A Coleta de Pentecostes, nos dias 23 e 24 de maio, mobiliza fiéis em apoio à missão gaúcha em Moçambique.
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A Diocese de Osório intensifica a mobilização para a Coleta de Pentecostes, que será realizada nos dias 23 e 24 de maio em todas as comunidades paroquiais do Rio Grande do Sul, em apoio ao Projeto Igrejas Solidárias, missão da Igreja Católica gaúcha na Arquidiocese de Nampula, no norte de Moçambique. Em entrevista à Rádio Maristela nesta sexta-feira, 15, o missionário torrense Benedito Salvador Ataguile, o professor Benê, falou diretamente de Moma, onde atua há dois anos e sete meses, reforçando o apelo pela colaboração financeira que mantém viva a missão há mais de três décadas.
Atualmente, Benê integra a equipe missionária responsável por projetos sociais, educacionais e pastorais que atendem centenas de crianças, jovens e famílias em situação de extrema vulnerabilidade. Segundo ele, a coleta realizada na Solenidade de Pentecostes é fundamental para garantir a continuidade das atividades. “Pentecostes é a sobrevivência do nosso trabalho aqui. Estamos precisando da ajuda de cada um para dar continuidade a esse projeto”, afirmou.






Educação, alimentação e evangelização em meio à pobreza extrema
Em Moçambique, Benê atua diretamente no projeto Murima Wa Mwana, expressão local que significa “Coração de Criança”. A iniciativa desenvolve ações voltadas à educação e promoção humana, atendendo atualmente 279 crianças e adolescentes, além de 45 adultos, por meio de atividades de reforço escolar, alfabetização, distribuição de materiais didáticos e oferta de alimentação.
O missionário relata que a rotina inicia antes das 5h da manhã e segue até a noite, envolvendo desde atividades pedagógicas até organização da casa e logística da missão. “A fome é uma constante. Muitas crianças chegam dizendo que não comeram. Então nosso trabalho também passa por alimentar e acolher”, destacou.
Além do projeto educacional, a missão mantém a Biblioteca Comunitária Uatana, única da cidade de Moma, um Lar Vocacional com oito jovens em processo de discernimento e acompanhamento pastoral em mais de 120 comunidades espalhadas pela região.
Segundo Benê, os recursos arrecadados no Rio Grande do Sul fazem diferença direta na vida da população local. “Com pouco mais de dois mil reais conseguimos alimentar quase 300 crianças e dezenas de adultos durante um mês. Cada doação tem um impacto enorme aqui”, explicou.
A missão também transforma os missionários
Durante a entrevista, o professor torrense também falou sobre as marcas humanas e espirituais deixadas pela missão. A realidade da pobreza extrema, segundo ele, provoca uma profunda mudança de percepção sobre a vida e o compromisso social.
“Eu melhorei muito enquanto ser humano. Ajudar aqui é uma necessidade diária. Não tem como cruzar os braços diante da fome, da sede e da miséria”, relatou.
Benê destacou ainda o vínculo afetivo criado com a população moçambicana e revelou o desejo de permanecer por mais tempo no país africano, mesmo após a conclusão do período missionário previsto para outubro deste ano. “A gente acaba se tornando moçambicano também. Eles nos acolhem como irmãos. E somos.”, afirmou.
Ao recordar Torres e o Litoral Norte gaúcho, o missionário emocionou-se ao mencionar a saudade da cidade, da Lagoa do Violão, da Escola São Domingos onde lecionava e das comunidades que seguem apoiando a missão. “Quando as crianças perguntam de onde vem a comida, eu digo: vem do Brasil, vem de Torres, vem do Rio Grande do Sul”, contou.
30 anos de Projeto Igrejas Solidárias
Criado em 1994, o Projeto Igrejas Solidárias é uma parceria entre a Igreja Católica do Rio Grande do Sul e a Arquidiocese de Nampula. Ao longo de mais de 30 anos, já enviou mais de 70 missionários entre padres, religiosos e leigos para atuação em áreas como educação, saúde, promoção humana e evangelização.
Atualmente, além de Benê, integram a missão em Moçambique o padre Henrique Neis, da Diocese de Novo Hamburgo, e o padre Mauro Argenton, da Diocese de Frederico Westphalen.
O bispo da Diocese de Osório e referencial da Comissão Missionária do Regional Sul 3 da CNBB, dom Jaime Pedro Kohl, reforça que a coleta representa um gesto concreto de missionariedade. “O projeto é de todos nós. Além da oração, somos chamados também à colaboração financeira para sustentar esta missão”, destacou.
Como colaborar
As doações poderão ser realizadas durante as celebrações dos dias 23 e 24 de maio, por meio dos envelopes distribuídos nas comunidades, nas coletas das missas ou ainda via PIX, pela chave [email protected].
Os recursos arrecadados ajudam na manutenção dos projetos educacionais, alimentação, combustível, materiais escolares, estrutura pastoral e acompanhamento das comunidades atendidas pela missão gaúcha em Moçambique.
CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

