AO VIVO
AO VIVO
AO VIVO
Home » Notícias » II Ronda Farroupilha une tradição, cultura e comunidade em cinco dias de programação em Torres

II Ronda Farroupilha une tradição, cultura e comunidade em cinco dias de programação em Torres

por Melissa Maciel
A+A-
Reset

>> Siga o canal do Grupo Maristela no WhatsApp

Evento promovido pelo DTG Invernada São Domingos integra a programação da Semana Farroupilha e terá atividades culturais, oficinas, poesia, música, gastronomia, dança e missa crioula.

Há tradições que não cabem apenas no calendário. Precisam de espaço, de gente e, sobretudo, de novas gerações dispostas a recebê-las. É com esse espírito que o Departamento de Tradições Gaúchas (DTG) Invernada São Domingos da Paróquia São Domingos, realiza, de 16 a 20 de setembro, a II Ronda Farroupilha, no Salão Paroquial São Domingos, no Centro de Torres, e no pátio da igreja Santa Luzia.

A programação foi apresentada nesta sexta-feira (4), em entrevista à Rádio Maristela, pelo patrão do DTG, Oscar Steffen, pela patroa Rosemara Bernardo e pelo radialista, comunicador e tradicionalista Odilon Ramos. O evento integra uma mobilização mais ampla da Semana Farroupilha em Torres, construída em conjunto com a Prefeitura Municipal, o CTG Porteira Gaúcha, escolas, escoteiros, Movimento de Casais Jovens (MCJ) e a comunidade.

A Ronda deste ano mantém uma característica que marcou a primeira edição: aproximar o tradicionalismo das crianças e das escolas. Em 2024, segundo Rosemara, cerca de 2,4 mil crianças das redes municipal e particular participaram das atividades realizadas pelo DTG, entre oficinas, música, contação de causos, poesia, brincadeiras e baile infantil. A proposta agora é repetir a experiência e ampliar o encontro entre as novas gerações e os costumes que atravessam o tempo.

TRADIÇÃO

Para Rosemara, a identidade do DTG está diretamente ligada ao vínculo com a Paróquia São Domingos. Inserido na comunidade paroquial, o departamento busca cultivar, ao mesmo tempo, os valores cristãos e a cultura tradicionalista, contando com a participação de diferentes grupos e entidades.

A programação foi pensada justamente para colocar essa proposta em movimento. Na quinta-feira (17), a partir das 8h, o pátio da Igreja Santa Luzia recebe as escolas para uma série de atividades culturais. Entre as atrações está a participação do CT Dornelles, com animais para que as crianças possam ter contato com o universo campeiro e até andar a cavalo.

A noite será dedicada à poesia, com a realização da 3ª edição do Farol da Poesia, projeto que reúne participantes de Torres e de municípios da região.

Na sexta-feira (18), as atividades continuam durante o dia, incluindo o tradicional hasteamento da bandeira. À noite, um dos momentos centrais da programação será a troca de patronagem do DTG Invernada São Domingos, encerrando um ciclo iniciado em 2024.

Segundo Oscar, a atual gestão considera que plantou uma semente naquele ano, quando o tradicionalismo passou a ocupar novamente um espaço mais expressivo dentro da Paróquia São Domingos. Dois anos depois, os frutos começam a aparecer: o DTG passou a ser convidado para participar de atividades nas escolas e percebeu um crescimento do interesse pela cultura gaúcha entre crianças e jovens.

CRIANÇAS

É justamente nesse contato com a infância que Odilon Ramos identifica uma das grandes forças da iniciativa. Para o tradicionalista, preservar a cultura também significa apresentar às crianças outras possibilidades de convivência além das telas.

Brincadeiras antigas, causos contados pelos avós, música, poesia, dança e o simples encontro entre pessoas fazem parte de um patrimônio cultural que, muitas vezes, não está nos livros, mas permanece vivo na memória de quem o experimentou.

A proposta não é negar a tecnologia, mas recuperar o equilíbrio e garantir que as novas gerações também conheçam o que existia antes dela. Na avaliação dos entrevistados, o tradicionalismo tem justamente esse compromisso, o de preservar usos e costumes e criar oportunidades para que eles sejam conhecidos e reinventados pelos mais jovens.

COMUNIDADE

No sábado (19), a programação segue com atividades durante o dia e ações envolvendo instituições parceiras. A Escola EMEF Mampituba estará responsável pelo almoço e também apresentará uma invernada formada por seus estudantes.

À noite, os Escoteiros do Mar Ilha dos Lobos assumem a preparação do jantar, com pratos da culinária tradicionalista, incluindo feijão mexido e arroz de China pobre. A participação das entidades reforça uma das marcas da Ronda. Não se trata de uma programação construída por uma única instituição, mas de uma articulação entre diferentes segmentos da comunidade.

O trabalho desenvolvido pela professora Jô com os estudantes da Escola EMEF Mampituba também demonstra esse envolvimento. A educadora está preparando a indumentária das meninas da invernada e mobilizando doações para completar a vestimenta dos meninos, especialmente botas e guaiacas.

ENCERRAMENTO

O encerramento da II Ronda Farroupilha acontece no domingo (20), com uma programação que começa às 8h, com hasteamento das bandeiras e recepção dos participantes.

O posto do dia ficará sob responsabilidade do Movimento de Casais Jovens, que prepara um costelão, com ingresso a R$ 65 por pessoa, à vontade.

Um dos momentos mais simbólicos será a Missa Crioula, seguida de apresentações e fandango com o Vintage Tchê. Paralelamente, uma cavalgada sairá do Parque de Balonismo, percorrerá a região da Prainha e passará em frente à igreja São Domingos, onde os cavalarianos receberão a bênção.

A imagem das costelas sendo assadas no pátio da igreja, dos cavalarianos passando diante da comunidade e da missa reunindo diferentes gerações traduz o propósito da Ronda, fazer da tradição uma experiência vivida, compartilhada e transmitida.

UM LEGADO

A edição deste ano também será marcada pela memória de Ricardo Casca Pereira, tradicionalista e comunicador que faleceu recentemente e teve forte participação na divulgação da cultura gaúcha em Torres e no Rio Grande do Sul.

Durante a entrevista, a lembrança do amigo emocionou os participantes. Para o grupo, “calou-se a voz do DTG”, mas permanece o compromisso de preservar o legado deixado por Casca. Uma iniciativa em homenagem à sua trajetória está sendo construída e deverá ser apresentada durante a II Ronda Farroupilha.

A II Ronda Farroupilha, portanto, nasce com uma tarefa que ultrapassa a celebração de setembro. É uma tentativa de manter acesa uma chama: aquela que passa de uma geração para outra quando uma criança aprende uma brincadeira antiga, quando alguém ouve um causo, quando uma música é cantada sem precisar de uma tela, quando uma família se reúne ao redor de uma mesa ou quando um mate é compartilhado.

Porque tradição, no fim das contas, não é apenas olhar para o passado. É encontrar uma maneira de fazê-lo chegar vivo ao futuro.

CONFIRA A ENTREVISTA

PROGRAMAÇÃO