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Em entrevista à Rádio Maristela, médico Matheus Vogado falou sobre o aumento da oferta de procedimentos, a expectativa de redução das filas do SUS e os cuidados necessários para preservar a saúde dos joelhos e quadris.

A realização de até nove cirurgias por dia no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres, marca uma nova etapa da atuação do ortopedista Matheus Vogado na instituição. Em entrevista à Rádio Maristela, o médico destacou o volume de procedimentos realizados, a perspectiva de ampliação das cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a importância de prevenir lesões nas articulações. Durante a conversa, também orientou sobre os cuidados necessários para quem pratica futebol, corrida e ciclismo, além de alertar para sintomas que podem indicar problemas nos joelhos.
Até nove cirurgias por dia
O ortopedista afirmou que está satisfeito com a possibilidade de ampliar sua atuação cirúrgica no hospital, mesmo diante das mudanças administrativas na instituição. Segundo ele, atualmente são realizadas entre oito e nove cirurgias por dia, com previsão de aproximadamente dez procedimentos em determinados dias.
O médico destacou que a continuidade do trabalho está relacionada também à compreensão de que a melhoria dos serviços de saúde beneficia toda a população, incluindo pacientes de municípios vizinhos.
“Se a sociedade em geral melhora, a saúde da cidade melhora. Isso vai melhorar para mim, para todos os profissionais, para todos os munícipes e até pessoas de cidades ao redor”, afirmou.
Matheus explicou que chegou a considerar a possibilidade de reduzir sua atuação hospitalar após a mudança de administração, concentrando os atendimentos na rede particular. No entanto, decidiu permanecer porque gosta da atividade cirúrgica e considera importante contribuir para ampliar a assistência oferecida à população.
O profissional também confirmou que mantém consultório nas dependências do hospital e que recebeu sinalização da atual gestão do Instituto Maria Schmitt (IMAS) para continuar realizando os atendimentos no local.
Procedimentos mais frequentes em Torres
Ao falar sobre os problemas ortopédicos mais comuns atendidos no município, o médico destacou as entorses de tornozelo e as fraturas do rádio distal, na região do punho. Segundo ele, essas ocorrências estão relacionadas, muitas vezes, a quedas, quando a pessoa utiliza as mãos para tentar proteger o corpo.
Na população de maior idade, as demandas envolvem principalmente problemas degenerativos nos joelhos e quadris, decorrentes do desgaste das articulações ao longo do tempo.
O ortopedista explicou que a evolução desses desgastes não depende exclusivamente da idade. A genética também exerce influência significativa, fazendo com que algumas pessoas apresentem alterações articulares ainda jovens, enquanto outras mantêm boas condições mesmo em idades mais avançadas.
Matheus comparou essa característica ao surgimento de cabelos brancos ou à calvície, que podem aparecer em diferentes fases da vida conforme a predisposição individual.
Os desgastes nos joelhos e quadris podem provocar dores, limitações de movimento e perda de qualidade de vida, exigindo avaliação e, em alguns casos, tratamento cirúrgico.
Futebol e corrida exigem fortalecimento muscular
A prática de atividades físicas é recomendada para a manutenção da saúde, mas alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de lesões. Segundo Matheus, esportes como o futebol apresentam índices importantes de problemas ortopédicos, especialmente em razão de movimentos bruscos, mudanças de direção e contatos entre jogadores.
Para prevenir lesões, o médico recomenda dois cuidados principais: aquecimento adequado e fortalecimento da musculatura.
Ele explica que a preparação física não deve ficar restrita à atividade esportiva. O fortalecimento muscular precisa fazer parte da rotina de quem pratica exercícios, inclusive daqueles que têm a corrida como principal modalidade.
O ortopedista observa que muitas lesões estão relacionadas a desequilíbrios entre grupos musculares. Quando determinadas estruturas apresentam diferenças de força, outras regiões acabam recebendo sobrecarga, favorecendo inflamações, dores e problemas crônicos.
Como exemplo, citou o caso do ex-jogador da Seleção Brasileira Kaká, que enfrentou problemas relacionados à região do púbis. Segundo a explicação do médico, desequilíbrios entre a musculatura das coxas e do abdômen podem contribuir para esse tipo de quadro.
A recomendação é que atletas amadores também tenham atenção à preparação física, evitando concentrar todo o treinamento apenas na prática esportiva.
Excesso de peso aumenta a pressão sobre os joelhos
Outro fator destacado pelo ortopedista é o peso corporal. De acordo com ele, estudos indicam que cada quilo adicional pode representar aproximadamente quatro quilos a mais de pressão sobre os joelhos.
A explicação está relacionada às características dessa articulação, responsável principalmente pelos movimentos de flexão e extensão e submetida a cargas durante atividades cotidianas, como caminhar, subir escadas e praticar esportes.
Matheus exemplificou que uma pessoa com 30 quilos acima do peso pode gerar uma sobrecarga estimada de até 120 quilos sobre os joelhos, considerando essa relação apresentada na entrevista.
O médico ressaltou que o controle do peso é um dos cuidados que podem contribuir para preservar as articulações e reduzir a sobrecarga ao longo dos anos.
Dor persistente pode indicar lesão
O reconhecimento dos primeiros sintomas também é importante para evitar complicações. O ortopedista explicou que, entre pessoas mais jovens, são frequentes as lesões de menisco e do ligamento cruzado anterior, geralmente associadas a entorses e impactos durante atividades esportivas.
O menisco funciona como uma espécie de amortecedor dentro do joelho, enquanto os ligamentos contribuem para a estabilidade da articulação.
