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49ª Romaria da Terra do RS será realizada em 2027 na Diocese de Osório, em Itati

por Melissa Maciel
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Anúncio marcou encerramento da 48ª edição e mobiliza Litoral Norte gaúcho para organização da próxima edição.

A 49ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul já tem destino definido. A edição de 2027 será realizada na terça-feira de Carnaval, 9 de fevereiro, na Diocese de Osório, na Paróquia Imaculada Conceição, no município de Itati, no Litoral Norte gaúcho. Cidade pluriétnica, marcada pela tranquilidade e pela exuberância natural entre o mar e a serra, Itati está inserida em meio a reservas florestais e áreas de preservação ambiental, cenário que dialoga diretamente com as pautas históricas da Romaria, voltadas à defesa da Mãe Terra e dos povos do campo. A Diocese já havia sediado, em 2018, a 41ª Romaria da Terra do RS, com o tema “Mulheres Terra: Resistência, Cuidado e Diversidade”. O anúncio da edição de 2027 foi feito no encerramento da 48ª edição, realizada no Santuário do Caaró, em Caibaté, Diocese de Santo Ângelo, reunindo romeiros, movimentos sociais e lideranças religiosas de todo o Estado.

Presente na celebração, o bispo da Diocese de Osório, Dom Jaime Pedro Kohl, manifestou acolhida à próxima edição. “É uma alegria para nós acolher mais uma edição da Romaria da Terra”, afirmou, destacando o compromisso de dar continuidade à caminhada construída ao longo das décadas. O bispo ressaltou a importância da carta-compromisso aprovada na edição deste ano e convidou os fiéis para 2027: “Venha conosco no próximo ano, dia de Carnaval. Lá vai ser mais fresquinho um pouco. Vai ter aquela brisa suave do mar”.

CARAVANA

A participação da caravana da Diocese de Osório na 48ª Romaria foi considerada estratégica pela Executiva das Pastorais Sociais para viabilizar a realização do evento em 2027. O grupo assumiu como meta garantir presença expressiva de romeiros e promover articulação entre pastorais sociais, movimentos sociais, sindicatos, associações e cooperativas. O objetivo foi alcançado. A comitiva viajou um dia antes, participou do espetáculo Som e Luz nas Ruínas de São Miguel e pernoitou de forma solidária no salão paroquial da Comunidade Santa Lúcia, em Caibaté.

A organização da Romaria no Santuário do Caaró foi observada de perto, especialmente quanto à estrutura de alimentação, banheiros e espaços de sombra. Houve envolvimento de diversas entidades, entre elas o Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, o Núcleo Solidário Litoral Norte da Rede Ecovida de Agroecologia, pastorais sociais, além dos movimentos Fé e Política e Laudato Si. A articulação coletiva é apontada como eixo estratégico para iniciar, desde já, a construção da edição de 2027, inclusive diante dos desafios logísticos decorrentes do feriado de Carnaval, período em que a região registra aumento expressivo no fluxo de turistas e veranistas.

CARTA-COMPROMISSO

A 48ª Romaria teve como tema os 400 anos da evangelização missioneira e seu caráter espiritual e político. A carta final denunciou injustiças históricas contra povos indígenas, quilombolas e comunidades camponesas, criticou o agronegócio predatório, monocultivos envenenados, mineração e projetos considerados devastadores dos territórios. O documento defendeu reforma agrária, agroecologia, reflorestamento com espécies nativas, proteção das águas e fortalecimento da democracia.

O enfrentamento ao feminicídio ganhou destaque. Mulheres de diferentes movimentos subiram ao palco e, após cada manifestação, os romeiros respondiam em coro “não ao feminicídio”. A agricultora familiar Lúcia Lima, de Terra de Areia, destacou a importância da mobilização. “A Romaria foi fraterna e solidária. Tivemos muitas falas e reivindicações. Uma delas sobre o feminicídio que está deixando nosso Rio Grande do Sul em luto. A cada mulher que tomba, perdemos uma mãe, uma filha. Clamamos por justiça já”, declarou.

CULTURA, MEMÓRIA E ESPIRITUALIDADE

A presença da cultura missioneira foi apontada como diferencial da edição. O espetáculo de som e luz nas Ruínas de São Miguel e a mística no Santuário do Caaró marcaram os participantes. Para Luciano Réus Pereira, da Rede de Comunidades Senhor Bom Jesus, de Mampituba, esta foi a mais especial das 16 romarias que já participou. “Celebrar Sepé Tiaraju no local onde ele viveu e lutou traz uma sintonia muito mais forte. Somadas a tudo isso, as lembranças do Frei Sérgio Görgen tornaram esta edição ainda mais significativa”, avaliou.

O ponto alto foi a homenagem a Frei Sérgio e o anúncio da criação do Instituto Frei Sérgio, reforçando o compromisso de manter viva a memória e o legado do religioso nas lutas populares. No gesto final, romeiros ergueram mudas de árvores como símbolo de envio missionário e compromisso com a preservação da Casa Comum.

EXPECTATIVA E PLANEJAMENTO

Entre os participantes, a expectativa para 2027 já é concreta. Luiz Fernando, da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, de Tramandaí, avaliou positivamente a organização da 48ª edição e reforçou a importância de planejamento antecipado. “Transporte impecável, forte presença cultural e indígena. Precisamos estar atentos à recepção das caravanas e iniciar logo a construção da próxima Romaria”, pontuou.

A aposentada Neuza Costa, de Morrinhos do Sul, que participou pela primeira vez, aos 71 anos, definiu a experiência como inesquecível. “Momentos de felicidade, gratidão, harmonia. Cultura linda, religiosidade crescente. Jamais esquecerei”, afirmou.

Com a confirmação da sede no Litoral Norte gaúcho, a Diocese de Osório inicia uma nova etapa de mobilização regional. O desafio agora é estruturar a 49ª Romaria da Terra em um território marcado pela diversidade cultural e riqueza ambiental, mantendo o eixo central do evento: fé, denúncia profética e compromisso com a justiça social e a preservação da Mãe Terra.

Fotos: Colaboração dos Romeiros/as

Fonte: Ascom Diocese de Osório / Melissa Maciel