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Uma mudança na estrutura administrativa da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) tem mobilizado estudantes e professores da Campus de Torres. A mantenedora da instituição decidiu extinguir as coordenações locais dos cursos em todas as unidades do país, centralizando a gestão acadêmica em uma Coordenação Nacional.
A decisão foi comunicada aos coordenadores de curso durante uma reunião na tarde de quinta-feira, 02. A partir do fim de julho, os profissionais deixarão as funções de coordenação e permanecerão atuando exclusivamente como docentes.
A mudança passou a repercutir entre estudantes de Torres, que iniciaram manifestações nas redes sociais e organizam um abaixo-assinado pedindo a revisão da medida.
POSIÇÃO DA ULBRA TORRES
Em entrevista à Rádio Maristela, o diretor da Ulbra Torres, Diego Antônio Viana Gomes, explicou que a decisão não partiu da unidade local, mas da mantenedora da instituição.
Segundo ele, todas as unidades da Ulbra no Brasil passarão a seguir o novo modelo.
“Foi a mantenedora, que é a dona de todas as Ulbras no Brasil, que fez uma alteração em nível nacional. Foram criados coordenadores de curso em nível nacional e os coordenadores das unidades deixarão a função de coordenação para permanecer apenas como professores.”
De acordo com o diretor, o objetivo da mudança é permitir que os atuais coordenadores concentrem sua atuação exclusivamente na docência.
“A ideia da instituição é fazer com que eles se dediquem exclusivamente à atenção ao aluno dentro da sala de aula.”
Questionado sobre a nova estrutura, Diego confirmou que cada curso passará a contar com apenas uma coordenação nacional.
POSIÇÃO DE PROFESSORES
Apesar do posicionamento oficial da instituição, professores ouvidos pela reportagem avaliam que a mudança pode trazer dificuldades para a rotina acadêmica.
Uma docente da universidade, que preferiu não ser identificada por receio de represálias, afirmou que a principal preocupação é a perda da autonomia das unidades.
Segundo ela, a presença de um coordenador na própria instituição facilita o acompanhamento dos estudantes, agiliza decisões acadêmicas e permite respostas mais rápidas às demandas específicas de cada curso.
A avaliação é de que uma coordenação centralizada poderá tornar alguns processos mais lentos e distantes da realidade de cada campus.
POSIÇÃO DOS ESTUDANTES
Representantes estudantis da Ulbra Torres divulgaram uma nota pública criticando a decisão da universidade de centralizar as coordenações dos cursos em nível nacional. O documento é assinado pelo presidente do Centro Acadêmico de Direito, Bruno Boff, pela presidente do Diretório Estudantil Ana Néri, Katieli Santana, e pela presidente do Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo, Giovana Giacomelli.
Na nota, os estudantes afirmam que a decisão foi tomada de forma “vertical, sem diálogo e sem consideração” com os coordenadores e com a comunidade acadêmica. Eles argumentam que a ausência de coordenações locais poderá impactar diretamente o atendimento aos alunos e a condução das atividades acadêmicas.
Segundo o posicionamento, os coordenadores desempenham funções que vão além da gestão administrativa, atuando na organização das grades curriculares, orientação de matrículas e rematrículas, aproveitamento de disciplinas, planejamento de atividades extracurriculares, mediação de conflitos e acompanhamento individual dos estudantes. Para os representantes, a proximidade entre coordenadores e alunos é um dos diferenciais da instituição.
Os estudantes também manifestam preocupação de que a centralização possa afetar a qualidade do atendimento e contribuir para a evasão acadêmica. No documento, afirmam que a medida representa “a gota d’água” diante de outras mudanças recentes na instituição e pedem que a decisão seja revista, mantendo as coordenações locais dos cursos.
MOBILIZAÇÃO
Além da divulgação de uma nota pública e da organização de um abaixo-assinado em defesa das coordenações locais, estudantes da Ulbra Torres convocaram uma mobilização para a próxima segunda-feira, 6 de julho, às 19h, no campus da universidade.
A iniciativa, divulgada pelas redes sociais dos centros acadêmicos e do diretório estudantil, tem como objetivo reunir alunos em defesa da manutenção das coordenações de curso na unidade de Torres.
NOTA OFICIAL
Em nota oficial encaminhada à Rádio Maristela, a universidade afirma que a criação da Coordenação Nacional de Cursos busca fortalecer a qualidade acadêmica e reduzir as atribuições administrativas dos professores.
Segundo a instituição, os atuais coordenadores passarão a dedicar integralmente seu tempo ao ensino, ao planejamento de aulas, à orientação de projetos e ao acompanhamento dos estudantes.
A universidade também informa que o atendimento presencial permanecerá sendo realizado normalmente em cada unidade por meio da Secretaria e da Coordenação Acadêmica, enquanto a Coordenação Nacional ficará responsável pela gestão estratégica dos cursos em todo o país.

