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Crer para além do que se vê sustenta a esperança pascal, afirma dom Jaime Pedro Kohl

por Melissa Maciel
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No tempo pascal, somos convidados a voltar o olhar para o centro da fé cristã, a ressurreição de Jesus, realidade que não se comprova pelos sentidos, mas que transformou a história e deu origem à Igreja. Em seu artigo, o bispo da Diocese de Osório, dom Jaime Pedro Kohl, reflete sobre a experiência dos discípulos, que, após a morte de Cristo, se viram desorientados até o encontro com o Ressuscitado, que se faz presente e oferece a paz, mesmo em meio ao medo e às portas fechadas.

A narrativa evangélica apresentada pelo bispo destaca o caminho da fé vivido pelos apóstolos, especialmente por Tomé, que resiste em acreditar sem ver. Ao reconhecer Jesus, ele professa uma das mais profundas declarações de fé, enquanto o próprio Cristo aponta para uma bem-aventurança que atravessa os séculos, a daqueles que creem sem ter visto. Dom Jaime sublinha que a ressurreição não se reduz a uma explicação racional, mas se sustenta no testemunho da comunidade e na experiência viva da fé partilhada.

Ao atualizar essa reflexão para os dias atuais, o bispo recorda que o Ressuscitado continua a se manifestar na vida da Igreja, sobretudo na comunidade reunida. É nesse espaço que o cristão é chamado a reencontrar a paz, renovar a esperança e fortalecer sua missão. O artigo convida a uma decisão concreta de fé, superar a lógica da prova e redescobrir a presença de Cristo na vida comunitária.

Leia a íntegra do artigo:

Feliz o que crê sem ter visto!

O tema que nos acompanha durante esse tempo pascal é o da ressurreição. Realidade que não podemos ver e tocar com nossas mãos, mas que deu origem **à** Igreja. Foi a notícia da ressurreição que desbloqueou o impasse dos discípulos frustrados com a morte daquele no qual tinham colocado toda a sua esperança: Jesus de Nazaré. 

O Evangelho deste domingo merece uma leitura atenta. Os discípulos estavam reunidos para ver como sair do vexame em que o Mestre os deixou. De repente, sem a porta se abrir, Jesus aparece no meio deles e os saúda: “A paz esteja com vocês” e mostra-lhes os sinais da paixão: “as mãos e o lado”. 

Podemos imaginar a alegria dos apóstolos ao verem o Mestre novamente. A comoção é tanta que precisou saudá-los uma segunda vez: “A paz esteja convosco!”, para caírem em si. Logo, entrega o mandato missionário: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio”.

Enquanto novo povo de Deus enviado, precisam da força do Espírito do Ressuscitado; por isso, soprando sobre eles, disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados”, conferindo-lhes o poder de continuar a ação salvadora de Jesus.

Tomé não estava no grupo na tarde daquele primeiro dia da semana. Os colegas contam que viram Jesus ressuscitado, mas ele não acredita. Oito dias depois, os apóstolos estavam novamente reunidos, e Tomé com eles. Como das outras vezes, estando as portas fechadas, Jesus se faz presente no meio deles, saudando-os com o mesmo augúrio: “A paz esteja com vocês!”. 

Agora o teimoso Tomé se rende e, caindo aos pés de Jesus, confessa: “Meu Senhor e meu Deus!”. Ao que Jesus retruca: “Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”. 

A tentação de Tomé, aceitar somente o que pode ser visto e explicado, tocado com nossas mãos, continua muito presente nos nossos dias. A ressurreição não é uma informação científica, mas um dado de fé, um testemunho qualificado da comunidade dos discípulos. Só pode ser encontrado frequentando a comunidade.

O Ressuscitado continua chegando e repetindo: “A paz esteja com vocês!”. Portanto, coragem, não tenhamos medo! Ele está vivo, no meio de nós e em nós! A forma privilegiada para experimentar sua presença é a participação na comunidade que se reúne e celebra os mistérios da fé cristã. Os que creem sem terem visto encontram a verdadeira paz.

Consigo perceber que, para ter a graça de encontrar o Ressuscitado, preciso voltar à comunidade?

Dom Jaime Pedro Kohl, Bispo de Osório