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Tinta azul em pinguins encontrados mortos nas praias de Torres não indica vazamento de óleo, esclarece biólogo

por Melissa Maciel
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Um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um pinguim morto na faixa de areia da Praia Grande, em Torres, assim como outros encontrados na Praia Itapeva, marcados com tinta azul, gerou preocupação entre moradores e frequentadores do litoral gaúcho. A cena levou algumas pessoas a suspeitarem de contaminação por óleo, levantando dúvidas sobre a possível causa da morte das aves marinhas. No entanto, o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR/UFRGS), por meio do coordenador de base do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BP), o biólogo Daniel Danilewicz, esclarece que a marcação faz parte de um protocolo técnico de monitoramento ambiental realizado diariamente nas praias da região, com a utilização de tinta não tóxica.

Daniel explica que a tinta azul é aplicada pelas equipes do Projeto com o objetivo de evitar a recontagem do mesmo animal durante as vistorias realizadas ao longo do litoral.

“A marcação é feita para controle técnico. As carcaças são pintadas para monitorar o número de animais encontrados e evitar que o mesmo registro seja contabilizado mais de uma vez”, explica o biólogo.

MONITORAMENTO

O trabalho integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), uma condicionante ambiental exigida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o licenciamento de atividades de pesquisa sísmica marítima voltadas à exploração de petróleo e gás na costa sul brasileira.

As atividades sísmicas utilizam ondas sonoras no oceano para mapear estruturas geológicas no subsolo marinho, permitindo identificar possíveis reservas de petróleo. Como medida preventiva, o Ibama exige o acompanhamento contínuo dos possíveis impactos dessas operações sobre a fauna marinha.

Segundo Daniel, as equipes percorrem diariamente as praias em busca de animais vivos debilitados, mortos ou encalhados.

“O monitoramento é feito principalmente para recolher animais vivos em situação de debilidade e registrar os encalhes. As carcaças permanecem na praia por pouco tempo, porque normalmente as prefeituras realizam o enterro. Por isso as equipes saem cedo, antes da limpeza da faixa de areia, para fazer a contagem e coleta de dados”, detalha.

O especialista destaca ainda que o objetivo do projeto não é realizar o recolhimento das carcaças, mas sim produzir dados científicos capazes de avaliar possíveis impactos ambientais das atividades marítimas.

Além das equipes em terra, o programa conta com observadores embarcados nos navios sísmicos e monitoramento por telemetria de espécies marinhas, como baleias e golfinhos, permitindo acompanhar alterações comportamentais antes, durante e após a emissão das ondas sonoras no mar.

As ações do PMP-BP envolvem profissionais de diferentes áreas, como biologia, oceanografia e medicina veterinária, contratados pelas empresas responsáveis pelas operações sísmicas.

A orientação dos pesquisadores é que, ao encontrar animais marinhos encalhados, vivos ou mortos, a população evite tocar nos animais e acione imediatamente a equipe técnica do Projeto de Monitoramento de Praias pelo telefone (51) 3308-1263.

FOTO: PMP-BP/REPRODUÇÃO