>> Siga o canal do Grupo Maristela no WhatsApp
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Torres defende uma reavaliação do sistema de estacionamento rotativo durante os meses de baixa temporada. Segundo a entidade, a cobrança tem sido uma das principais reclamações dos comerciantes e pode estar contribuindo para a redução do movimento no comércio local, especialmente nos meses de junho, julho e agosto, tradicionalmente os mais difíceis para o setor. O tema foi um dos destaques da entrevista concedida pela secretária executiva da CDL, Viviane Fernandes, e pela conselheira e assessora jurídica da entidade, Patrícia de Souza Mariano, à Rádio Maristela, nesta sexta-feira, 17.
De acordo com Viviane, embora o estacionamento rotativo tenha melhorado a rotatividade de vagas em algumas avenidas de maior fluxo, a realidade é diferente em ruas comerciais do Centro, como a Joaquim Porto e a José Bonifácio. “Hoje, a principal reclamação do comércio é o estacionamento rotativo. Tem ruas que não têm aquele movimento para a pessoa estacionar, comprar e sair rapidamente. Muitas vezes ela quer visitar mais de uma loja, resolver algo no banco e acaba desistindo por causa do tempo e do custo”, afirmou.
A representante da CDL sugere que a Prefeitura e a empresa responsável pelo sistema estudem medidas específicas para o período de inverno. “Talvez nesses três meses, que são os mais difíceis para o comércio, pudesse haver outro formato para o estacionamento rotativo. Seria importante fazer um estudo pensando na realidade da baixa temporada”, defendeu.
Viviane destacou que o modelo funciona em locais de grande circulação, mas acredita que o sistema precisa ser adaptado conforme a característica de cada região comercial. “Na avenida, onde a pessoa para cinco ou dez minutos, funciona muito bem. Mas em áreas onde o consumidor precisa permanecer mais tempo ou visitar vários estabelecimentos, a situação é diferente.”
Outro ponto levantado foi o aumento dos custos para quem ultrapassa o tempo inicialmente contratado, além dos casos de motoristas que acabam esquecendo de renovar o ticket e recebem multas. Segundo ela, esse cenário também afasta consumidores do Centro.
COMÉRCIO ENFRENTA INVERNO DIFÍCIL
Além da discussão sobre o estacionamento rotativo, a CDL voltou a demonstrar preocupação com o desempenho do comércio após uma temporada de verão considerada abaixo das expectativas.
Viviane afirmou que o cenário se agravou ao longo do primeiro semestre e refletiu no fechamento de estabelecimentos, tanto em Torres quanto em outras cidades do litoral e da Serra Gaúcha.
“A expectativa era de que a temporada equilibrasse um pouco as contas para chegarmos ao inverno com mais tranquilidade, mas aconteceu justamente o contrário. Muitas lojas precisaram fazer liquidações antes mesmo do fim da estação para conseguir pagar suas mercadorias”, relatou.
Ela também apontou o crescimento das vendas pela internet como um dos principais desafios enfrentados pelo comércio físico.
AÇÕES PARA MOVIMENTAR A CIDADE
A CDL informou que, ainda em março, promoveu uma reunião com diversas entidades ligadas ao comércio e ao turismo para discutir alternativas que ajudassem a movimentar a economia durante a baixa temporada.
Participaram representantes do Sindilojas, Associação Comércio, Indústria, Serviços, Agronegócio, Turismo de Torres (Acisatt), Associação Orla Gastronômica do Rio Mampituba, Sindicato de Hotéis e Restaurantes do Litoral Norte, União das Associações de Moradores de Torres, Associação dos Contabilistas de Torres e Região (Ascont) e Associação das Construtoras e Incorporadoras de Torres (Actor). O objetivo era construir um calendário conjunto de eventos que pudesse atrair visitantes durante o inverno.
Segundo Viviane, apesar das reuniões realizadas com representantes da Prefeitura e da Secretaria de Turismo, as propostas não avançaram.
“Foi construído um calendário pelas entidades para fomentar o turismo e o comércio, mas infelizmente nada se concretizou. A gente não entende por que outras cidades conseguem desenvolver eventos no inverno e Torres ainda encontra tantas dificuldades”, declarou.
ECONOMIA LOCAL
A assessora jurídica da CDL, Patrícia de Souza Mariano, reforçou a importância da população priorizar as compras no comércio local como forma de fortalecer a economia do município.
“A CDL trabalha justamente para incentivar essa cultura de comprar em Torres. Isso gera emprego, movimenta a economia e beneficia toda a cidade. Quando a população compra no comércio local, ajuda as empresas a manterem seus funcionários e cria um ciclo positivo para toda a comunidade”, destacou.
Patrícia também observou que o comércio físico enfrenta custos que não existem nas vendas pela internet, como aluguel, folha de pagamento e despesas operacionais, fatores que dificultam competir apenas pelo preço.
Além das pautas relacionadas ao comércio, a CDL apresentou novos benefícios aos associados, incluindo convênios nas áreas de saúde, serviços financeiros e uma parceria com a General Motors que pode oferecer descontos na aquisição de veículos por empresas associadas.
Foto: Juliana Tamaki