Uma dor aguda, localizada ou que aparece durante a prática esportiva pode ser um dos primeiros sinais de uma lesão. O alerta aumenta quando o incômodo persiste mesmo após o encerramento da atividade física ou passa a interferir nas tarefas cotidianas.
Segundo Matheus, lesões de menisco e ligamentos que não recebem avaliação e tratamento adequados podem favorecer o desgaste precoce da articulação.
Ele citou como exemplo uma pessoa que sofre uma lesão aos 20 anos, continua praticando futebol com desconforto e, anos depois, pode apresentar desgaste articular mais acentuado.
O médico diferencia dores musculares passageiras e pequenos incômodos daqueles que permanecem por vários dias ou apresentam intensidade elevada.
“Se essa dor persiste alguns dias, ou se ela está muito forte, aí tem alguma coisa errada que a gente tem que verificar”, alertou.
Ciclismo e natação estão entre as atividades recomendadas
Durante a entrevista, o ortopedista também respondeu a dúvidas dos ouvintes sobre a influência de diferentes modalidades esportivas na saúde das articulações.
Questionado se o ciclismo prejudica o quadril, Matheus explicou que, de maneira geral, a atividade não provoca esse tipo de problema. Pelo contrário, contribui para o fortalecimento da musculatura dos glúteos e das coxas.
Por não produzir o mesmo impacto da corrida, o ciclismo é considerado uma atividade com menor sobrecarga direta sobre as articulações.
A natação também foi apontada como uma das modalidades mais completas, por movimentar diferentes grupos musculares sem provocar impacto direto contra o solo.
O médico destacou que essas atividades podem ser especialmente interessantes para pessoas que apresentam desgastes articulares. Em casos específicos, a hidroginástica e a natação também podem integrar as recomendações de tratamento e manutenção da mobilidade.
Já a corrida exige maior atenção em razão do impacto repetitivo sobre joelhos e quadris. Isso não significa que pessoas com problemas articulares devam abandonar a modalidade, mas que precisam de avaliação individualizada para identificar possíveis limitações e adequar a prática.
A caminhada também foi citada como uma alternativa para quem deseja iniciar ou retomar uma rotina de exercícios.
Atividade física deve fazer parte da rotina
Matheus defendeu que o movimento é fundamental para a saúde e que o sedentarismo pode provocar prejuízos ao organismo. Para quem está parado há muito tempo, a orientação é começar gradualmente, com caminhadas leves e aumento progressivo da intensidade.
O médico também ponderou que a recomendação de atividade física precisa considerar a realidade de cada pessoa. Quem trabalha em atividades que exigem grande esforço físico, por exemplo, pode não ter condições de realizar exercícios adicionais após uma jornada exaustiva.
Na avaliação do ortopedista, o mais importante é manter o corpo ativo dentro das possibilidades individuais, respeitando os limites e buscando orientação quando necessário.
Ele também destacou uma mudança de comportamento observada nas últimas décadas, especialmente entre os jovens, que passaram a demonstrar maior interesse por corridas, maratonas e outras modalidades esportivas.
Para Matheus, a valorização da atividade física representa um avanço na preocupação com a saúde do corpo e também da mente.
Cirurgias pelo SUS e expectativa de redução das filas
Outro assunto abordado foi a fila de espera por cirurgias ortopédicas no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. Ao responder à pergunta de uma ouvinte cujo marido aguarda um procedimento no joelho, o médico reconheceu que a demanda do SUS é elevada.
Segundo ele, o IMAS iniciou um projeto com a proposta de reduzir as filas de cirurgias. Neste primeiro momento, estão sendo realizados procedimentos de menor complexidade, enquanto a instituição organiza a estrutura necessária para ampliar a oferta de operações mais complexas, como as de joelho e quadril.
Matheus demonstrou expectativa de que esses procedimentos também passem a ser realizados em maior quantidade no hospital.
O médico ressaltou, porém, que não acompanha a posição individual dos pacientes nas listas de espera e prefere não ter acesso a esse controle, justamente para preservar a independência na atuação profissional.
Na rede particular, informou que já realiza procedimentos como colocação de próteses, cirurgias de ligamento e tratamento de lesões de menisco. Também mencionou a existência de alternativas de financiamento para pacientes que optam por essa modalidade de atendimento.
Hospital pode ampliar oferta de procedimentos especializados
A entrevista também abordou a possibilidade de ampliar o nível de especialização dos serviços oferecidos em Torres, incluindo procedimentos de maior complexidade.
Matheus mencionou conversas com representantes da gestão municipal sobre a intenção de desenvolver a assistência em diferentes áreas, sem deixar de priorizar o atendimento pelo SUS.
Entre as possibilidades citadas estão a ampliação da presença de especialistas e a utilização de tecnologias como a cirurgia robótica. O ortopedista informou que possui formação em cirurgia robótica de quadril, realizada em curso com o médico Joel Mata, no Hospital Sírio-Libanês.
Na avaliação do profissional, a ampliação da oferta de procedimentos especializados poderia beneficiar pacientes que atualmente precisam se deslocar para centros maiores, como Porto Alegre e São Paulo, em busca de determinados tratamentos.
Ele ressaltou, entretanto, que a prioridade deve continuar sendo o atendimento à população que depende do sistema público de saúde.
Ao encerrar a participação na Rádio Maristela, Matheus deixou uma orientação à comunidade: a importância de cuidar do próprio corpo e não deixar problemas de saúde sem avaliação.
Para o ortopedista, a manutenção da qualidade de vida depende de atenção à saúde, movimentação diária e procura por atendimento quando surgem dores persistentes ou limitações físicas.
Fotos: Juliana Tamaki/Grupo Maristela

