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A violência contra a mulher continua fazendo vítimas diariamente no Rio Grande do Sul e Brasil. Em meio ao aumento dos casos de feminicídio registrados neste ano, o Ministério Público de Torres, a Rede Lilás e a Rádio Maristela iniciaram uma série de entrevistas mensais para ampliar a informação, fortalecer a rede de proteção e incentivar denúncias.
A iniciativa foi anunciada nesta sexta-feira (19) pelo 3º Promotor de Justiça da Comarca de Torres, Dr. Márcio Roberto Silva de Carvalho, que atua diretamente em processos relacionados à violência doméstica e de gênero.
Segundo o promotor, a realidade enfrentada pelos órgãos de proteção é muito mais grave do que a população imagina.
“As pessoas não têm ideia da avalanche de ocorrências envolvendo violência contra mulheres que chegam diariamente ao Ministério Público. Infelizmente, muitas delas terminam em feminicídio.”


REALIDADE
A Comarca de Torres abrange os municípios de Torres, Arroio do Sal, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul, Dom Pedro de Alcântara, Mampituba e Três Forquilhas, somando cerca de 80 mil habitantes.
De acordo com o promotor, os registros de violência doméstica chegam por diferentes canais: delegacias, Brigada Militar, serviços de assistência social, profissionais da saúde e denúncias feitas diretamente ao Ministério Público.
O principal desafio, segundo ele, é que muitas vítimas sequer percebem que estão vivendo uma situação de violência.
“Muitas mulheres acreditam que é normal ser humilhada, controlada, ameaçada ou ofendida diariamente. Quando a agressão física acontece, geralmente a violência já vinha ocorrendo há muito tempo.”
CICLO
Especialistas apontam que a violência doméstica costuma seguir um padrão gradual. O agressor frequentemente inicia o controle por meio de ciúmes excessivos, isolamento social, chantagens emocionais, humilhações e ameaças.
A dependência financeira, o medo, a presença dos filhos e a esperança de mudança fazem com que muitas mulheres permaneçam em relacionamentos abusivos por anos.
“A vítima não está sozinha. Existe uma rede preparada para acolher, orientar e proteger. O mais importante é não se calar”, reforçou o promotor.
PROTEÇÃO
Entre os mecanismos disponíveis estão medidas protetivas de urgência, afastamento do agressor, monitoramento eletrônico, acolhimento em casas de proteção e acompanhamento psicológico e social.
Quando identificada situação de risco, os pedidos de proteção podem ser analisados pela Justiça em até 24 horas.
“A resposta do Estado é rápida. Se houver descumprimento da medida protetiva, o agressor pode ser preso imediatamente.”
O promotor destacou ainda que a crença na impunidade continua sendo um dos fatores que estimulam a reincidência da violência.
“O recado é claro: quem pratica violência contra a mulher deve saber que não ficará impune.”
ONDE BUSCAR AJUDA
Mulheres em situação de violência podem procurar:
- Brigada Militar – telefone 190
- Polícia Civil – telefone 197
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
- CREAS e CRAS do município
- Departamento da Mulher
- Ministério Público
- Delegacia de Polícia
QUIZ: Seu relacionamento é saudável?
Responda “sim” ou “não” para cada pergunta:
- Seu parceiro controla suas roupas, amizades ou redes sociais?
- Você sente medo da reação dele ao discordar de alguma opinião?
- Ele costuma humilhar, ridicularizar ou diminuir você?
- Você já deixou de fazer algo para evitar discussões?
- Seu celular é fiscalizado sem sua autorização?
- Ele tenta afastar você da família ou dos amigos?
- Você já ouviu ameaças, mesmo que “em tom de brincadeira”?
- Há controle do dinheiro ou impedimento de trabalhar?
- Você se sente constantemente culpada pelos comportamentos dele?
- Já houve empurrões, apertões, agressões ou destruição de objetos?
Resultado
Nenhum “sim”
Seu relacionamento apresenta sinais de respeito e autonomia. Mantenha o diálogo e o respeito mútuo.
1 a 3 respostas “sim”
Atenção. Alguns comportamentos podem indicar o início de um relacionamento abusivo.
4 a 6 respostas “sim”
Há sinais importantes de violência psicológica, emocional ou patrimonial. Procure orientação e converse com alguém de confiança.
7 ou mais respostas “sim”
Você pode estar vivendo uma situação de violência. Busque ajuda especializada. A violência tende a se agravar com o tempo.
Lembre-se: violência contra a mulher não começa com agressão física. Ela geralmente começa com o controle, a humilhação, o medo e o silêncio. Denunciar pode salvar vidas.

