, como uma de R$ 500 mil que ainda não foi efetivada. A direção alertou que a divulgação antecipada desses valores pode gerar a percepção equivocada de que a entidade dispõe de recursos imediatos. “Os recursos são vinculados por área e exigem prestação de contas rigorosa. Não podem ser utilizados de forma indiscriminada”, explicou Inajara.
Ao encerrar a entrevista, Terezinha agradeceu o espaço da Rádio Maristela e destacou a importância da comunicação para aproximar a comunidade da realidade da APAE Torres. Segundo ela, o diálogo transparente é fundamental para que a população compreenda os desafios enfrentados pela entidade e participe de forma consciente do seu fortalecimento institucional.

