No final de um ano marcado por uma profunda transformação digital, o Centro Ecológico lança a edição em português do caderno Impactos da Era Digital. Organizado pela Red de Evaluación de Tecnologías em América Latina – a Red Tecla-, o caderno registra apresentações do seminário Navegar la Tormenta Digital, realizado no México em 2019.

Já no primeiro texto, Silvia Ribeiro, do ETC Group, alerta para as consequências dessas tecnologias, que vão desde o controle social, inteligência artificial que perpetua comportamentos como racismo e sexismo, até os efeitos do mundo virtual sobre o mundo real. “O armazenamento de dados tem uma quantidade de impactos tremendos na materialidade, na saúde, no ambiente. São necessárias estruturas físicas muito demandantes“, observa a pesquisadora, sobre a necessidade de extração de recursos naturais que sustentem a indústria de computação e armazenamento.

A seguir, Daniel Machado Gaio, da Central Única dos Trabalhadores, aborda a ameaça do teletrabalho à organização sindical. “É muito difícil trabalhar a representação sindical ou o contato político com pessoas que querem cada vez mais trabalhar em casa, ou que não têm uma jornada, que trabalham com plataformas“.

Entre outras reflexões, o ex-bancário fala dos desinvestimentos na indústria e investimentos vultosos no agronegócio e mineração como parte de um mesmo propósito. Tica Moreno, da Marcha Mundial das Mulheres, trata sobre a vinculação entre o avanço da digitalização nos corpos das mulheres e as transnacionais farmacêuticas. “Cada vez que vemos os anúncios de financiamento de coisas desse tipo (implantação de chips como contraceptivo e controle de fertilidade) sempre nos assustamos, pois vemos que o horizonte das corporações é cada vez mais de controle, num momento em que vivemos um retrocesso no Brasil relacionado a uma ofensiva conservadora e patriarcal sobre a vida das mulheres.”

Peter Bloom e Eric Huerta, da Rhizomática, explicam a relação entre 5G, o aumento da quantidade de dispositivos conectados e a venda de dados pessoais. “Estamos falando de estar cercado por sensores dos mais diversos tipos. A geladeira agora estará em comunicação com a Amazon.com para solicitar os alimentos que precisa sem você fazer nada“.

No último texto, Ariel Guzik, do Laboratório de Investigación em Resonancia y Expresión de la Naturaleza apresenta o impacto do 5G na camada eletromagnética da Terra e como esse impacto vai afetar a vida no Planeta. “No The Lancet, em dezembro de 2018, um artigo dizia que era hora de avaliar os efeitos dos campos eletromagnéticos, porque eles estão aumentando de forma desmedida. Os campos eletromagnéticos artificiais chegam a ser 1018 mais altos do que os naturais e, com o 5G, isso se multiplica notavelmente. O 5G implica em um grande número de emissores, uma grande quantidade de campos eletromagnéticos radioativos e outros tipos de danos“.

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Fonte: Centro Ecológico