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Em seu novo artigo, “Quantas vezes devo perdoar?”, o bispo da Diocese de Osório, dom Jaime Pedro Kohl, reflete sobre o ensinamento de Jesus no Evangelho de Mateus (18,21-35), no qual Pedro pergunta quantas vezes deve perdoar uma ofensa. A resposta de Jesus, “até setenta vezes sete”, aponta para uma disposição permanente ao perdão, sem estabelecer limites para a misericórdia.
A partir da parábola do empregado que teve uma grande dívida perdoada, mas não foi capaz de perdoar uma pequena dívida de seu irmão, dom Jaime destaca que Deus oferece seu perdão a quem se aproxima com verdadeiro arrependimento. O bispo também chama atenção para a relação entre receber e oferecer misericórdia, lembrando a oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
No artigo, dom Jaime apresenta o perdão como uma virtude essencialmente cristã e também como caminho para a construção da paz. “A paz verdadeira começa no coração de Deus, se estende ao coração humano e é condição para a paz no mundo”, afirma. A reflexão completa está disponível para leitura, como convite a pensar sobre a misericórdia, o arrependimento e a disposição de perdoar.
Leia a íntegra:
Quantas vezes devo perdoar?
Neste domingo, 13, continuamos a nossa meditação de Mateus 18,21-35, onde, depois de Jesus ter-nos mostrado o jeito correto de fazer a correção fraterna, nos fala da importância e da necessidade do perdão. Pedro, achando ser generoso, pergunta a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” A Pedro, que achava ter sugerido uma proposta generosa, Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Ou seja, sempre que acontecer alguma ofensa.
Com isso, Jesus, como profundo conhecedor do coração humano e de nossa vulnerabilidade, nos apresenta, a partir da disposição e misericórdia de Deus, qual deve ser a nossa disposição ao perdão. E explica o porquê da necessidade de perdoar sempre. Já entendemos por que não podemos estabelecer um número “X” de vezes. Mas o exemplo que Jesus traz esclarece: por que o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Apresentou-se um que lhe devia uma enorme fortuna. Como implorou o perdão da dívida, o rei teve compaixão e perdoou. Esse mesmo senhor, saindo dali, encontrou seu amigo que lhe devia uma pequena quantidade e não foi capaz de perdoar ao seu irmão. Vendo o que aconteceu, alguém foi comunicar isso ao rei, que, sabendo da dureza de coração do seu empregado, o chamou, pedindo explicação do ocorrido. E acabou tendo que assumir a obrigação de pagar toda sua dívida.
Creio não seja difícil de entender que a comparação que Jesus usa mostra a disposição de Deus Pai a perdoar-nos todas as vezes que, arrependidos, recorremos a Ele com sinceridade de coração. Se acompanhados de verdadeiro arrependimento, Deus perdoa todos os nossos pecados, por mais graves que sejam. Basta lembrar a parábola do Pai misericordioso de Lucas 15. A misericórdia de Deus é infinita, mas o arrependimento tem que ser sincero.
A conclusão do texto deixa clara a condição para obter o perdão: “É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. O “perdoar de coração” é a condição para obtermos o perdão que necessitamos. Percebemos como isso está em sintonia com o que rezamos na oração que Jesus nos ensinou: “Pai nosso… perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”?
Portanto, o perdão é uma das virtudes profundamente cristãs. É possível e benfazejo tanto para uma paz pessoal como também entre grupos e povos. A paz verdadeira começa no coração de Deus, se estende ao coração humano e é condição para a paz no mundo.
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório
Fonte: Ascom Diocese de Osório / Melissa Maciel

