Um projeto de monitoramento permanente das praias da região de Torres está sendo executado por uma equipe técnica como parte de uma condicionante ambiental exigida pelo IBAMA em relação às atividades de prospecção sísmica na Bacia de Pelotas. A iniciativa, que envolve pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, busca acompanhar possíveis impactos da operação de navios sísmicos sobre a fauna marinha ao longo do litoral.

O trabalho, que começou a ser estruturado no fim do ano passado e entrou efetivamente em campo em fevereiro, é desenvolvido em parceria com instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e envolve equipes distribuídas entre diferentes trechos do litoral gaúcho e catarinense. Em Torres, os monitoramentos diários ocorrem desde a região da Praia Grande até áreas próximas de Arroio do Sal e Curumim, com divisão de atuação também com equipes de Imbé.
Segundo os profissionais envolvidos, a metodologia combina o monitoramento contínuo das praias com o acionamento da comunidade. Sempre que um animal marinho é encontrado, vivo ou morto, a equipe é acionada para avaliação no local e, quando necessário, encaminhamento para atendimento veterinário especializado no Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), em Imbé. Em casos específicos, carcaças também podem ser recolhidas para estudos científicos.
Um dos pontos centrais do projeto é o registro sistemático dos animais encontrados, com catalogação e marcação de carcaças para evitar duplicidade de dados. A medida garante maior precisão no levantamento populacional e na análise dos possíveis impactos ambientais. Animais vivos não recebem marcação, mas podem ser resgatados quando apresentam sinais de debilidade, como ocorre com pinguins e tartarugas marinhas.
A equipe também destaca a importância da participação da população, que pode informar ocorrências diretamente pelo telefone 3308 1263. O contato permite o acionamento rápido dos técnicos para avaliação das situações encontradas nas praias. Os profissionais reforçam ainda orientações para que a população evite contato direto com os animais, preservando tanto a segurança das pessoas quanto o bem-estar da fauna marinha.
A prospecção sísmica, etapa anterior à possível exploração de petróleo e gás, utiliza ondas sonoras para mapear o subsolo marinho e identificar potenciais reservas. Apesar de não envolver perfuração, o processo gera ruídos que podem interferir no comportamento de espécies marinhas, motivo pelo qual o monitoramento ambiental é exigido como parte do licenciamento.
O projeto segue em execução até pelo menos 2027, acompanhando as diferentes fases da atividade na região e produzindo dados científicos sobre a interação entre a prospecção e o ecossistema costeiro.
Fotos: reprodução Ceclimar

