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Torres recebeu reforço no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica durante a Operação Mulher Segura, promovida pela Brigada Militar no mês de julho. A iniciativa intensifica a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e fortalece a atuação da rede de proteção no município, que atualmente possui 326 mulheres cadastradas no programa Patrulha Maria da Penha, o maior número entre os municípios do Litoral Norte.

O tema foi abordado durante entrevista na Rádio Maristela, que reuniu representantes da Brigada Militar, do Centro de Referência da Mulher (CRM) e da Diretoria da Mulher. Participaram da conversa a soldado Cimara Carpes Obenglindler, o soldado Roger, a psicóloga do CRM, Vânia Gisleine Schmitz, e a diretora da Mulher, Rita de Cássia Yeager.
Segundo a soldado Cimara, que atua há cerca de seis anos e meio na Patrulha Maria da Penha em Torres, o município foi contemplado com o reforço de dois policiais militares devido ao elevado número de medidas protetivas em vigor. Conforme ela, os policiais auxiliarão nas visitas de fiscalização e no acompanhamento das vítimas, além de reforçar o monitoramento do cumprimento das determinações judiciais pelos agressores.
A diretora da Mulher, Rita de Cássia Yeager, destacou que o Centro de Referência da Mulher atua há mais de dez anos em Torres oferecendo acolhimento e acompanhamento psicossocial às vítimas de violência doméstica. O serviço atende os sete municípios da comarca (Torres, Arroio do Sal, Três Cachoeiras, Três Forquilhas, Morrinhos do Sul, Mampituba e Dom Pedro de Alcântara) e recebe encaminhamentos da Brigada Militar, do Poder Judiciário e de outros órgãos da rede de proteção.
A psicóloga Vânia Gisleine Schmitz explicou que o trabalho desenvolvido pelo CRM busca fortalecer as mulheres para romper o ciclo da violência, processo que, segundo ela, costuma ser complexo e exige acompanhamento especializado e atuação integrada entre diferentes instituições.
Torres lidera número de mulheres acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha
Durante a entrevista, os representantes da rede divulgaram que Torres possui atualmente 326 mulheres cadastradas na Patrulha Maria da Penha, número superior ao registrado em outros municípios do Litoral Norte, como Tramandaí e Capão da Canoa.
Conforme os profissionais, esse dado não significa necessariamente que Torres seja a cidade mais violenta da região, mas pode indicar que mais mulheres estão procurando os serviços de proteção e denunciando os casos de violência. Eles também ressaltaram que muitos episódios ainda permanecem subnotificados em razão do medo ou da dependência das vítimas em relação aos agressores.
Violência vai além das agressões físicas
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de conscientizar a população de que a violência doméstica não se resume às agressões físicas.
Segundo os integrantes da rede de proteção, a violência pode ocorrer de diferentes formas, incluindo violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e física. Também foi citada a violência vicária, caracterizada quando o agressor atinge pessoas, animais de estimação ou bens com valor afetivo para causar sofrimento à vítima.
Os profissionais alertaram que a agressão física costuma ser a etapa mais visível de um ciclo que, na maioria das vezes, começa com ameaças, humilhações, controle excessivo, isolamento e outras formas de violência emocional.
Canais de denúncia
A Brigada Militar reforçou que denúncias podem ser feitas pelo telefone 190 ou pelo WhatsApp (51) 98555-2480, canal que permite o envio de mensagens, áudios e localização, facilitando o atendimento das ocorrências.
Já o Centro de Referência da Mulher disponibiliza atendimento e orientações pelo WhatsApp (51) 9456-1977, utilizado tanto para contato com mulheres que possuem medidas protetivas quanto para acolhimento e esclarecimento de dúvidas.
Ao final da entrevista, os representantes da rede fizeram um apelo para que vítimas e testemunhas denunciem casos de violência doméstica. Eles destacaram que vizinhos, familiares e qualquer pessoa que presencie situações de agressão também podem acionar a Brigada Militar de forma anônima, contribuindo para interromper o ciclo da violência e proteger as vítimas.
Foto: Juliana Tamaki/Grupo Maristela

