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Torres registra até dez solicitações semanais de atendimento a gatos com suspeita de esporotricose

por Anderson Weiler
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Prefeitura prepara programa municipal de controle da doença, que pode ser transmitida de animais para humanos; proposta prevê fornecimento gratuito de medicamento.

A Prefeitura de Torres recebe, em média, de nove a dez solicitações por semana para atendimento de gatos com suspeita de esporotricose. A informação foi divulgada pela diretora de Desenvolvimento Sustentável do município, Isadora, durante entrevista à Rádio Maristela nesta quarta-feira (28). Segundo ela, a administração municipal prepara medidas para ampliar o controle da doença, que também pode atingir seres humanos.

O secretário municipal do Meio Ambiente e Urbanismo, Douglas Gomes, afirmou que a causa animal concentra grande parte das demandas da pasta. Conforme o secretário, a gestão tem ampliado a organização dos atendimentos e adotado o acompanhamento por indicadores. Neste ano, foram realizadas quase 500 castrações, enquanto, no ano passado, o número superou mil procedimentos. Os atendimentos clínicos ultrapassaram 800 em 2025.

Doença pode atingir animais e humanos

A esporotricose é uma infecção causada por fungos que afeta principalmente gatos, mas também pode acometer cães e seres humanos. De acordo com Isadora, o município já registrou casos humanos da doença, o que aumenta a preocupação das equipes de saúde e de proteção animal.

Nos gatos, a infecção costuma provocar lesões na pele, que podem apresentar secreção e se espalhar por diferentes partes do corpo, especialmente na região do nariz. A transmissão entre animais ocorre principalmente por arranhões e mordidas, além do contato com secreções contaminadas.

A diretora alertou que manter os gatos dentro de casa, sem acesso livre à rua, é uma das principais medidas preventivas. A circulação sem supervisão aumenta a possibilidade de contato com animais infectados e de confrontos com outros gatos.

A doença exige tratamento prolongado. Segundo a equipe municipal, o uso de antifúngicos, como o itraconazol, pode ser necessário por pelo menos quatro a seis meses, com possibilidade de períodos mais longos, conforme a evolução de cada caso.

Programa municipal está em tramitação

A Prefeitura informou que o Programa de Controle Municipal da Esporotricose está em tramitação na Câmara de Vereadores e passa por ajustes. A proposta prevê a estruturação de uma política pública específica para o enfrentamento da doença, incluindo a disponibilização gratuita de medicamentos para a população.

Atualmente, o município fornece tratamento para animais em situação de rua, com a participação de protetores e moradores que auxiliam nos cuidados. A capacidade de atendimento, no entanto, é limitada pela disponibilidade de vagas nas clínicas e pela dificuldade de localizar e capturar os animais.

Segundo Isadora, muitos gatos são encontrados somente após vários dias de buscas. A orientação é que a população evite capturar ou manusear animais com suspeita de infecção sem proteção adequada, como luvas, e procure orientação dos profissionais responsáveis.

Castração e cuidadores auxiliam no atendimento

Outra frente de trabalho envolve a castração e a organização de moradores que cuidam de animais em situação de rua. Por meio do Programa de Zoneamento Animal (PROZAN), a administração cadastra pessoas interessadas em auxiliar e organiza a distribuição de responsabilidades por áreas, buscando evitar a duplicidade de atendimentos e ampliar a cobertura.

A atuação dos cuidadores também auxilia na captura de gatos para os mutirões de castração, inclusive em localidades do distrito de Itapeva.

A Prefeitura ainda prevê novas campanhas de vacinação, com prioridade para a imunização contra a raiva e planejamento de ações com vacinas polivalentes para cães e gatos. Na campanha mais recente mencionada durante a entrevista, foram aplicadas 160 doses, abaixo da capacidade de atendimento prevista.

Moradores que precisarem de informações ou quiserem comunicar situações envolvendo animais podem entrar em contato com o setor de Causa Animal pelo telefone (51) 98529-0090. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo também atende no quinto andar do prédio da Prefeitura, de segunda a sexta-feira.

Fotos: Juliana Tamaki/Grupo Maristela