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Pesquisa terá duração de nove semanas e vai testar estratégias com inseticidas para reduzir a população do inseto no Litoral Norte
O município de Três Forquilhas recebe uma nova etapa de estudos para avaliar medidas de controle do maruim, inseto conhecido popularmente como mosquito-pólvora e transmissor do vírus causador da febre Oropouche. A iniciativa, coordenada pelo governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), começou nesta semana e prevê nove semanas de monitoramento alternado com aplicações de inseticidas para medir a eficácia das estratégias na redução da população do inseto em áreas urbanas.
O trabalho reúne equipes estaduais e federais, com participação de instituições de pesquisa e da prefeitura de Três Forquilhas. O objetivo é desenvolver estratégias de controle que possam contribuir para prevenir a transmissão do vírus em áreas residenciais, incluindo o interior e o entorno das casas. Paralelamente, serão investigadas alternativas para reduzir a presença do maruim em áreas de cultivo de banana, ambiente associado à proliferação do inseto.
A pesquisa busca ampliar o conhecimento sobre as espécies presentes na região, os horários de maior atividade e a dinâmica das populações. Também serão realizadas coletas para identificação dos insetos e análises destinadas a detectar sinais precoces da circulação do vírus Oropouche e de outros arbovírus que possam estar presentes no território.
Rio Grande do Sul não registra transmissão local
A febre Oropouche tem recebido atenção das autoridades sanitárias brasileiras diante da circulação do vírus em diferentes regiões do país. Os registros se concentram principalmente no Sudeste, com destaque para o Espírito Santo, além do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também houve casos em Santa Catarina e no Paraná.
No Rio Grande do Sul, até o momento, não há registros de transmissão local da doença. Desde o início de 2024, foram confirmados dois casos no Estado, ambos importados, ou seja, adquiridos fora do território gaúcho.
O maruim mede entre um e três milímetros e tem coloração escura. Além de provocar incômodo pelas picadas, o inseto é considerado um vetor importante na transmissão do vírus Oropouche. A infecção ocorre quando ele pica uma pessoa ou um animal infectado e, após o período necessário para o desenvolvimento do vírus em seu organismo, transmite o agente infeccioso ao picar outro hospedeiro.
Sintomas podem ser confundidos com os da dengue
Entre os sintomas mais frequentes da febre Oropouche estão dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas, diarreia e mal-estar geral. Como as manifestações podem ser semelhantes às da dengue e de outras arboviroses, a identificação da doença depende de avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial.
Não há tratamento específico para a febre Oropouche. A orientação é que os pacientes recebam acompanhamento médico, permaneçam em repouso e realizem tratamento para aliviar os sintomas.
Pesquisa vai testar estratégias de controle
O monitoramento do maruim já era realizado no Rio Grande do Sul sob coordenação do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), por meio da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde (DVAS) e do Centro de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CDCT), com participação da 18ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). O projeto conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).
A nova etapa amplia o trabalho para avaliar especificamente o controle químico do inseto. A iniciativa conta com técnicos do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e da prefeitura de Três Forquilhas.
Durante as nove semanas, as equipes vão alternar períodos de coleta dos insetos com aplicações de inseticidas, permitindo comparar os resultados e avaliar o impacto das intervenções. As atividades de campo utilizam uma unidade móvel doada à Secretaria Estadual da Saúde pelo Sistema Fiergs, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi-RS).
A investigação também pretende aperfeiçoar as técnicas de vigilância dos insetos e dos vírus. A iniciativa busca responder a questões ainda pouco estudadas sobre a biologia do maruim, seus criadouros e sua relação com áreas de cultivo, além de identificar medidas de controle mais eficazes.
Atualmente, ainda não existem protocolos amplamente validados para o controle químico do maruim em situações de risco de transmissão da febre Oropouche. Os resultados obtidos em Três Forquilhas poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias de vigilância e prevenção da doença no Rio Grande do Sul.
Foto: Divulgação SES

