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O Município de Torres encaminhou ao Ministério da Educação (MEC) um novo ofício reafirmando o interesse institucional do município na implantação de uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). O documento, enviado na última terça-feira, 23, ao secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli, reafirma a disponibilidade de uma estrutura já existente e pronta para uso, considerada atualmente um dos principais diferenciais na disputa entre municípios interessados em receber novos campi federais.
A iniciativa ocorre em um momento estratégico da mobilização regional, após anos de articulação política, técnica e comunitária em defesa da instalação do Instituto Federal em Torres.
ESTRUTURA PRONTA

No ofício assinado pelo prefeito Delci Behenck Dimer, o município reafirma a oferta de doação de um imóvel de 2.218 metros quadrados, localizado na Avenida Castelo Branco, esquina com a Rua L, no Bairro Centenário. O espaço atualmente abriga a Escola Municipal de Educação Infantil São Jorge. Além da área principal, também foram disponibilizados dois terrenos adicionais para futura expansão do campus.
Segundo o documento, a estrutura existente conta com biblioteca, auditório, secretaria, salas de aula, laboratório de informática, sanitários e área de convivência. O prédio já possui finalidade educacional e estaria apto para o início imediato do processo de implantação da unidade federal.
A Administração Municipal também informou que está adotando medidas para adequar o funcionamento da unidade escolar atualmente instalada no local, garantindo a continuidade do atendimento da rede municipal sem prejuízo aos estudantes e à comunidade escolar.
MOBILIZAÇÃO
A presidente da Comissão de Mobilização Pró-IF Torres e Região e coordenadora do Grupo de Trabalho de Infraestrutura, a educadora Rachel Nasser avalia que o novo ofício representa uma etapa decisiva do processo.
Segundo ela, após a expectativa criada durante a expansão dos Institutos Federais anunciada pelo Governo Federal em 2024, a comissão compreendeu que seria necessário fortalecer a articulação política e apresentar uma proposta ainda mais concreta ao MEC.
“A gente percebeu que, neste momento, uma estrutura física pronta é o que pode fazer a diferença. Existem várias cidades disputando a instalação de um Instituto Federal e muitas delas também apresentaram imóveis disponíveis. Por isso, a oferta de um prédio já estruturado tornou-se fundamental para o avanço da candidatura de Torres”, afirmou.
Rachel destaca que a mobilização ganhou força com o envolvimento de lideranças políticas, parlamentares, representantes regionais, entidades empresariais e da própria comunidade torrense.
BRASÍLIA
Um dos marcos recentes da articulação ocorreu em fevereiro deste ano, quando uma comitiva formada por mais de 20 representantes da região esteve em Brasília para apresentar oficialmente a candidatura de Torres.
Na ocasião, foram entregues ao MEC documentos técnicos, manifestações de apoio institucional e um rol de propostas incluindo terrenos para a construção de sede própria e possibilidade de doação do imóvel já pronto para funcionamento localizado no Bairro Centenário.
“O movimento reuniu prefeitos da região, entidades empresariais e integrantes da comissão. Foi um trabalho muito robusto. A proposta da estrutura pronta já estava incluída naquele material entregue ao Ministério”, relatou Rachel.
Ela também lembrou que representantes da comissão voltaram a apresentar a reivindicação diretamente ao secretário da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), Marcelo Bregagnoli, durante agendas ligadas à inauguração do Camus Viamão e do IFRS TecnoParque.
REAFIRMAÇÃO
Para a coordenadora, o novo ofício serve como uma confirmação formal de que o município mantém o compromisso assumido anteriormente.
“O MEC precisa ter segurança de que a oferta continua válida. O que o prefeito faz agora é reafirmar oficialmente que Torres segue interessada, mantém a oferta do prédio e dos terrenos para expansão e está preparada para avançar quando houver a decisão”, explicou.
O documento também ressalta que uma eventual doação do imóvel deverá cumprir todos os trâmites administrativos e legais, incluindo a aprovação do Projeto de Lei na Câmara Municipal de Vereadores com a doação do prédio e terrenos anexo para a União.
DESENVOLVIMENTO
Rachel acredita que a implantação do Instituto Federal representará uma transformação histórica para Torres e toda a região.
“É uma conquista muito grandiosa. As cidades que recebem um Instituto Federal passam a ter uma realidade antes e outra depois da chegada da instituição. O impacto acontece na educação, na economia, na geração de oportunidades e no desenvolvimento regional.”
Ela cita como exemplo as mudanças já observadas em municípios que receberam unidades do IFRS, onde houve valorização imobiliária, fortalecimento econômico e ampliação da oferta de ensino técnico e superior gratuito.
PRÓXIMAS ETAPAS
Apesar do avanço das articulações, a comissão destaca que a mobilização ainda não terminou. Caso Torres seja contemplada, novas etapas dependerão da participação da comunidade, incluindo discussões sobre cursos prioritários, perfil da unidade e planejamento da implantação.
“A população não pode desanimar. Foram muitos anos de luta e muitas pessoas contribuíram para chegar até aqui. Ainda vamos precisar do apoio da comunidade em todas as fases. É um projeto que pode mudar o futuro de Torres e de toda a região”, concluiu Rachel.
Atualmente, o município aguarda a análise do Ministério da Educação sobre a proposta apresentada, mantendo ativa a articulação política e institucional para transformar em realidade a implantação do primeiro campus do Instituto Federal em Torres.
Foto: Anderson Weiler

