A cena é conhecida por quem circula diariamente pelo Centro de Torres. Pessoas dormindo em calçadas, na porta de igrejas, carregando mochilas, cobertas e histórias que quase nunca aparecem por inteiro. Entre dependência química, rompimentos familiares, transtornos mentais e deslocamentos constantes entre cidades, a assistência social do município tenta enfrentar uma realidade complexa e sem soluções rápidas.

O tema foi abordado na quarta-feira, 27, durante entrevista na Rádio Maristela com o coordenador do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Torres, Bruno Raupp.
Recém-chegado à coordenação do serviço, após atuar no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Bruno explicou que saúde mental e vulnerabilidade social frequentemente caminham juntas.
“O CAPS atende os casos mais graves de saúde mental. O CREAS atende os casos mais graves da vulnerabilidade social. Muitas vezes é o mesmo público”, afirmou.
Segundo ele, o trabalho do CREAS começa quando direitos básicos já foram rompidos. Alimentação, higiene, segurança e vínculos familiares aparecem entre as principais fragilidades encontradas pelas equipes de abordagem social.
Hoje, conforme levantamento realizado pelo município, Torres possui 79 pessoas identificadas em situação de rua. Destas, 17 estão acolhidas na casa de passagem. O restante permanece em circulação pelas ruas da cidade ou em deslocamento entre municípios.
“Tem pessoas que transitam pelo Brasil inteiro. Outras ficam mais tempo aqui. É uma realidade muito dinâmica”, explicou. Bruno também rebateu a ideia de que toda pessoa em situação de rua esteja ligada à criminalidade.
“As pessoas acabam generalizando. Existem casos muito diferentes. Algumas pessoas têm transtornos mentais graves, outras enfrentam dependência química e outras perderam completamente seus vínculos familiares”, destacou.
Entre os grupos mais difíceis de abordagem estão usuários de álcool e drogas. Segundo o coordenador, a dependência interfere diretamente na capacidade de decisão e dificulta qualquer tentativa de reorganização da vida.
Mesmo diante das dificuldades, o município tem registrado histórias de reconstrução. A casa de passagem, segundo Bruno, já ajudou dezenas de pessoas a deixarem as ruas, retomarem vínculos e conseguirem emprego.
Um dos exemplos lembrados durante a entrevista foi o de Nilton, ex-morador de rua que conseguiu superar a situação, formou-se em Serviço Social e hoje participa de movimentos ligados à defesa da população em situação de rua.
“O objetivo do serviço é justamente esse. Construir possibilidades para a pessoa superar a situação de rua”, afirmou.
Bruno também pediu apoio da população no encaminhamento dessas pessoas aos serviços públicos disponíveis no município.
“Muitas vezes a ajuda começa orientando essa pessoa a procurar atendimento. Existem caminhos e serviços preparados para isso”, concluiu.
O CREAS fica localizado na Estrada do Mar, nº 275, KM 89, no bairro Faxinal (em frente à Rodoviária). O espaço oferece atendimento especializado a indivíduos e famílias que tiveram seus direitos violados.
- Horário de atendimento: De segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 17h30.
- Telefone: (51) 3626-9150 (Ramais 747, 748 e 749).
- E-mail: [email protected].
Confira a entrevista na íntegra:

