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“Fomos deixados de fora”, afirma presidente do PDT de Torres sobre governo municipal

por Melissa Maciel
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A relação entre o PDT e o governo municipal de Torres entrou em sua fase mais delicada desde a eleição. Em entrevista à Rádio Maristela, na quinta-feira, 26, o presidente do PDT no município, Paulo Sérgio Stuart Mariano, fez críticas diretas ao prefeito Delci Dimer, do MDB, e também ao vice-prefeito André Pozzi, do próprio PDT, indicando uma possível ruptura política após a entrada do PP na base aliada do governo municipal.

A fala não veio em tom protocolar. Paulo Sérgio afirmou que esperou mais de um ano por espaço de diálogo dentro da administração municipal e disse que a aproximação nunca aconteceu, nem mesmo após o período eleitoral.

Segundo ele, partidos que ajudaram a eleger o atual prefeito ficaram à margem das decisões políticas e administrativas desde o início do mandato, em janeiro de 2025.

“Esperávamos estar juntos prestando contas para a comunidade, mostrando o trabalho realizado. Essa oportunidade nunca existiu, nem dentro dos próprios gabinetes da prefeitura”, declarou.

O dirigente partidário afirma que não houve negociação prévia sobre cargos ou secretarias antes da eleição. A união, segundo ele, foi construída com base na confiança política e pessoal entre os integrantes da coligação. “Nossa preocupação era vencer a eleição. Acreditávamos na palavra e no caráter das pessoas envolvidas”, disse.

O PDT ainda não oficializou a saída da base governista. A decisão será tomada pelo diretório municipal nos próximos dias. Paulo Sérgio, porém, antecipou sua posição pessoal.

“Andar junto com promessas não cumpridas e com um líder que demonstrou não ter reconhecimento nem honestidade com a palavra é complicado”, declarou.

CONTRADIÇÃO

A possível ruptura ganhou força após a aproximação do governo com o PP, partido que havia sido rejeitado nas urnas, segundo a leitura política apresentada pelo presidente pedetista. Para ele, a mudança contradiz o discurso de renovação defendido durante a campanha.

“A população escolheu mudar. Um ano depois, trazer de volta o mesmo grupo político é um desrespeito com o eleitor”, afirmou.

Durante a entrevista, o presidente do PDT levantou ainda a hipótese de que a nova composição política esteja relacionada à busca por sustentação na Câmara de Vereadores. Ele citou diretamente o que chamou de “fantasma do impeachment” como elemento central das movimentações recentes.

O dirigente também criticou a condução da proposta de reforma administrativa enviada ao Legislativo. Segundo ele, partidos aliados não tiveram acesso ao conteúdo antes do envio e a Câmara recebeu o projeto sem debate prévio. “Mostraram um rascunho para algumas pessoas. Nós não tivemos acesso. A Câmara recebeu num dia para votar no outro. Deu no que deu”, afirmou.

Paulo Sérgio relata que tentativas de diálogo ocorreram ao longo do primeiro ano de governo, mas sem avanço. Ele afirma que decisões ficaram concentradas em um grupo restrito de pessoas próximas ao prefeito, dificultando a participação dos demais partidos da base.

A crise política expõe um cenário de instabilidade dentro do governo municipal e pode alterar o equilíbrio de forças na administração e no Legislativo. Caso o PDT confirme a saída, o governo perde um aliado importante na coligação que garantiu a vitória eleitoral.

Outro partido que integrou a coligação responsável pela eleição da atual administração, o Partido dos Trabalhadores, também tornou público seu posicionamento. Em nota oficial divulgada em 20 de março, o PT de Torres afirmou que a nova configuração política promovida pelo governo municipal representa o rompimento dos compromissos firmados durante o processo eleitoral, criticou a aproximação com o Progressistas e anunciou a saída da base de sustentação do governo, alegando falta de diálogo, desrespeito institucional e abandono do projeto político que havia sido apresentado à população.

Confira a entrevista na íntegra: