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Golpista usa ameaças e suposta ligação com facções para tentar extorquir fotógrafo em Torres

por Melissa Maciel
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Um fotógrafo profissional e morador de Torres, Mar Pedro de Abreu, viveu momentos de tensão no último sábado (15) após receber uma sequência de mensagens ameaçadoras de um número desconhecido. A abordagem, segundo ele, fazia parte de uma tentativa de golpe baseada em intimidação, acusações falsas e pressão psicológica para que realizasse uma transferência via Pix.

Segundo Mar Pedro, o contato começou de forma agressiva. O autor das mensagens o acusava de ter se envolvido com uma mulher casada e afirmava que a suposta situação havia sido descoberta. O golpista dizia ainda falar em nome de um suposto “gerente geral” e ameaçava adotar outras medidas caso a vítima não colaborasse.

As palavras censuradas são expressões de baixo calão

Nas mensagens, o autor questionava Mar Pedro sobre o que teria feito e exigia que ele “assumisse o erro”. Em determinado momento, afirmou que a situação poderia “ficar diferente” e fez referência a uma possível ação contra ele. O criminoso também demonstrou ter acesso a informações pessoais, inclusive ao nome da mãe do fotógrafo, o que aumentou o temor de que pudesse conhecer dados sobre sua vida e sua família.

De acordo com Mar Pedro, durante a abordagem também foram feitas referências a facções criminosas. Mesmo tendo certeza de que não havia cometido qualquer irregularidade e de que a acusação não fazia sentido, o fotógrafo conta que ficou receoso de que as ameaças fossem concretizadas e que ele ou sua mãe pudessem sofrer algum tipo de violência.

A estratégia utilizada pelo criminoso foi aumentar gradativamente a pressão sobre a vítima. Inicialmente, teria exigido R$ 3,5 mil. Diante das ameaças, e com a intenção de fazer cessar a abordagem, Mar Pedro afirmou que não dispunha daquela quantia, mas que conseguiria R$ 500. A partir daí, segundo o fotógrafo, o golpista passou a aceitar o valor e a pressioná-lo para que realizasse imediatamente a transferência via Pix.

A conversa registrada no celular revela o tom agressivo adotado durante a tentativa de extorsão. Em uma das mensagens, o autor afirma: “Então Pedro presta bem a atenção eu vou falar só uma vez”, antes de apresentar uma série de acusações e ameaças.

Em outro momento, após enviar um vídeo e realizar ligações de voz, escreve: “Ou tu quer problema irmão” e “Só assume o teu erro e nada mais”. Na sequência, reforça a intimidação: “Ao contrário vamos agir de outra forma”.

PROCURE A POLÍCIA

Diante da insistência, Mar Pedro decidiu não realizar o pagamento. Ele bloqueou o número, desligou a internet do celular e procurou a Delegacia de Polícia Civil de Torres, onde registrou a ocorrência.

No atendimento, conforme relatado pelo fotógrafo, o policial informou que esse tipo de golpe tem ocorrido com frequência em Torres e na região. O modus operandi consiste em criar uma situação de medo, apresentar uma acusação falsa ou constrangedora, utilizar informações pessoais para conferir aparência de veracidade à abordagem e, por meio de ameaças, pressionar a vítima até que ela transfira dinheiro.

Para Mar Pedro, a experiência serviu como alerta sobre o poder da pressão psicológica utilizada pelos criminosos. Mesmo consciente de que não havia cometido qualquer irregularidade, ele afirma que o teor das mensagens e as referências à família fizeram com que temesse pela própria segurança e pela segurança da mãe.

O caso também chama atenção para uma estratégia cada vez mais utilizada nesse tipo de crime: a combinação de dados pessoais, informações obtidas em redes sociais, nomes de familiares, acusações constrangedoras e referências a organizações criminosas. Esses elementos são utilizados para aumentar a credibilidade da abordagem, provocar uma reação emocional imediata e fazer com que a vítima tome decisões sob medo e pressão.

Diante de uma abordagem semelhante, a recomendação é não realizar pagamentos nem fornecer novas informações pessoais ao suspeito.

Mensagens, áudios, vídeos, registros de chamadas, números utilizados e eventuais comprovantes devem ser preservados para auxiliar na investigação. A vítima também deve procurar a Polícia Civil e registrar a ocorrência.

A orientação é especialmente importante quando o criminoso ameaça familiares ou afirma conhecer informações sobre a rotina da vítima.

O objetivo da abordagem é justamente provocar medo e reduzir a capacidade de reação, levando a pessoa a agir por impulso e cumprir a exigência financeira.