Um pôr do sol esplêndido. Um local no coração da cidade perfeito para uma caminhada ou corrida. Até mesmo para uma pausa no dia, um “chima”, um momento de descanso. A Lagoa do Violão não é só um cartão-postal de Torres, é um ecossistema complexo e que tenta sobreviver a Torres cada vez mais urbana.

Um cenário assim não combina com inúmeros peixes mortos boiando em seu espelho d’água. Assunto que ganhou força nas redes sociais nas últimas semanas, com um forte apelo ao Governo Municipal sobre o que tem sido feito para que essas cenas de morte não façam parte das fotos desse lugar lindo.

O Biólogo Roger Maciel, entre tantas outras pessoas, publicou em suas redes sociais a preocupação sobre o que se passa com a Lagoa do Violão. Será mesmo uma questão apenas de temperatura da água? E as Tilápias que por não serem nativas podem ser ameaça às demais espécies nativas?

Em entrevista para a Rádio Maristela, nesta segunda-feira, 12 de julho, o Biólogo defendeu que algo mais acontece. Segundo Roger, “uma soma de muitos fatores são sintomas de um desequilíbrio. As baixas temperaturas são sim um fator de mortandade das Tilápias, que são consideradas invasoras desse habitat, não possuem resistência ao frio.”. Mas alerta para outros fatores que indicam um desarranjo em todo o ecossistema.

Confira a entrevista:


“O frio é sim um fator importante, porém existem outros fatores, pois no último verão também houve episódio de mortandade de peixes na Lagoa do Violão. Devemos considerar outros pontos, como a alta proliferação de algas, favorecendo o desenvolvimento de fungos e outros microrganismos que afetam a saúde e a imunidade das espécies, as deixando ainda mais suscetíveis, por exemplo”, explica Roger.

O Biólogo recorda que o empreendimento Vesta, no Centro de Torres, direciona via tubulação da Corsan água límpida de uma nascente encontrada no início das obras. O volume direcionado à Lagoa do Violão tem a capacidade de renovar toda a água da Lagoa quatro vezes no ano, o que é importantíssimo para as espécies. “Porém, não tem sido o suficiente”, afirma o Biólogo.

“Como Biólogo ouso sugerir alguns caminhos, afinal de contas, minha relação com a Lagoa não se dá apenas pela minha área profissional, mas como alguém que cresceu, pescou, brincou na Lagoa do Violão. É um local que faz parte da nossa vida e de nossas memórias afetivas”, recorda Roger.

Dentre as sugestões para a busca do equilíbrio da Lagoa do Violão, Roger aponta:

– Realizar uma análise na Lagoa para verificar a presença de esgoto clandestino e controlar a proliferação de algas e outros microrganismos;

– Realizar teste nas Tilápias para verificar se é possível o consumo humano. Em um segundo momento realizar parcerias com proprietários de açudes controlados para a total captura dessa espécie que não é nativa do local, se multiplica rapidamente e não possui predador, colocando em risco as demais espécie nativas;

– Realizar a manutenção nas caixas separadoras que coletam a água da chuva e dos esgotos pluviais filtrando a água para evitar o assoreamento por areia e detritos;

– Controlar o assoreamento da Lagoa, pois isso interfere na temperatura da água. A Lagoa do Violão precisa ficar mais profunda.

Em contato com a Secretaria do Meio Ambiente, o secretário Júlio Agápio, afirmou que existe todo um esforço para com a Lagoa, inclusive em sua equipe técnica já existem estudos sobre a presença da Tilápia, o peixe que tem aparecido morto nas águas da Lagoa. E sobre o trabalho de manutenção e recuperação da Lagoa, o secretário responderá em breve em matéria para a Rádio Maristela.