AO VIVO
AO VIVO
AO VIVO
Home » Notícias » Torres se despede de Ricardo “Casca” Pereira, um homem marcado pela amizade, pela fé, pelo tradicionalismo e pela comunicação

Torres se despede de Ricardo “Casca” Pereira, um homem marcado pela amizade, pela fé, pelo tradicionalismo e pela comunicação

por Melissa Maciel
A+A-
Reset

>> Siga o canal do Grupo Maristela no WhatsApp

Torres perdeu, na madrugada do último domingo (23), um daqueles homens cuja presença ultrapassava os espaços que frequentava. À 1h, Ricardo da Costa Pereira, conhecido carinhosamente como Casca, morreu aos 62 anos, deixando uma trajetória marcada pela fé, pelo tradicionalismo, pela comunicação, pelo esporte e, sobretudo, pela capacidade de construir e preservar amizades.

Casado com Rejane Sander Ribeiro Pereira e pai de um casal de filhos, Rômulo e Rafaela, Casca era reconhecido pela facilidade com que se integrava aos mais diferentes grupos. Tinha amigos no tradicionalismo, no trabalho, na comunidade, na Igreja, na comunicação e entre os esportistas. Em cada ambiente, deixava uma marca própria, mas havia uma característica que parecia atravessar todas essas relações, a amizade.

Na tarde de domingo, a Capela Santa Cruz, em Torres, reuniu amigos, familiares, colegas e representantes de diferentes entidades que foram prestar as últimas homenagens. O momento de despedida contou com pessoas de diferentes fases da vida de Casca, revelando a dimensão dos vínculos que construiu ao longo dos anos.

Entre as homenagens estiveram representantes do CTG Querência das Torres, colegas da Emater/RS, companheiros do futebol, integrantes de associação de moradores e amigos do DTG Invernada São Domingos, entidade que ajudou a sonhar e a fundar junto a um grupo de amigos, do Movimento Cursilho de Cristandade (MCC), entre tantos outros.

COMUNICADOR NATO

A música e a comunicação também fizeram parte de sua história. Na Rádio Maristela, Casca conquistou ouvintes e amigos com seu jeito espontâneo e agregador. Foi na emissora que nasceu um de seus projetos mais atuais, o programa “Chimarreando com Casca e Tudo”, construído também a partir da participação do público e que alcançou grande repercussão entre os ouvintes.

Para quem trabalhou ao lado dele, a comunicação não era apenas uma profissão ou uma atividade. Era parte de quem Casca era.

Nataniel Silva, comunicador da Rádio Maristela, trabalhou aproximadamente 20 anos com Casca e lembra do colega como um comunicador nato, um homem justo, íntegro e extremamente ligado à família e aos amigos.

Segundo Nataniel, Casca já tinha facilidade de comunicação antes mesmo de atuar no rádio. Era falante, tinha liderança e estava constantemente cercado de pessoas. No rádio, essa característica se tornou ainda mais evidente.

Nos primeiros anos de sua trajetória na emissora, apresentou o programa “Tarde Campeira”, dedicado à música gaúcha. O programa ia ao ar após a Ave-Maria, no final da tarde, e tinha como uma de suas marcas a presença constante de amigos, músicos e declamadores.

“Uma das marcas do Casca é a amizade”, resume Nataniel, ao recordar a convivência de aproximadamente duas décadas com o colega.

O comunicador também destaca a maneira como Casca lidava com as pessoas. Era alguém que prezava pela justiça, pela honestidade e por aquilo que considerava correto. Embora não fosse de levar desaforo para casa, procurava evitar conflitos desnecessários e tinha facilidade para tornar os ambientes mais leves.

HOMEM DE FÉ

Essa capacidade de reunir pessoas também foi fundamental para sua atuação no tradicionalismo. Apaixonado pela cultura gaúcha, Casca encontrou no DTG Invernada São Domingos, vinculado Paróquia São Domingos, um dos espaços em que pôde transformar uma paixão em projeto coletivo. Participou, ao lado de amigos, do sonho de criar a entidade e ajudou a construir uma história que permanece.

O pároco da Paróquia São Domingos e diretor da Rádio Maristela, padre Leonir Alves, também recorda a trajetória de Casca na comunidade. Segundo ele, desde sua chegada à Rádio Maristela, teve contato com Casca, que também teve participação em atividades da Igreja, como a preparação para o matrimônio e o Cursilho.

Padre Leonir destaca especialmente a identificação de Casca com o tradicionalismo e com a comunicação, lembrando sua atuação em eventos e a ligação com a música gaúcha.

A fé também esteve presente em sua caminhada. Ao longo dos anos, Casca esteve envolvido em diferentes atividades comunitárias e religiosas, construindo relações que se somaram às amizades feitas nos demais espaços de sua vida.

Mas talvez nenhuma homenagem feita no domingo tenha conseguido traduzir completamente a dimensão da perda. As manifestações de carinho vieram de diferentes lugares justamente porque Casca também viveu dessa maneira, transitando entre grupos, aproximando pessoas e fazendo amigos.

Era do rádio, do CTG, do futebol, da Igreja, do trabalho, das rodas de chimarrão e dos encontros entre amigos. Era de muitos lugares porque, de alguma maneira, também pertencia a todos eles.

Após o rito de encomendação do corpo, foi realizado o translado para Osório, onde ocorreu a cremação.

FOTOS: REPRODUÇÃO / ARQUIVO PESSOAL