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A reorganização política do governo municipal de Torres abriu uma nova crise na base aliada. Em entrevista à Rádio Maristela, nesta terça-feira (24), o vereador do PT, Moisés Trisch, afirmou que a entrada do Partido Progressista (PP) na gestão do prefeito Delci Dimer (MDB) pode provocar o rompimento definitivo do Partido dos Trabalhadores com o Executivo.
Reeleito com a maior votação já registrada para vereador no município, cerca de 1,7 mil votos, Moisés indicou que a permanência do PT no governo tornou-se politicamente inviável após a mudança de composição administrativa. Segundo ele, a decisão oficial será tomada em reunião partidária, na quarta-feira (25), mas sua posição pessoal já está definida. Moisés deixa a base governista por “coerência política”.
ALIANÇA ELEITORAL
Durante a entrevista, o vereador relembrou que a eleição municipal foi construída a partir de uma frente formada por MDB, PDT e pela Federação Brasil da Esperança, que é composta pelo PT, PV e PcdoB, conforme registro no TRE/RS. com o objetivo de encerrar o ciclo de 12 anos do PP no comando da prefeitura. Para ele, a vitória eleitoral representou mais um voto contra a continuidade da antiga gestão do que propriamente uma escolha individual pelo atual prefeito. Na avaliação do parlamentar, a aproximação com o PP contraria diretamente o discurso que sustentou a campanha eleitoral.
“A população optou por encerrar aquele ciclo. Por isso causa surpresa ver agora os mesmos grupos unidos dentro do governo”, afirmou. Moisés classificou a nova composição como um “arranjo político” voltado à sustentação do Executivo na Câmara de Vereadores.
ESPAÇO POLÍTICO
O vereador também revelou insatisfação com a condução interna da gestão desde o início do mandato. Segundo ele, partidos que participaram da eleição teriam sido gradualmente afastados das decisões estratégicas do governo.
De acordo com o vereador, o PT permaneceu na base durante o primeiro ano por compromisso com os eleitores e expectativa de amadurecimento administrativo do Executivo, mesmo diante de críticas de setores como servidores públicos, cultura e meio ambiente.
A demissão da então secretária de Assistência Social indicada pelo partido foi apontada como um dos sinais de ruptura política, especialmente após a entrada do PP e a reorganização do secretariado.
ESTABILIDADE POLÍTICA
Na leitura do vereador, a aproximação entre MDB e PP estaria relacionada à busca por maior segurança política dentro da Câmara, diante de um cenário de maioria considerada instável.
Ele afirmou acreditar que o prefeito buscou ampliar apoio parlamentar após enfrentar disputas internas e especulações sobre possíveis processos políticos, incluindo debates sobre CPIs e rumores de impeachment.
“Não faz sentido trazer para o governo justamente o grupo que foi apresentado como responsável pelos problemas que se prometia resolver”, declarou.
OPOSIÇÃO
Apesar do possível rompimento, Moisés afirmou que pretende manter diálogo institucional com o Executivo em pautas consideradas estratégicas para o município. Entre elas, citou a busca por recursos federais, projetos habitacionais, construção de unidade de saúde e articulações para implantação de um Instituto Federal em Torres.
O vereador destacou que a oposição será exercida dentro de critérios técnicos e políticos.
“O interesse público está acima das divergências. Vamos fazer uma oposição responsável, coerente e voltada ao bem da cidade.”
A possível saída do PT da base governista redesenha o equilíbrio político local e pode consolidar uma nova configuração entre governo e oposição já no segundo ano da atual administração. Outros partidos envolvidos na reorganização política em Torres serão convidados para entrevistas na Rádio Maristela nos próximos dias, com o objetivo de esclarecer à população os impactos do novo cenário na governabilidade do município.

