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A semana política em Torres foi marcada por intensas articulações partidárias e pelo avanço de um novo cenário de governabilidade que começa a redesenhar a base de apoio do Executivo municipal. A realização de uma reunião do Partido Progressista (PP), na noite de terça-feira (3), consolidou o ambiente de especulações sobre uma possível reconfiguração política envolvendo o prefeito Delci Dimer (MDB) e a formação de um novo bloco partidário no município.
Nos bastidores, lideranças políticas chegaram a comentar a possibilidade de saída do prefeito Delci do MDB, com uma aproximação do PP, PL, PSDB e PSD, rompendo com a aliança firmada ainda durante a campanha eleitoral com PT e PDT, partidos que integraram junto ao MDB, a coligação vencedora no último pleito.
Paralelamente às movimentações partidárias, o governo municipal anunciou a troca do secretário da Pasta de Cultura e Esporte e sinalizou que, ainda no mês de março, outras mudanças administrativas deverão ocorrer. Entre as secretarias que vêm sendo especuladas estão Obras e Serviços Públicos, Indústria e Comércio, Fazenda, Saúde e Serviço Social, com a perspectiva de que os novos titulares sejam indicados a partir da nova composição política em construção.
DIVERGÊNCIAS INTERNAS NO PROGRESSISTAS
A reportagem da Rádio Maristela ouviu lideranças partidárias para compreender o alcance das articulações. O atual presidente do PP de Torres e candidato do partido na última eleição municipal, o empresário Nasser Samhan, confirmou que a legenda autorizou o avanço do diálogo com o Executivo na reunião realizada na terça-feira (03).
Segundo ele, o prefeito Delci destacou buscar quadros técnicos qualificados para fortalecer a administração. “Ouvimos o prefeito com muita tranquilidade e respeito e entendemos que podemos, sim, somar com o município. Nosso esforço sempre foi fazer uma política séria, honesta e responsável, pensando na cidade e nos munícipes.”
Nasser explicou que a reunião deliberou pela continuidade das negociações. “Ficou autorizado que o PP avance nas conversas com o prefeito Delci, aceitando evoluir para uma possível adesão e colaboração com o governo.”
De acordo com o dirigente, até o final de março serão avaliadas as áreas e condições em que o partido poderá contribuir com a gestão municipal, sempre com foco no desenvolvimento da cidade.
Já o terceiro vice-presidente da Executiva do PP em Torres e ex-prefeito do município, Carlos Souza, afirmou que não houve debate formal dentro do partido antes da convocação da reunião de terça-feira.
Segundo ele, “houveram conversas de corredores, de um possível ingresso do PP no governo, que haveria uma disposição do prefeito em abrir alguns espaços, mas isso tudo em conversas de corredores, não se reuniu a executiva do partido para discutir”.
Carlos classificou o processo como precipitado e criticou a forma da convocação. “De uma forma muito precipitada, se fez uma convocação anteontem à noite para ontem à noite, de um dia para o outro, convocando a executiva e o diretório para discutir e votar. Eu, por desconhecer completamente o objetivo deste ingresso do partido no governo, me posicionei terminantemente contra”, declarou.
Ele ainda questionou a falta de clareza sobre cargos e objetivos políticos. “Temos que entender qual é o objetivo do Partido Progressista estar no governo, que cargos seriam disponibilizados, quem ocuparia e de que forma isso aconteceria. Pelo que entendi, os espaços já tinham carimbo e destino.”
O ex-prefeito também contestou a legalidade da reunião. “Foi uma reunião armada de um dia para o outro, com articulações internas e votos contados, uma decisão pronta. Não houve discussão no partido. Inclusive, se for olhar nos termos do estatuto, ela é anulável”, afirmou, acrescentando que o processo foi “totalmente arbitrário” e não condizente com a tradição de debate interno da sigla.
MDB NEGA SAÍDA DO PREFEITO
Diante das especulações, a presidente do MDB em Torres e secretaria municipal da Educação, Rosa Lummertz, afirmou à reportagem que não há confirmação de mudança partidária. “Hoje o que eu posso te dizer é que, em duas reuniões que eu estive com o prefeito nesta semana, em nenhum momento ele disse que vai sair do MDB. Ele continua no MDB e sobre a mudança de secretários está sendo construída.”
REAÇÃO DENTRO DA BASE GOVERNISTA
Já o presidente da Câmara de Vereadores e uma das principais lideranças do MDB local, Igor Bereta, classificou as informações sobre eventual saída do prefeito como conjectura, mas fez ponderações políticas relevantes.
“Até o momento, trata-se apenas de conjectura. Contudo, se confirmada, tal decisão dirá muito mais sobre sua postura política do que sobre o partido”, afirmou.
Igor ressaltou que a chegada de Delci ao MDB, em 2023, integrou um projeto coletivo consolidado ao longo de 12 anos, responsável pela formação da base MDB, PDT e PT, decisiva para a vitória eleitoral. “O MDB é uma instituição sólida, muito maior do que qualquer projeto individual. Partidos não podem ser instrumentos circunstanciais de projetos pessoais”, declarou.
O vereador também demonstrou preocupação com o afastamento dos partidos da coligação das decisões políticas recentes. Segundo ele, a Executiva do MDB e os aliados têm sido pouco consultados, enquanto parte das articulações administrativas estaria sendo conduzida pelo procurador-geral do município, Régis Bento.
“Ampliar parcerias é legítimo dentro da dinâmica democrática. O que não se pode admitir é que sejam desconsiderados aqueles que estiveram presentes na construção da vitória”, afirmou, reiterando que o partido permanece à disposição do Executivo, mas que a menor participação decorre de uma escolha da atual gestão.
POSIÇÃO DO PREFEITO DELCI

Durante entrevista na Rádio Maristela, na manhã desta quarta-feira (04), o prefeito Delci confirmou ajustes administrativos recentes, incluindo a troca no comando da Secretaria de Planejamento após pedido de desligamento do titular. O cargo passou a ser ocupado por servidor de carreira do município. Outras mudanças no secretariado seguem em avaliação. O prefeito reconheceu que existem conversas políticas em andamento, mas evitou antecipar definições.
“Estamos dialogando e estudando possibilidades para qualificar ainda mais a gestão, mas não há nada definido neste momento”, afirmou.
Sobre os bastidores políticos locais e as especulações sobre uma possível reorganização da base governista e mudança partidária do prefeito, Delci não confirmou durante a entrevista.
NOVO CICLO POLÍTICO EM CONSTRUÇÃO
O conjunto das movimentações indica que o governo municipal atravessa um momento de reorganização política e administrativa, com impacto direto na governabilidade e na composição do primeiro escalão.
Entre negociações partidárias, divergências internas e reposicionamentos estratégicos, o cenário aponta para a construção de uma nova maioria política em Torres, processo que deverá se consolidar ou redefinir seus rumos ao longo das próximas semanas, especialmente diante das mudanças anunciadas no secretariado e das definições partidárias previstas até o final de março.

