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A hipertensão arterial segue como uma das principais ameaças silenciosas à saúde da mulher, especialmente a partir dos 50 anos. O alerta ganha ainda mais relevância com a proximidade do dia 26 de abril, data nacional de conscientização sobre a doença. Em entrevista à Rádio Maristela, na segunda-feira, 13, a ginecologista e obstetra Dra. Andréia Castro reforça que prevenção e mudança de hábitos são determinantes para reduzir riscos e garantir qualidade de vida.

Segundo a especialista, a hipertensão é uma doença crônica, muitas vezes hereditária, cerca de 90% dos casos têm histórico familiar. No entanto, o fator genético não é sentença definitiva. “Os hábitos de vida são decisivos. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e combate ao sedentarismo são pilares que impactam diretamente na prevenção”, destaca.
ESTILO DE VIDA
Um ponto crítico está na transição hormonal feminina. Após a menopausa, há queda na produção de estrogênio, hormônio que protege os vasos sanguíneos. Com isso, eles se tornam mais rígidos, aumentando significativamente o risco de hipertensão, infarto e AVC. “A mulher passa a ter mais risco do que o homem após os 50 anos, justamente por essa perda de proteção natural”, explica a médica.
A orientação é clara! De acordo com a Dra. Andreia, a preparação deve começar antes. A partir dos 40 anos, a prática de exercícios de força, como musculação, deve ser incorporada à rotina. “É como um remédio preventivo. Duas vezes por semana já traz benefícios importantes, tanto para a pressão arterial quanto para a saúde óssea”, afirma. Além disso, a recomendação mínima é de 150 minutos semanais de atividade física.
Outro vetor de risco relevante está no estilo de vida contemporâneo. Sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de sal, álcool e tabagismo ampliam significativamente a probabilidade de desenvolver hipertensão. “A obesidade, sozinha, está associada a mais de 200 doenças. É um fator que desorganiza todo o sistema de saúde do organismo”, pontua.
DOENÇA SILENCIOSA


A médica também chama atenção para o caráter silencioso da doença. Muitas mulheres só descobrem a hipertensão quando já apresentam sintomas como dor de cabeça intensa, principalmente na nuca, tontura e visão turva. Por isso, a aferição regular da pressão arterial deve ser incorporada à rotina, mesmo na ausência de sinais aparentes.
No campo metabólico, o controle do colesterol é outro indicador estratégico. O LDL (colesterol ruim) deve permanecer abaixo de 100, enquanto o HDL (colesterol bom) precisa estar acima de 45. Níveis elevados contribuem para o acúmulo de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco cardiovascular.
A reposição hormonal, por sua vez, surge como uma ferramenta relevante, mas exige avaliação individualizada. Hoje, já se sabe que, quando bem indicada, pode contribuir para a proteção vascular mesmo em mulheres hipertensas. “Não é para todas. Cada caso precisa ser analisado considerando histórico, hábitos e fatores de risco”, ressalta a especialista.
A prevenção da hipertensão passa, obrigatoriamente, por disciplina e consistência nos hábitos. “Não existe solução milagrosa. É movimento, alimentação adequada e acompanhamento médico regular. Quem começa antes, sofre menos no futuro”, conclui.

