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Edgar Denardi, pioneiro do balonismo, relembra a origem do festival que projetou Torres ao cenário internacional

por Melissa Maciel
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A consolidação de Torres como Capital Nacional do Balonismo e reconhecimento internacional tem raízes em uma articulação empresarial iniciada no fim da década de 1980.

Um dos protagonistas desse movimento é o empresário Edgar Denardi, que participou diretamente da concepção do evento que viria a se tornar o Festival Internacional de Balonismo. Em entrevista ao Jornal do Mar, ele revisita os bastidores da criação, os desafios iniciais e os fatores que transformaram a iniciativa em um dos principais ativos turísticos da cidade.


JORNAL DO MAR – Quando surgiu a demanda por um novo evento em Torres após o fim da Febanana?

EDGAR DERNARDI – O balonismo surgiu a partir de uma conversa com Fernando Hening, representante de O Boticário no Estado, que comentou sobre um curso de piloto de balão no Rio de Janeiro. Propus a ele a realização de um evento em Torres. Ele considerava inviável pelos custos, mas insisti que a iniciativa privada local poderia viabilizar. A partir daí, a ideia começou a ganhar consistência.

JM – Qual foi o papel dos empresários locais na concepção do festival?
DENARDI – Foi determinante. O evento só aconteceu pelo envolvimento total da iniciativa privada. A proposta era criar uma atração capaz de movimentar a cidade na baixa temporada. Vale destacar que, em determinado momento, o festival chegou a correr risco de colapso por interferência política indevida.

JM – Quem mais esteve envolvido na articulação inicial?

DENARDI – O empresário Rubens de Rose teve papel fundamental. Como presidente da Associação dos Hotéis e Restaurantes, foi decisivo ao defender que investir no evento seria um retorno coletivo para o setor.

JM – A escolha pelo balonismo foi imediata?

DENARDI – Sim. Após o sucesso da Festa da Banana, que já havia impulsionado a economia local, o balonismo foi visto como uma alternativa estratégica para manter a cidade ativa fora da alta temporada.

JM – Como foi a primeira edição, em 1989?

DENARDI – Foi um sucesso total. A cada ano, o evento cresceu em dimensão. Um aspecto curioso é que a estrutura básica implementada naquela primeira edição permanece, em grande parte, até hoje.

JM – A mudança de data impactou o evento?

DENARDI – Sim. A decisão de transferir para abril/maio foi técnica, considerando melhores condições climáticas, especialmente menor incidência de ventos, o que trouxe mais segurança e previsibilidade.

JM – Quando Torres passou a ser reconhecida como cidade do balonismo?
DENARDI – Já na terceira edição havia esse reconhecimento informal. O título oficial de capital nacional veio apenas em 2024, como consequência natural da evolução do evento e da receptividade da cidade aos profissionais.

JM – O que levou ao reconhecimento internacional em 1999?

DENARDI – A credibilidade construída ao longo dos anos foi o principal fator. O festival ganhou reputação e passou a atrair participantes e atenção global.

JM – Qual o impacto atual do festival?

DENARDI – Hoje, Torres é reconhecida internacionalmente tanto pelas formações naturais, como o Morro do Farol e o Morro da Guarita, quanto pelo Festival de Balonismo, consolidando-se como destino turístico durante todo o ano.

JM – Quais os desafios para o futuro do evento?

DENARDI – Manter investimentos consistentes em divulgação e inovação, sem perder a essência que consolidou o festival. Esse equilíbrio é fundamental para garantir competitividade global.

JM – Os pioneiros do balonismo em Torres chegaram a imaginar o evento na dimensão que tem hoje?

DENARDI – No início, por mais otimistas que fôssemos, era impossível imaginar que o evento alcançaria a dimensão que tem hoje.