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O feriadão prolongado de Tiradentes movimentou as rodovias e levou milhares de turistas ao Litoral Norte. De acordo com as concessionárias responsáveis pelas estradas estaduais e federais da região, cerca de 300 mil veículos se deslocaram em direção às praias durante o período.

Apesar do alto fluxo registrado nas estradas, a ocupação na rede hoteleira ficou abaixo do esperado. A avaliação é da presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral Norte, Ivone Ferraz, que classificou o desempenho como mediano.
Em entrevista à Rádio Maristela, Ivone explicou que a taxa de ocupação ficou entre 50% e 60%, com grande rotatividade de visitantes ao longo dos dias.
“Foi de médio para bom. Não foi aquela lotação máxima. Tivemos um movimento com muita troca: entra hoje, sai amanhã. Ficou nessa faixa de 50% a 60%”, relatou.
Segundo a representante do setor, o principal desafio para ampliar o fluxo turístico na região está na falta de atrativos que vão além das belezas naturais. Atualmente, o litoral ainda depende fortemente das condições climáticas para atrair visitantes.
“As pessoas só saem de casa quando têm um motivo. Hoje, o nosso principal convite é o sol e o mar. Quando o tempo ajuda, o turista vem. Mas, se chove, praticamente não há o que fazer”, afirmou.
Ivone destacou que destinos consolidados, como os da Serra Gaúcha, conseguem manter o movimento turístico mesmo em períodos de chuva por oferecerem opções variadas de lazer, incluindo atrações em ambientes fechados.
“Outros lugares têm parques, espaços temáticos e atividades que funcionam em qualquer clima. Aqui, se chover, o turista não tem alternativa. Não vai caminhar na beira-mar, não vai aos cânions, não vai passear. Falta estrutura para esses dias”, explicou.
A dirigente também chamou atenção para os impactos diretos dessa limitação no desempenho econômico do setor. Segundo ela, períodos com maior volume de chuvas, como o último verão, já resultaram em queda significativa no movimento de hotéis e restaurantes.
“Tivemos uma redução de cerca de 30% na ocupação da hotelaria e também na gastronomia por causa do clima. Isso mostra o quanto ainda somos dependentes das condições do tempo”, pontuou.
Para reverter esse cenário, Ivone defende a necessidade de investimentos em novos empreendimentos e atrações turísticas que funcionem durante todo o ano, independentemente do clima.
“Enquanto não trouxermos investidores e criarmos opções que motivem as pessoas a sair de casa e vir para o litoral, continuaremos dependendo apenas do sol. E isso limita muito o crescimento do turismo na região”, concluiu.
Mesmo com os desafios, o feriadão de Tiradentes reforçou a importância do Litoral Norte como destino turístico no estado, evidenciada pelo grande volume de veículos nas rodovias. O cenário, no entanto, também aponta para a necessidade de diversificação da oferta turística para garantir maior permanência e retorno dos visitantes.
Fotos: Anderson Weiler/Grupo Maristela

