
O fortalecimento da política pública de saúde voltada às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhou um novo capítulo no Litoral Norte gaúcho. Em entrevista concedida na quarta-feira (1º/04) à Rádio Maristela, o coordenador da 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, Robson Bobsin Brehm, e o prefeito de Torres, Delci Dimer, detalharam a implantação do Programa TEAcolhe no município, iniciativa que passa a oferecer atendimento especializado e regionalizado para pacientes de Torres e cidades vizinhas.
O serviço começou a operar oficialmente nesta semana e representa, segundo os gestores, uma resposta estruturada ao crescimento expressivo da demanda por acompanhamento multiprofissional relacionado ao autismo.
FINANCIAMENTO ESTADUAL
O TEAcolhe é uma política pública do Governo do Estado do Rio Grande do Sul voltada ao diagnóstico, acompanhamento e suporte terapêutico de pessoas com TEA. Em Torres, o programa atenderá também moradores de Morrinhos do Sul, Dom Pedro de Alcântara e Mampituba, dentro da lógica de regionalização da saúde.
De acordo com Robson, o serviço contará com financiamento estadual de aproximadamente R$ 100 mil mensais, destinado à manutenção da equipe técnica e da estrutura de atendimento. “O programa nasce como política pública consolidada. Existe o financiamento do Estado, mas ele só se torna realidade quando há interesse e articulação do município. Foi um trabalho conjunto para que Torres pudesse receber esse serviço”, destacou o coordenador regional.
A expectativa é atender cerca de 150 pacientes simultaneamente, com capacidade para aproximadamente 1.200 atendimentos por mês, considerando diferentes especialidades terapêuticas.
ATENDIMENTO MULTIPROFISSIONAL
A unidade está localizada na rua Firmino Paim, região central de Torres, em imóvel adaptado para receber os atendimentos especializados. O acesso ao programa ocorre por meio da rede pública de saúde: o paciente é identificado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e encaminhado via regulação estadual.
Cada caso passa por avaliação clínica individual, que define o plano terapêutico conforme a necessidade do paciente. A equipe inclui profissionais como psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, assistente social e nutricionista.
Segundo o coordenador regional da Saúde, nem todos os pacientes receberão todos os atendimentos. “O cuidado é personalizado. A equipe técnica avalia o quadro clínico e define quais terapias são necessárias”, explicou. Os usuários poderão realizar até oito atendimentos mensais, podendo chegar a duas sessões semanais, conforme indicação profissional.

DEMANDA CRESCENTE
Durante a entrevista, o prefeito Delci ressaltou que a implantação do TEAcolhe era uma demanda antiga da comunidade e começou a ser estruturada ainda em 2024, a partir de mobilização local e articulação política.
“É um trabalho construído a muitas mãos. Existia a necessidade identificada pelas famílias e pela rede de saúde. Hoje começamos a entregar esse serviço à sociedade, o que representa um avanço importante para o município”, afirmou.
O coordenador regional reforçou que o aumento da procura por atendimentos relacionados ao autismo acompanha uma tendência nacional de ampliação de diagnósticos e maior conscientização social.
Antes da implantação em Torres, a região contava com apenas um serviço semelhante em Capão da Canoa, considerado insuficiente para atender toda a demanda do Litoral Norte.
PERSPECTIVA FUTURA
A chegada do TEAcolhe em Torres representa não apenas a ampliação da assistência em saúde mental e desenvolvimento infantil, mas também um marco na organização da rede regional de cuidado contínuo.
Para os gestores, o programa consolida uma mudança de paradigma: sair do atendimento fragmentado para um modelo integrado, preventivo e multidisciplinar. Com a implantação gradativa, novos pacientes serão inseridos mensalmente até atingir a capacidade plena, permitindo rotatividade conforme altas terapêuticas e evolução clínica dos usuários.
A expectativa é que o serviço contribua para reduzir filas, qualificar diagnósticos precoces e oferecer suporte permanente às famílias, um dos principais gargalos históricos no atendimento às pessoas com TEA na região.
CONFIRA A ENTREVISTA:
FOTOS: DANIEL OLIVEIRA

