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Em entrevista à Rádio Maristela, os vereadores Gibraltar P. Cipriano Vidal (Progressistas), o Gimi, e José Ricardo Ribeiro Milanez (PL) defenderam maior representatividade política da região para ampliar os investimentos estaduais e federais na área da saúde, além de comentarem a reforma administrativa em tramitação no Legislativo e outros projetos em análise, como os relacionados ao descarte de bitucas de cigarro e à regulamentação do uso de bicicletas elétricas.

Em seu oitavo mandato, Gimi afirmou que os problemas enfrentados pelo Hospital Nossa Senhora dos Navegantes não são recentes nem estão ligados exclusivamente à atual gestão municipal. Segundo ele, a principal dificuldade está na insuficiência dos recursos destinados pelo Estado e pela União para custear um hospital que atende pacientes de nove municípios do Litoral Norte.
O parlamentar comparou os repasses destinados a hospitais regionais e afirmou que Torres recebe valores significativamente inferiores aos de cidades como Osório e Tramandaí, apesar da importância estratégica do município. Para ele, enquanto não houver uma revisão no financiamento da saúde e na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), o problema continuará se repetindo.
Milanez reforçou o diagnóstico e destacou que a cidade deixou de ser apenas um destino turístico para se tornar um município com crescimento populacional, forte expansão da construção civil e demandas permanentes por serviços públicos. Segundo ele, a estrutura hospitalar não acompanhou essa evolução.
Os vereadores também defenderam a necessidade de fortalecer a articulação política do Litoral Norte para garantir mais investimentos estruturantes na saúde, reduzindo a dependência de emendas parlamentares, consideradas importantes, mas insuficientes para resolver os problemas históricos do setor.
GESTÃO MUNICIPAL
Sobre a recente troca no comando da Secretaria Municipal da Saúde, ambos avaliaram positivamente o início do trabalho da nova secretária. Milanez afirmou perceber melhorias na organização dos serviços, maior humanização no atendimento e redução das reclamações da população.
Gimi destacou que a gestão enfrenta limitações orçamentárias e burocráticas, lembrando que muitas obras e investimentos dependem de processos licitatórios e da disponibilidade financeira. Para ele, mesmo com avanços na administração municipal, permanecem desafios como a falta de exames, consultas especializadas, cirurgias e leitos hospitalares.
REFORMA ADMINISTRATIVA
Outro tema abordado foi a reforma administrativa encaminhada pelo Executivo à Câmara. O vereador Gimi afirmou que ainda está analisando o projeto e defendeu um debate técnico, ouvindo servidores, Executivo e demais setores antes da votação.
Segundo ele, o projeto prevê a criação de 66 cargos e não mais de uma centena, como vem sendo divulgado. O vereador ressaltou que a Câmara possui competência para apresentar emendas que reduzam cargos ou alterem dispositivos, mas não pode ampliar despesas do Executivo.
Entre as mudanças previstas estão a criação da Secretaria de Bem-Estar Animal e da Secretaria de Segurança Pública, desmembrada da atual estrutura administrativa.
Milanez também defendeu cautela na análise da proposta. Segundo ele, parte significativa dos novos cargos exige formação técnica específica, afastando a ideia de que todas as vagas seriam exclusivamente políticas. O vereador afirmou que o voto será definido somente após estudo detalhado do projeto.
SERVIDORES
Durante a entrevista, Gimi ainda chamou atenção para a necessidade de revisar o plano de carreira dos servidores do quadro geral do município. Segundo ele, categorias como motoristas da saúde e servidores da Secretaria de Obras recebem salários incompatíveis com a responsabilidade e os riscos das funções exercidas.
Milanez concordou com a necessidade de valorização dos servidores e também manifestou preocupação com a situação do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município, defendendo acompanhamento permanente da sustentabilidade do sistema.
Além da saúde e da reforma administrativa, os parlamentares informaram que a Câmara também deverá discutir nas próximas semanas projetos relacionados ao descarte de bitucas de cigarro em espaços públicos e à regulamentação da circulação de bicicletas elétricas, temas que vêm sendo debatidos no Legislativo diante do aumento das demandas da população.


FOTOS: JULIANA TAMAKI

