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Proteger a fauna marinha exige distância, responsabilidade e controle de cães

por Melissa Maciel
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A presença de lobos-marinhos e leões-marinhos nas praias de Torres, especialmente durante os meses de inverno e primavera, exige atenção e responsabilidade da população. O alerta foi reforçado durante entrevista à Rádio Maristela nesta segunda-feira, 24, que reuniu o chefe do Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, Revis Ilha dos Lobos, Juliano Rodrigues Oliveira, o comandante da PATRAM da Brigada Militar de Torres, tenente Guaraci Pinto da Silva, e o secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Douglas de Oliveira Gomes.

Os especialistas explicaram que a presença desses animais na faixa de areia faz parte de um processo natural. Os pinípedes se deslocam de áreas do sul do continente, onde estão seus locais de reprodução, em busca de alimentação e descanso. A Ilha dos Lobos, localizada em frente a Torres, é uma das áreas utilizadas por essas espécies, mas alguns animais acabam chegando à praia para repousar.

A principal orientação é não se aproximar nem interferir no descanso dos animais. A população deve observar à distância e, diante de uma situação que indique risco ou necessidade de atendimento, acionar os órgãos responsáveis.

Segundo Juliano, um dos principais problemas identificados atualmente são os ataques provocados por cães. Há relatos de cães que investem contra lobos e leões-marinhos que chegam à faixa de areia, colocando em risco tanto a fauna silvestre quanto os próprios animais domésticos.

CÃES SOLTOS AMPLIAM RISCOS

Durante a entrevista, os participantes destacaram que a presença de cães sem supervisão nas praias representa um problema ambiental, sanitário e de segurança. O secretário Douglas Gomes mencionou estudos que apontam a existência de até 3 mil animais errantes no Litoral Norte, que podem formar matilhas e circular pela faixa de praia.

O impacto não se restringe aos mamíferos marinhos. A entrevista também abordou aves que utilizam as dunas para reprodução. Segundo os participantes, cães podem predar essas aves e comprometer a renovação das populações.

Para Juliano, a discussão precisa deixar de ser conduzida apenas pela emoção e passar a considerar dados científicos, fiscalização, sinalização e políticas públicas. Ele também chamou atenção para os chamados cães comunitários, que, apesar de receberem cuidados de pessoas da comunidade, permanecem sem um tutor responsável.

A situação também expõe os próprios cães a atropelamentos, doenças, brigas e maus-tratos. Além disso, animais domésticos podem contrair ou transmitir doenças à fauna silvestre e, eventualmente, às pessoas.

RESPONSABILIDADE E TUTELA

Outro ponto destacado foi a necessidade de responsabilização dos tutores. O comandante Guaraci lembrou que existem regras para a circulação de cães e que algumas situações exigem o uso de guia e focinheira, conforme as características do animal.

A PATRAM também registra ocorrências envolvendo ataques de cães a pessoas, inclusive casos com lesões corporais graves. Para os participantes da entrevista, o problema precisa ser enfrentado de forma integrada, com educação ambiental, fiscalização e políticas públicas regionais.

Secretário Douglas também relatou a pressão enfrentada pelo município na gestão da causa animal. Segundo ele, Torres recebe animais abandonados por moradores e até por pessoas de outros municípios, justamente pela percepção de que a cidade dispõe de serviços de acolhimento, castração e tratamento.

O município ampliou a estrutura do canil, conta com equipe de limpeza, adestrador e veterinários, além de utilizar hospedagens contratadas. Também foi citado o programa municipal criado para organizar e credenciar pessoas que já cuidavam de cães sem tutor.

TORRES CELEBRA O DIA DO LOBO-MARINHO

A entrevista também destacou o Dia Municipal do Lobo-Marinho, celebrado em 20 de agosto, instituído pela primeira vez neste ano. A data reforça a importância da preservação da espécie e da conscientização sobre a presença desses animais no litoral.

Em comemoração, o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos promove hoje, uma atividade de educação ambiental na Praça da Prainha, com cinema, jogos, exposição de materiais e orientação ao público.

A presença frequente de pinípedes nas praias é apontada pelos especialistas como um indicativo de que a região continua sendo utilizada por essas espécies. Por isso, admirar a fauna silvestre significa respeitar seu espaço, seu tempo de descanso e seu ciclo natural. Denúncias e situações que envolvam animais em risco podem ser comunicadas aos órgãos ambientais. A PATRAM informou que também recebe denúncias por meio de seus canais oficiais.

CONFIRA A ENTREVISTA