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A entrada do Progressistas na base do governo municipal de Torres não foi um movimento improvisado, mas uma resposta a um cenário político que, segundo o MDB, ameaçava a governabilidade. A avaliação foi apresentada pela presidente do partido no município, Rosa Lummertz, durante entrevista à Rádio Maristela nesta segunda-feira, 30, ao comentar a reorganização da base aliada liderada pelo prefeito Delci Dimer (MDB).
Secretária municipal de Educação e recém-alçada à presidência do MDB local após a saída do então dirigente, Rosa afirmou que assumiu o comando partidário de forma inesperada, mas diante da convicção de que o partido precisava manter estabilidade interna em um momento considerado decisivo para o governo. “Me caiu no colo, mas eu acredito no MDB e na proposta do partido. Era preciso assumir e organizar”, disse.

SUSTENTAÇÃO POLÍTICA
A dirigente sustenta que a aproximação com o PP ocorreu depois de tentativas frustradas de manter sustentação política apenas com os partidos que integravam a coligação original. Segundo ela, o prefeito enfrentava dificuldades para consolidar maioria na Câmara de Vereadores, situação que gerava desgaste administrativo e insegurança dentro da própria estrutura municipal. “O prefeito tentou governar com a base que tinha. Conversou, buscou diálogo, mas chegou um momento em que precisava fazer algo”, afirmou.
Rosa relata que integrantes do MDB alertaram o chefe do Executivo sobre o ambiente político que se formava na cidade, marcado por especulações e ruídos constantes. Entre as preocupações mencionadas estava o temor de instabilidade institucional, alimentado por comentários sobre possível impeachment, hipótese que ela afirma não possuir fundamento jurídico. “Não havia motivo real, mas o desgaste existia e isso começava a atrapalhar o trabalho das secretarias”, declarou.
Na avaliação da presidente, a decisão de buscar apoio em partidos que haviam sido adversários eleitorais exigiu coragem política do prefeito. Ela reconhece o impacto da escolha dentro da própria base e entre eleitores, mas sustenta que a prioridade passou a ser garantir condições de governar. “Foi uma decisão difícil. Ele sabia o que iria escutar, inclusive dentro do MDB, mas pensou na governabilidade”, disse.
MOSTRAR TRABALHO
A dirigente defende que, diante do novo cenário, as siglas partidárias devem ocupar papel secundário frente aos resultados administrativos. Para ela, o foco da gestão precisa permanecer na entrega de políticas públicas e na estabilidade institucional. “O que importa é o que vamos entregar para a população. Se chegamos até aqui, agora é trabalhar”, afirmou.
Rosa também confirmou que mudanças em secretarias já eram discutidas internamente e que o MDB buscou preservar espaços políticos dentro da reorganização administrativa. Segundo ela, a atuação como presidente partidária exigiu decisões estratégicas para manter a presença da legenda na estrutura do governo. “Como presidente, eu precisava pensar no partido. Tentei organizar para que o MDB permanecesse fortalecido”, explicou.
Apesar de divergências internas e manifestações públicas de insatisfação de lideranças políticas, a presidente defende cautela e diálogo para evitar aprofundamento da crise. Ela afirma que o MDB pretende manter unidade em torno do prefeito, a quem define como principal liderança da sigla no município. “O prefeito é do MDB e é nosso protagonista. A confiança permanece”, disse.
FUTURO POLÍTICO
Ao projetar o futuro político, Rosa evita antecipar cenários eleitorais e afirma que o momento exige concentração na gestão. Para ela, a recomposição da base deve reduzir tensões políticas e permitir maior continuidade administrativa. “Hoje não se pensa em siglas, se pensa em trabalho. A população quer resultado”, afirmou.
A entrevista também trouxe reflexões sobre o ambiente interno da administração. Segundo a dirigente, o excesso de disputas políticas vinha desviando a atenção de projetos e ações públicas, criando um clima de instabilidade entre equipes de governo. “Nós somos servidores da população. Não podemos trabalhar preocupados com quem fica ou quem sai”, disse.
Ao final da conversa, Rosa Lummertz reiterou apoio ao prefeito e pediu confiança aos filiados e eleitores do MDB diante da nova configuração política, defendendo que o momento exige equilíbrio e reconstrução de consensos dentro do governo municipal.




