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O Instituto Nacional de Meteorologia acendeu um alerta para os próximos meses no Sul do Brasil. Em entrevista à Rádio Maristela na terça-feira (23), o meteorologista do órgão, Marcelo Schneider, afirmou que o fenômeno El Niño deve ganhar força ao longo do inverno e atingir seu pico entre setembro e novembro, aumentando o risco de chuva intensa, temporais e eventos extremos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
MUDANÇA NO INVERNO
Segundo Marcelo, o aquecimento das águas do Pacífico já está cerca de 1,5°C acima da média, e as projeções indicam que esse aquecimento pode atingir níveis considerados fortes ou muito fortes até a primavera.
“Temos uma grande certeza de que vamos ter condições para mais chuva, mais eventos de tempestade e mais umidade, principalmente de julho em diante”, afirmou o meteorologista.
O especialista explicou que o El Niño altera a circulação atmosférica e favorece o bloqueio das frentes frias na região central do Brasil. Com isso, os sistemas de chuva tendem a permanecer mais tempo sobre o Sul do país.
LITORAL NORTE
Para o Litoral Norte gaúcho e o Sul catarinense, a preocupação é com volumes elevados de precipitação, especialmente em áreas de encosta.
“Quando tem uma precipitação de mais de 100 milímetros em 24 horas, regiões como Caraá, Marquiné e áreas de encosta da Serra precisam ficar muito atentas”, destacou.
Apesar de a tendência indicar que os maiores acumulados possam ocorrer no norte e noroeste do Estado, Marcelo ressaltou que Torres e o sul de Santa Catarina seguirão o mesmo padrão de instabilidade da metade norte gaúcha.
PRÓXIMAS SEMANAS
O meteorologista informou que a mudança de padrão deve começar já na próxima semana, com maior intensidade a partir da virada de julho para agosto.
“Na segunda metade do inverno, vamos precisar de um monitoramento muito mais constante”, alertou.
O INMET também trabalha com cenários que lembram episódios históricos de El Niño, como os de 1982/83 e 1997/98, embora Marcelo ressalte que cada evento possui características próprias.
APRENDIZADO
Ao comentar as enchentes de 2024, o meteorologista afirmou que o RS hoje está mais preparado em relação ao monitoramento e à emissão de alertas.
“Talvez a grande diferença em relação a 2023 e 2024 seja o aparelhamento muito melhor em termos de sensores, monitoramento e comunicação dos alertas”, avaliou.
Marcelo orientou a população a acompanhar os avisos oficiais do INMET e da Defesa Civil, que podem ser recebidos diretamente no celular por meio dos aplicativos de alerta meteorológico.
O QUE ESPERAR
Julho a novembro
- Mais chuva no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
- Aumento da frequência de temporais e granizo.
- Risco de acumulados elevados entre julho e novembro.
- Pico do El Niño previsto para setembro, outubro e novembro.
- Maior atenção em áreas de encosta do Litoral Norte e do sul catarinense.
De acordo com o INMET, o cenário atual exige atenção redobrada da população e dos órgãos de defesa civil, especialmente na segunda metade do inverno e durante a primavera.

