
Durante o tempo da Quaresma, a Igreja convida os fiéis a aprofundarem a compreensão dos mistérios que antecedem a ressurreição de Cristo. A reflexão proposta pelo bispo da Diocese de Osório, Dom Jaime Pedro Kohl, parte do Evangelho de João (11,1-45), que narra a ressurreição de Lázaro, para iluminar o sentido da vida e da morte à luz da fé cristã. O texto recorda que o próprio Jesus experimenta a dor humana diante da perda, revelando proximidade com o sofrimento das pessoas e apontando a ressurreição como sinal da vida futura prometida aos que creem.
A mensagem destaca que Cristo é o centro da história humana e fundamento da esperança cristã, reafirmando que a fé dá sentido ao viver e ao morrer. Ao proclamar “Eu sou a ressurreição e a vida”, Jesus apresenta a salvação como caminho de comunhão com Deus e com os irmãos, convidando os fiéis a romperem as amarras que impedem a caminhada espiritual. A reflexão também ressalta a dimensão da fraternidade e da acolhida como sinais concretos do Reino, reforçando o chamado à renovação interior própria do período quaresmal.
Leia na íntegra:
Eu sou a ressurreição e a vida
Em nossa caminhada quaresmal, estamos refletindo sobre os mistérios que precedem a ressurreição de Cristo, nossa Páscoa. E, nesta semana, a liturgia nos brinda com um longo texto de João 11,1-45, jogando luz sobre o mistério da morte e da vida para quem crê em Jesus. A morte é um dos grandes mistérios da vida humana. As perdas doem para todos. O próprio Jesus, quando viu Maria, a irmã de Lázaro, chorar, “comoveu-se profundamente no espírito e ficou conturbado”. A ressurreição do amigo é sinal do poder de Jesus e preanúncio da vida futura para os amigos de Deus.
Podemos entender que “toda a vida de Cristo é um mistério de recapitulação”. Santo Irineu explicou assim: “Quando ele se encarnou e se fez homem, recapitulou em si mesmo a longa história dos homens e, em resumo, nos proporcionou a salvação, de sorte que aquilo que havíamos perdido em Adão o recuperamos em Cristo Jesus”. Por isso, Cristo passou por todas as idades da vida, restituindo, com isto, aos homens a comunhão com Deus.
Em Romanos lemos: “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos”. A Igreja crê que “a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e Mestre” (GS,10). Sim, Jesus desceu à “mansão dos mortos”, libertou os justos e recapitulou todas as coisas mediante seu SIM fiel. Naquele “Lázaro, vem para fora”, podemos acolher o convite de Jesus a deixar aquelas amarras que nos paralisam e impedem de caminhar com vigor sempre crescente em direção à meta: a comunhão com Deus e com os irmãos.
Quando Jesus declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crê em mim não morrerá”, colocou os fundamentos da nossa fé na salvação que é Ele mesmo. A fé em Jesus é chave para darmos sentido ao viver e ao morrer. Lázaro, como outros ressuscitados por Jesus durante sua vida pública, acabou morrendo posteriormente. Para nós não será diferente, mas, se permanecermos fiéis no seguimento de Jesus, o que nos espera é a morada eterna dos ressuscitados em Cristo.
Jesus costumava hospedar-se na casa do amigo Lázaro sempre que passava por Betânia. Ter casa para morar com dignidade, poder hospedar alguém, nos coloca em condições de criar vínculos de fraternidade e fazer a humanidade crescer na unidade e na paz. Aquele que veio morar entre nós foi nos preparar um lugar na casa do céu.
Consigo perceber a ação restauradora da humanidade e do cosmos em Cristo Jesus e no seu Evangelho? Sinto-me incluído nessa nova condição?
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório
Fonte: ASCOM DIOCESE DE OSÓRIO / Melissa Maciel

