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Semana da Água alerta para saneamento, riscos climáticos e proteção da Bacia do Mampituba

por Juliana Tamaki
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Tema da 33ª Semana Interamericana e 26ª Semana Estadual da Água, “Universalização do Saneamento – Água para Quem?”, coloca em debate o acesso à água, o saneamento e os desafios da segurança hídrica na região.

A água é essencial à vida, mas o acesso a ela e ao saneamento ainda está longe de ser igual para todos. Esse é um dos principais alertas da 33ª Semana Interamericana da Água e da 26ª Semana Estadual da Água do Rio Grande do Sul, realizada de 3 a 16 de outubro de 2026.

Em entrevista à Revista Maristela, o secretário executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Mampituba, Christian Linck da Luz, destacou que o tema deste ano — “Universalização do Saneamento – Água para Quem?” — propõe justamente uma reflexão sobre quem efetivamente tem acesso à água e ao saneamento.

Christian chamou atenção para a realidade de áreas rurais e para situações em que a falta de saneamento pode comprometer a qualidade da água utilizada pelas famílias. Segundo ele, ainda existem propriedades onde pocilgas, currais e fossas são instalados próximos a poços, aumentando o risco de contaminação.

“Ninguém é melhor que ninguém. Todos têm direito à água.”, afirmou Christian Linck da Luz durante a entrevista à Revista Maristela.

Os dados oficiais mostram a dimensão do desafio. Segundo o SINISA 2024, do Ministério das Cidades, 59,7% da população brasileira era atendida por rede coletora de esgoto. Na área rural, o índice era de apenas 5,6%. No Rio Grande do Sul, o atendimento da população por rede coletora chegava a 51,5%.

O Censo 2022, do IBGE, também aponta diferenças nas formas de abastecimento. Embora 82,9% da população brasileira tivesse a rede geral de distribuição como principal fonte, outras parcelas dependiam de poços, fontes e nascentes.

A realidade da Bacia do Mampituba

A preocupação tem relação direta com a realidade regional. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema), a Bacia Hidrográfica do Rio Mampituba possui 709 km² e população estimada em 45.425 habitantes, considerando dados de 2020.

A bacia abrange áreas de Cambará do Sul, Dom Pedro de Alcântara, Mampituba, Morrinhos do Sul, São Francisco de Paula, Torres, Três Cachoeiras e Três Forquilhas. Em Torres, 79% do território municipal está inserido na bacia.

Na entrevista, Christian também alertou para os riscos relacionados ao uso de poços no litoral, especialmente quando próximos a fossas ou outras fontes de contaminação.

É importante, porém, diferenciar o alerta apresentado na entrevista de uma constatação específica sobre a qualidade da água. Documento técnico da Sema registra que não foram realizadas campanhas de qualidade da água durante a elaboração do Plano de Bacia do Rio Mampituba. Portanto, os dados disponíveis não permitem dimensionar a extensão de eventuais problemas de contaminação.

Enchentes, estiagens e riscos ambientais

Outro ponto destacado pelo Comitê é a relação entre os recursos hídricos e os eventos climáticos extremos.

Christian citou períodos de estiagem, enxurradas, enchentes e movimentos de massa como situações que exigem planejamento, especialmente em áreas de nascentes, cabeceiras de rios e encostas.

O Rio Grande do Sul já enfrentou eventos extremos que evidenciam esse desafio. Estudo publicado pelo governo estadual sobre os desastres de maio de 2024 aponta que estações da ANA, do CEMADEN e do INMET registraram volumes de chuva de até 400 milímetros em menos de duas semanas, chegando a superar 900 milímetros em algumas localidades.

Para o Comitê do Mampituba, a discussão também envolve o planejamento territorial. Na entrevista, Christian defendeu atenção das administrações municipais e estaduais para áreas próximas a rios, nascentes, encostas e saídas de cânions, onde eventos de chuva intensa podem aumentar os riscos de enxurradas e deslizamentos.

Gestão da água envolve escolhas

Em períodos de escassez, surge uma questão central: como definir os usos prioritários da água?

A legislação brasileira estabelece que a gestão deve considerar os diferentes usos dos recursos hídricos e, em situações de escassez, priorizar o consumo humano e a dessedentação de animais.

Nesse contexto, os comitês de bacia têm papel estratégico na discussão sobre a disponibilidade e os diferentes usos da água. A Bacia do Mampituba possui plano de bacia, com diagnóstico, prognóstico, enquadramento e plano de ações disponibilizados pela Sema.

Educação ambiental

Além dos aspectos técnicos, a Semana da Água também tem uma dimensão educativa. Segundo Christian, o Comitê do Mampituba realiza ações de conscientização e educação ambiental, incluindo atividades com estudantes.

Entre as ações deste ano está uma palestra para alunos da Educação de Jovens e Adultos, levando informações sobre água, saneamento e preservação ambiental.

Ao final da entrevista, Christian reforçou que a discussão sobre água está diretamente ligada à qualidade de vida e à responsabilidade coletiva:

“Todos têm direito à água, todos têm direito à vida, todos têm direito à dignidade.”, afirmou.

A mensagem central deixada pelo Comitê é que discutir água envolve mais do que consumo. A pauta passa por saneamento, saúde pública, planejamento territorial, prevenção de desastres, preservação ambiental e justiça socioambiental.

A pergunta proposta pela Semana da Água: “Água para quem?” ganha ainda mais relevância em uma região marcada por rios, nascentes, áreas rurais, encostas e pelo turismo associado ao patrimônio natural.

Confira a entrevista na íntegra: