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A Prefeitura de Torres promoveu uma reunião intersetorial para tratar do atendimento à população em situação de rua e alinhar ações entre a assistência social e as forças de segurança do município. O encontro foi realizado no gabinete da secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Neusa Oriques, e contou com a participação de representantes da Brigada Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e responsáveis Casa de Passagem.
Um dos pontos destacados durante a reunião foi o cenário da segurança pública. De forma unânime, Brigada Militar e Polícia Civil apontaram que Torres está entre as cidades mais seguras do Litoral Norte, resultado do trabalho integrado e das operações realizadas de forma contínua no município. A Brigada Militar, por exemplo, realiza cerca de mil abordagens mensais, muitas delas em conjunto com a Guarda Municipal, especialmente em áreas com maior concentração de pessoas em situação de rua.
Apesar dos indicadores positivos na segurança, o encontro teve como foco principal o contexto social. Atualmente, o município contabiliza cerca de 82 pessoas em situação de rua, sendo 18 acolhidas na Casa de Passagem. Conforme a secretária, o número inclui tanto moradores fixos quanto pessoas em trânsito, realidade influenciada pela localização de Torres, na divisa com Santa Catarina, o que acaba atraindo pessoas de outras regiões.
Neusa Oriques destacou que o papel da assistência social é garantir direitos e promover a reintegração dessas pessoas à sociedade. Segundo ela, o trabalho envolve abordagem, escuta e a construção de alternativas, como o retorno ao município de origem, quando há interesse do usuário. Nesses casos, a prefeitura auxilia com passagens e encaminhamentos. No entanto, ela ressalta que não há imposição, já que a decisão final é da própria pessoa.
A Casa de Passagem é uma das principais ferramentas desse atendimento. O espaço oferece acolhimento temporário por até 90 dias, com plano individual para cada usuário, considerando sua realidade e necessidades. O objetivo é estimular a autonomia, o acesso ao trabalho e o restabelecimento de vínculos familiares. Recentemente, três pessoas deixaram o local após conseguirem emprego e alugar moradia, resultado considerado positivo pela gestão.
Outro desafio apontado envolve o perfil de parte da população em situação de rua, que inclui pessoas com transtornos mentais e dependência química. Nesses casos, o atendimento é realizado de forma integrada com a área da saúde, por meio de ações como o consultório na rua e encaminhamentos para tratamento, conforme a necessidade.
A reunião também discutiu a possibilidade de transferência da Casa de Passagem para a região da Estrada do Mar. A proposta ainda está em análise e depende de estudos jurídicos e estruturais, já que a área cogitada pertence à União. Além disso, há resistência de moradores da região, fator que também está sendo considerado pela administração municipal.
Outro ponto em andamento é a mudança da Casa de Acolhimento Estrela Guia, voltada a crianças e adolescentes, para um espaço maior e com melhores condições estruturais, atendendo a exigências legais e garantindo mais qualidade no atendimento.
O encontro evidenciou a complexidade do tema e a necessidade de atuação conjunta entre diferentes setores. A estratégia do município busca equilibrar ações de segurança com políticas públicas de inclusão social, tendo como foco a dignidade, o respeito aos direitos e a construção de alternativas para reduzir a vulnerabilidade.
Foto: Ascom PMT

