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Sindicato aponta atrasos em direitos trabalhistas na Clínica Cuidare e no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes em Torres

por Melissa Maciel
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Menos de quatro meses após as primeiras denúncias de atrasos salariais envolvendo a Clínica Cuidare Serviços de Diálise, em Torres, o problema voltou a ser alvo de fiscalização. Nesta sexta-feira (20), representantes do Sindisaúde realizaram visitas à unidade e também ao Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, dando sequência às apurações sobre possíveis irregularidades trabalhistas.

As dificuldades já haviam sido noticiadas pela Rádio Maristela em novembro de 2025, quando funcionários relataram atrasos no pagamento do complemento do piso da enfermagem e do 13º salário. Em dezembro, mesmo após uma regularização pontual, os problemas persistiram, motivando inclusive o registro de denúncia no Ministério Público do Trabalho. Agora, segundo o sindicato, novas evidências reforçam a reincidência das irregularidades.

De acordo com o advogado do Sindisaúde, Júlio Santana, a visita à Clínica Cuidare havia sido previamente agendada, mas a profissional designada para atender o sindicato não possuía informações relacionadas aos setores de recursos humanos ou contabilidade da empresa. Durante a fiscalização, relatos de trabalhadoras indicaram atraso no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de dúvidas sobre o cumprimento dos prazos legais para repasse do piso da enfermagem.

Conforme a legislação, os valores do complemento do piso devem ser repassados aos trabalhadores em até cinco dias úteis após o recebimento por parte da instituição. No entanto, segundo informações obtidas pelo sindicato, os pagamentos estariam sendo realizados apenas no final de cada mês. Diante disso, a entidade informou que irá verificar, junto aos sistemas oficiais do governo federal, as datas de repasse dos recursos para apurar possíveis irregularidades.

Ainda segundo o Sindisaúde, uma nova reunião com a direção da empresa, sediada em Porto Alegre, deve ser solicitada nos próximos dias. Caso as pendências não sejam regularizadas, outras medidas poderão ser adotadas.

A fiscalização também incluiu o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, onde, conforme o sindicato, foram identificados atrasos no depósito do FGTS. Além disso, foi questionado o pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo apenas para setores específicos, como higienização e emergência. Para o sindicato, por se tratar de um hospital de portas abertas, a discussão sobre a ampliação do benefício deve ser aprofundada, embora dependa de perícia técnica.

O Sindisaúde alerta que o atraso no FGTS pode resultar em rescisão indireta do contrato de trabalho, mecanismo que permite ao empregado encerrar o vínculo empregatício com direitos equivalentes a uma demissão sem justa causa. A entidade reforça a importância da regularidade nos pagamentos e da valorização dos profissionais da saúde, especialmente diante da escassez de mão de obra qualificada no setor.

Até o momento, não houve manifestação atualizada das direções das instituições sobre os apontamentos feitos durante a fiscalização desta sexta-feira.

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