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Médicos do Hospital de Torres dão prazo para pagamento de honorários e ameaçam não assumir novos plantões

por Anderson Weiler
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Médicos que atuam no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), em Torres, notificaram extrajudicialmente os responsáveis pela administração e pelos pagamentos da instituição e estabeleceram até 20 de outubro para a quitação dos 50% restantes dos honorários referentes aos serviços prestados em agosto de 2026. Caso os valores não sejam pagos integralmente, os profissionais comunicam que, a partir de 21 de outubro, deixarão de assumir novos plantões e aceitar novas escalas enquanto persistir o atraso.

O documento foi assinado em 15 de outubro e encaminhado ao Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde), à administração e à direção técnica do hospital, além da Hospitalize, empresa terceirizada responsável pela organização das escalas da emergência. O Governo do Estado, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o Conselho Regional de Medicina (Cremers) e o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) também receberam cópias para conhecimento e eventuais providências.

Conforme a notificação, os médicos receberam apenas metade da remuneração referente aos serviços prestados em agosto. O saldo restante está em atraso há aproximadamente 15 dias, conforme a situação individual de cada profissional. Os signatários afirmam que os valores correspondem a serviços efetivamente realizados e cobram o cumprimento integral das obrigações financeiras.

A manifestação ocorre em meio à instabilidade administrativa e financeira enfrentada pelo hospital, que também registra questionamentos relacionados aos pagamentos de trabalhadores e à gestão da instituição. No documento, os profissionais apontam que a continuidade da prestação de serviços sem a correspondente remuneração gera prejuízos financeiros e insegurança quanto ao pagamento de obrigações futuras.

Possível impacto nas escalas

A notificação estabelece que, caso o pagamento não seja realizado até 20 de outubro, os médicos não assumirão novos plantões nem aceitarão novas escalas a partir do dia 21, enquanto permanecer o inadimplemento. A medida, segundo os signatários, busca resguardar os direitos dos profissionais diante da ausência de uma previsão segura para o recebimento dos valores pendentes.

Os médicos esclarecem, porém, que a comunicação não significa abandono de plantões em andamento nem interrupção imediata e intempestiva da assistência. O documento ressalva que eventuais obrigações contratuais específicas deverão ser avaliadas individualmente.

Os destinatários também são solicitados a organizar previamente a cobertura assistencial, incluindo a eventual substituição de profissionais, para evitar descontinuidade no atendimento e preservar a segurança dos pacientes.

Além da quitação do saldo de honorários, os signatários exigem confirmação formal dos valores pendentes, comprovação dos pagamentos individualizados e esclarecimentos sobre as medidas previstas para evitar novos atrasos. Caso não haja solução dentro do prazo, os profissionais afirmam que poderão recorrer a medidas administrativas, sindicais e judiciais para cobrar os valores devidos.

A notificação formaliza a cobrança dos honorários médicos e estabelece um prazo para a regularização dos pagamentos. O eventual não cumprimento poderá afetar a organização das futuras escalas, caso os profissionais mantenham a decisão comunicada no documento.

A Rádio Maristela entrou em contato com o IB Saúde, que até o fechamento desta reportagem não havia se manifestado.

Veja abaixo o documento:

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Fotos: Anderson Weiler/Grupo Maristela