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O aumento da população idosa em Torres demonstra a necessidade de ampliar a proteção e o combate às diferentes formas de violência praticadas contra esse público. O tema esteve em destaque na manhã desta segunda-feira (15), na Rádio Maristela, em entrevista com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdipi), Joelci de Souza Alianiello, e as conselheiras voluntárias Sônia Regina e Délia Pescio, em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa.

A data, celebrada em 15 de junho, busca chamar a atenção da sociedade para abusos que muitas vezes acontecem dentro da própria família e permanecem invisíveis. Durante a entrevista, as representantes do conselho destacaram que a violência contra a pessoa idosa vai muito além das agressões físicas, incluindo violência psicológica, financeira, patrimonial, sexual, negligência, abandono e até a exclusão social e digital.
ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
Segundo dados apresentados por Joelci, a população idosa de Torres passou de 8,7% em 2000 para 21,5% atualmente. Hoje, são cerca de 8.987 pessoas com 60 anos ou mais vivendo no município.
Para a presidente do Comdipi, o crescimento desse público exige maior atenção das famílias, do poder público e da sociedade.
“Em poucas décadas, a proporção de pessoas idosas mais que dobrou em Torres. Isso demonstra a necessidade de fortalecer políticas públicas, serviços de cuidado, acessibilidade e proteção social”, destacou.
VIOLÊNCIA FINANCEIRA
Entre as situações que mais preocupam o conselho está a violência financeira, quando familiares ou terceiros utilizam indevidamente aposentadorias, cartões bancários, empréstimos e patrimônio das pessoas idosas.
As entrevistadas também alertaram para golpes praticados por telefone, aplicativos e redes sociais, que têm como alvo idosos com pouca familiaridade com ferramentas digitais.
Outro problema crescente é a exclusão digital. Conforme ressaltado por Délia, a dificuldade de acessar serviços bancários, aplicativos e plataformas digitais pode gerar dependência, isolamento e até novas formas de violência.
COMO DENUNCIAR
O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa não possui função investigativa, mas orienta e encaminha as demandas aos órgãos competentes.
As denúncias podem ser realizadas pelo Disque 100, de forma anônima, além da Delegacia de Polícia, Ministério Público e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
As representantes reforçaram que muitos casos deixam de ser denunciados porque a vítima sente medo, vergonha ou receio de sofrer represálias por parte de familiares e cuidadores.
TORRES POSSUI 18 ILPIs
Durante a entrevista, também foi destacado o trabalho de fiscalização das Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs), nomenclatura utilizada atualmente para os antigos asilos.
Segundo o conselho, Torres conta hoje com 18 instituições desse tipo, que abrigam cerca de 242 pessoas idosas. Os estabelecimentos passam por processos de certificação e acompanhamento para garantir o cumprimento das normas de atendimento e cuidado.
JUNHO VIOLETA
Como parte da programação do Junho Violeta, mês dedicado à conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, o Comdipi promoverá uma caminhada no dia 23 de junho, terça-feira. A atividade sairá da Praça XV e seguirá até a Casa da Terra, reunindo idosos, familiares, entidades e comunidade em geral.
O objetivo é ampliar o debate sobre o envelhecimento, fortalecer a defesa dos direitos da pessoa idosa e estimular uma cultura de respeito e valorização das gerações mais experientes.
Ao final da entrevista, as participantes deixaram uma reflexão para a comunidade:
“Um dia todos nós seremos pessoas idosas. Cuide, ame e valorize os seus idosos hoje, porque a forma como tratamos nossos pais e avós é também o exemplo que deixamos para as futuras gerações.”






