
No artigo deste final de semana, 06 e 07 de junho, o bispo da Diocese de Osório, dom Jaime Pedro Kohl, convida os fiéis a refletirem sobre o Evangelho de Mateus, que relata o chamado do apóstolo Mateus e o momento em que Jesus se senta à mesa com cobradores de impostos e pecadores. A partir da passagem bíblica, o texto destaca a simplicidade de Cristo e sua disposição em acolher aqueles que mais necessitam de conversão, amor e misericórdia.
Ao desenvolver a reflexão, dom Jaime ressalta que Jesus continua convidando os cristãos para a mesa da Palavra e da Eucaristia, sem excluir ninguém por suas fragilidades. O artigo também provoca uma análise sobre os relacionamentos e convivências do cotidiano, questionando com quem nos sentamos à mesa e de que forma respondemos ao chamado de Cristo para viver a fraternidade, superar o egoísmo e praticar o amor incondicional.
Leia a íntegra do artigo:
Jesus à mesa com os pecadores
No evangelho deste domingo, Mateus descreve sua resposta ao chamado de Jesus: “Jesus viu um jovem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos” (Mt 9, 9-10). A simplicidade e a sobriedade do evangelista ao falar daquele momento são de uma beleza incrível. E o comentário que o Pe. Virgílio (Paulino) na Liturgia Diária faz é igualmente bela que a trago aqui na íntegra:
[Um dos gestos mais agradáveis da vida é sentar-se à mesa com os amigos mais chegados e tomar com eles uma refeição temperada com o azeite da alegria, ainda que no cardápio não figure outra iguaria, senão arroz com feijão.
Quando a mesa se povoa de amigos sinceros, não é o cardápio que importa. Ainda por cima quando a gente pode contar com a presença do Mestre como hospede de luxo. Perdão! Jesus não é nenhum luxo: é o amigo mais pobre e mais simples que se possa imaginar.
Ele não vem para ser enfeite de nossas festas: vem fortalecer nossa vida de pobres pecadores. Não vem para ser estatua de mármore em nosso jardim; vem para ser o fundamento de nossas famílias. Nem vem para sentar-se à mesa do restrito número de santos; vem para sentar-se à mesa com os pecadores.
É bem possível que, a partir do momento em que ele se mistura conosco, nosso pecado vá se apagando e desaparecendo, para dar lugar à fraternidade e ao amor.
Hoje, com maior frequência que outrora, Jesus pede para sentar-se à nossa mesa. Só que agora ele não se contenta apenas em receber convites, como também os faz. Não apenas aceita um banquete, como também o oferece. Os convidados, porém, são sempre os mesmos: os pecadores, isto é, nós. E o banquete é a Eucaristia.
Não é o caso de nos escandalizarmos pelo fato de Jesus se cercar de pecadores. Apenas ele não se dá muito com aqueles que se julgam santos e perfeitos. Se Jesus quisesse excluir de sua mesa a classe dos pecadores correria o risco de ficar sozinho.
O convite de Cristo, porém, exige de nós empenho e um desafio: ele pede que nos libertemos do nosso egoísmo e nos entreguemos à prática do amor incondicional].
E nós com quem costumamos sentar-se à mesa? Como são nossos convívios? Valorizamos os convites de Jesus para aproximar-nos à mesa da Palavra e da Eucaristia?
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório
FONTE: ASCOM DIOCESE DE OSÓRIO / MELISSA MACIEL

