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A possibilidade de interrupção do transporte coletivo urbano em Torres voltou a preocupar usuários e autoridades. Após ser notificada pela Prefeitura para restabelecer linhas e horários reduzidos, a direção da Torrescar afirmou que a empresa enfrenta um desequilíbrio financeiro há anos e que, sem uma solução emergencial, poderá suspender a operação no município.
O assunto foi tema de entrevista nesta sexta-feira (19) na Rádio Maristela, com o sócio-proprietário da empresa, Eduardo Fernandes Delfino, e a diretora Renata Dimer. Eles apresentaram a versão da concessionária sobre a crise que envolve o transporte público e afirmaram que a redução de horários foi uma medida necessária para evitar a paralisação completa do serviço.


DÉFICIT FINANCEIRO
Segundo Renata Dimer, a empresa vem alertando o município sobre a necessidade de reequilibrar economicamente o contrato desde 2022, inclusive em um processo acompanhado pelo Ministério Público.
“Estamos há bastante tempo pedindo para o município sentar e encontrar uma solução. O contrato está em desequilíbrio e nada se faz”, afirmou.
Ela explicou que, diante do aumento dos custos operacionais, especialmente do combustível, a empresa comunicou à Prefeitura, em março deste ano, que não teria mais condições de manter a operação integral.
LINHAS REDUZIDAS
A Torrescar informou que reduziu aproximadamente 30% dos horários durante a semana e cerca de 70% nos finais de semana. Conforme a diretora, a decisão buscou preservar os horários considerados essenciais para trabalhadores e estudantes.
“Priorizamos os horários de início da manhã, meio-dia e final da tarde. Pensamos em manter atendidas as pessoas que precisam trabalhar e estudar”, explicou.
A empresa destaca que não houve alteração de itinerários ou extinção de linhas, apenas redução de horários.
NOTIFICAÇÃO
Sobre a notificação recebida da Prefeitura, que concedeu prazo de dez dias úteis para o restabelecimento integral da operação, Renata afirmou que o documento não considera a realidade financeira enfrentada pela concessionária.
“A Prefeitura está exigindo o cumprimento de um lado do contrato, enquanto há quatro anos apontamos que o outro lado não está funcionando. O que precisamos é construir uma solução”, disse.
A direção da empresa informou que avalia juridicamente quais medidas serão adotadas nos próximos dias e não descarta uma suspensão das atividades caso o impasse permaneça sem solução.
TARIFA INSUFICIENTE
Outro ponto destacado na entrevista foi a diferença entre o valor pago pelo usuário e o custo real da operação.
Atualmente, a passagem custa R$ 5. Porém, segundo estudo técnico realizado pela Fundação Universidade-Empresa de Tecnologia e Ciências (Fundatec), contratado pelo município, a chamada tarifa técnica estaria próxima de R$ 7,95.
De acordo com a empresa, a diferença entre o valor cobrado do passageiro e o custo efetivo do sistema precisaria ser compensada por algum tipo de subsídio público.
“Se a tarifa técnica é quase R$ 8 e o passageiro paga R$ 5, essa diferença precisa ser coberta de alguma forma para manter o serviço funcionando”, explicou Renata.
POSSÍVEL PARALISAÇÃO
Questionado sobre os próximos passos, Eduardo afirmou que a empresa estuda inclusive a suspensão da concessão caso não haja avanço nas negociações.
“Talvez estejamos caminhando para parar o serviço. É uma possibilidade que está sendo analisada”, declarou.
Ele lembrou que a empresa já devolveu ao Estado, em 2024, a operação de 19 linhas intermunicipais que apresentavam prejuízos e afirma que o transporte urbano de Torres enfrenta hoje situação semelhante.
APELO POR ACORDO
Apesar das dificuldades, a direção da Torrescar afirmou que a intenção não é interromper o atendimento à população, mas encontrar uma alternativa que garanta a continuidade do transporte coletivo.
“Nós entendemos o lado do passageiro. Sabemos da importância do transporte público. Mas também precisamos encontrar uma forma de manter a operação funcionando”, destacou Renata.
Com 50 anos de atuação em Torres, a empresa emprega cerca de 35 funcionários e opera sete linhas urbanas no município. Enquanto a Prefeitura cobra o restabelecimento integral dos horários, a concessionária aguarda a definição sobre o projeto que tramita na Câmara de Vereadores e que poderá permitir ao município implantar um sistema de Tarifa Zero ou de subsídio ao transporte coletivo, como forma de garantir a sustentabilidade do serviço.





