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Vento define ritmo e eleva nível técnico no segundo dia do 36º Festival Internacional de Balonismo em Torres

por Melissa Maciel
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O segundo dia de competições do 36º Festival Internacional de Balonismo em Torres, nesta sexta-feira, 1º de maio, foi marcado por um elemento determinante, o vento. Mais intenso em altitude e estável em direção, ele redesenhou a dinâmica das provas e trouxe mais previsibilidade às estratégias dos pilotos. Ao contrário da véspera, quando a instabilidade retardou decolagens e dificultou aproximações, a manhã desta sexta-feira apresentou um cenário mais técnico e, ao mesmo tempo, mais rápido.

De acordo com Lasier França, do Blog Balonismo, que integra a equipe de cobertura da Rádio Maristela no Festival, as rajadas que chegaram a cerca de 35 km/h em camadas superiores tornaram a leitura do vento um fator crítico. Próximo ao solo, as condições eram mais seguras, permitindo pousos controlados, um requisito fundamental para a validação das tarefas. A diferença de intensidade entre níveis, no entanto, exigiu habilidade refinada dos competidores. Em poucos metros de altitude, a velocidade praticamente triplicava, impactando diretamente na navegação e no posicionamento para os alvos.

PROVAS EXIGENTES

A programação técnica incluiu três tarefas competitivas: o fly in com alvo em Passo de Torres/SC, além das provas Gordon Bennett e alvo declarado no parque. A proposta exigiu precisão milimétrica e leitura estratégica do deslocamento do balão. A prova do mastro, com um maçarico de R$ 30 mil, um dos atrativos do dia, voltou a mobilizar equipes e público, embora sem vencedor nesta rodada, o que mantém a expectativa para as próximas janelas de voo.

O comportamento mais previsível do vento permitiu decolagens antecipadas e uma execução mais objetiva das tarefas. Por volta das 8h40, a maior parte das provas já havia sido concluída, um contraste direto com o dia anterior, quando a variabilidade atrasou a operação.

AVALIAÇÃO TÉCNICA

Na leitura de Lasier, o campeonato ainda está em fase de consolidação. Apesar da liderança momentânea dos brasileiros Guilherme Pardilha, seguido por Kaio Chemin e o argentino Fernando Cescato, a margem de pontuação é considerada estreita diante do volume de pontos ainda em disputa.

A análise aponta para um cenário de alta competitividade. A diferença entre os primeiros colocados e o pelotão intermediário não é suficiente para consolidar favoritismo. Com mais de 13 mil pontos ainda em jogo, qualquer erro de execução ou mudança nas condições climáticas pode alterar significativamente o ranking.

Lasier também destaca que o vento definido favorece a tomada de decisão rápida, mas eleva o grau de exigência técnica. “Quando a direção está clara, o piloto precisa acertar na estratégia desde a decolagem. Não há muito espaço para correção ao longo do percurso”, resume.

FESTIVAL EM ESCALA GLOBAL

Além do aspecto esportivo, o evento reafirma seu posicionamento no cenário internacional. Embora não lidere em número absoluto de balões, posto ocupado por festivais como Albuquerque e León, Torres se consolida como o maior do hemisfério sul, ampliando relevância e capacidade de atração.

Para o público, o impacto também foi direto. A concentração das atividades em janelas mais curtas levou a uma rápida migração para outras áreas do parque, impulsionando o movimento na feira comercial e reforçando a importância da diversificação de atrações ao longo do dia.

CLIMA COMO VARIÁVEL

A projeção para os próximos dias mantém o clima como fator decisivo. Há expectativa de novas janelas de voo pela manhã, especialmente no sábado e domingo, enquanto as condições da tarde inspiram cautela, com previsão de ventos mais intensos.

No radar da organização e das equipes, a estratégia passa a ser gestão de risco e aproveitamento máximo das oportunidades. Em um campeonato ainda aberto, a consistência tende a ser mais valiosa do que performances isoladas.

Fotos: @@erikahendlerfotografia

Confira a entrevista: