Reuniões semanais são realizadas no Colégio Alcino Pedro Rodrigues e acolhem pessoas que desejam interromper o uso de drogas; familiares também podem participar de encontros abertos
O grupo Ponto de Equilíbrio, de Narcóticos Anônimos (NA), tem ampliado o trabalho de acolhimento e apoio a pessoas que enfrentam a dependência química em Torres. Com reuniões realizadas semanalmente no Colégio Alcino Pedro Rodrigues, a irmandade oferece um espaço gratuito e sigiloso para quem deseja parar de usar drogas e reconstruir a própria vida. Durante entrevista à Rádio Maristela, integrantes do grupo destacaram que o programa é baseado na ajuda mútua e no compartilhamento de experiências, sem vínculo com instituições políticas, religiosas ou médicas.
Um dos participantes, identificado apenas como Rodrigo, explicou que o anonimato é um dos princípios fundamentais da irmandade. Segundo ele, os integrantes preservam a identidade em entrevistas e aparições públicas conforme as tradições do movimento. “Seguimos 12 tradições e uma delas orienta que mantenhamos o anonimato perante rádio, televisão e outros meios de comunicação”, afirmou.
Em Torres, o grupo Ponto de Equilíbrio realiza encontros todas as terças-feiras, às 19h30, no Colégio Alcino Pedro Rodrigues, com acesso pela entrada lateral localizada na Rua Alcino Pedro Rodrigues. As reuniões alternam entre abertas e fechadas. As abertas permitem a participação de familiares e demais interessados em conhecer o funcionamento da irmandade, enquanto as fechadas são voltadas exclusivamente para pessoas que acreditam ter problemas relacionados ao uso de drogas.
Segundo os integrantes, para o Narcóticos Anônimos, o conceito de droga é amplo e inclui substâncias ilícitas, álcool e o uso de medicamentos sem prescrição médica. Ao mesmo tempo, a irmandade ressalta que não interfere em tratamentos médicos ou psiquiátricos, respeitando integralmente as orientações dos profissionais de saúde.
Apoio contínuo
Durante a entrevista, os voluntários compartilharam parte de suas trajetórias de recuperação. Um deles relatou estar há 18 anos, 10 meses e três dias sem consumir drogas e álcool. Outro afirmou estar em recuperação há três anos, sete meses e cinco dias, após décadas convivendo com a dependência química.
Eles destacaram que a recuperação é construída diariamente e resumida em uma expressão bastante conhecida entre os participantes: “Só por hoje”, reforçando a importância de viver um dia de cada vez.
Além do acolhimento aos novos integrantes, o grupo também realiza visitas voluntárias a instituições de tratamento para dependentes químicos da região, levando informações sobre o programa e incentivando que os pacientes mantenham uma rede de apoio após deixarem as comunidades terapêuticas.
“O tratamento não termina quando a pessoa sai da instituição. Ela precisa continuar fortalecendo a recuperação, e o grupo oferece esse suporte”, ressaltaram.
Rede presente no Litoral Norte
O Narcóticos Anônimos possui grupos em diversos municípios do Litoral Norte gaúcho. Além de Torres, há reuniões em Tramandaí, Osório, Arroio do Sal, Imbé, Santo Antônio da Patrulha, Capão da Canoa e Quintão.
O grupo de Torres foi fundado em 2 de maio de 2023 e, desde então, mantém encontros regulares voltados ao acolhimento de pessoas que desejam abandonar o uso de drogas.
Quem busca ajuda também pode acessar informações pelo site www.na.org.br ou entrar em contato com a Linha de Ajuda Nacional, pelo telefone 132, onde voluntários prestam orientações sobre os grupos disponíveis em cada região.
Segundo os integrantes, o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Narcóticos Anônimos tem crescido nos últimos anos. Atualmente, psicólogos e psiquiatras frequentemente encaminham pacientes para participar das reuniões como forma de complementar o tratamento, fortalecendo a rede de apoio necessária para a manutenção da recuperação.

